• Postado por Tiago

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A única certeza de Luciane (c) é que a casa pode desabar a qualquer chuvarada

Seis meses depois da enchente de novembro, tem uma galera de Balneário Camboriú que ainda sofre pacas com a desgraceira. São 250 famílias da Maravilha do Atlântico que arriscam suas vidas morando dentro de casas condenadas pela defesa civil. A cada chuvinha a galera acende uma vela e reza pra que as baiucas continuem de pé.

A prefeitura informou que as famílias que têm casas condenadas moram na rua Bento Cunha, no bairro da Barra, no loteamento Jardim Denise, e nos bairros Nova Esperança, das Nações e São Judas Tadeu.

A diarista Luciane Quekie da Silva, 37 anos, é uma dessas pessoas que fica com o cabelo em pé a cada chuva. Ela mora com o companheiro e três filhas no pé do morro da Cotia e teve a residência condenada. Seu quintal tá desmoronando e pode levar a casinha a qualquer momento. Durante a enchente de novembro, a terra simexeu, os canos saltaram e o muro do vizinho veio parar ao lado de sua casa. Agora é impossível transitar por lá.

Luciane não consegue sequer tirar uma churrasqueira, que foi parar no meio do matagal. ?Nem eu ou o meu marido temos dinheiro pra comprar uma casa nova?, lamenta, enquanto folheia o papel de interdição entregue pela prefa. Ao lado das filhas, Franciele Naiara Quekie, 20, e Lisângela Quekie, 13, conta que até hoje, seis meses depois da chuvarada, a prefeitura não fez nada de concreto pra ajudar a melhorar a situação por lá.

A patroa de Luciane, a professora Maria de Fátima Kern Machado, 54, afirma que até tentou fazer o que pôde. Pagou um peão pra dar uma garibada na baia, mas o profissional meteu o bedelho e disse que a casa não tem solução. ?Fui até lá com um pedreiro, mas a casa, como está, não dá pra fazer nada?, lamenta.

Prefa corre atrás

As famílias que vivem em moradias condenadas terão que continuar rezando bastante pra que suas baiucas continuem de pé. Os três projetos bolados pela prefa não têm data pra sair do papel e ainda aguardam liberação de órgãos.

Uma das medidas adotadas é o reassentamento de moradias precárias. ?O projeto aprovado pela Caixa prevê a construção de 188 casas no bairro da Barra, especificamente pras famílias que estão em área de risco no município?, explica o secretário de desenvolvimento e inclusão social, Luiz Maraschin. Como falta a liberação de uma papelada da Caixa, ainda não há data pro início das obras.

O segundo projeto é a reação habitacional, onde seriam construídas 58 unidades na rua Maria Mansoto, no bairro São Judas. Há 10 dias a galera da prefa resolveu alterar o plano e entregou uma nova proposta à Companhia de Habitação de Santa Catarina (Cohab). ?Onde construiríamos 20 casinhas, queremos fazer 60 apartamentos?, revela. A Cohab tem até semana que vem pra analisar a proposta.

Já o último projeto é o ?Minha casa, minha vida? da Caixa e do governo federal, onde a prefa tenta fazer 500 baiucas pro povão que ganha até três salários. No entanto, a prefeitura ainda tá procurando terreno pra construir as casas. ?O planejamento do município está tendo que encontrar áreas pra fazer as construções?, admite Maraschin.

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