• Postado por Tiago

Debaixo da tenda montada pela prefa na praia do Trapiche, em Penha, uma tchurma pra lá de animada chamava a atenção na tarde de segunda-feira. O bacharel em direito, Lusmarque Souza, 44 anos, regia a orquestra de 31 pessoas vindas de Barra Bonita, no interior de São Paulo, que cantavam, falavam e davam gargalhada, tudo ao mesmo tempo. O motivo de tanta alegria era um só: a estadia prolongada no litoral norte catarinense, coroada com um dia de muito sol, milho cozido e cerveja gelada numa das praias mais populares de Armação do Itapocoroy.

?Nosso lema é a felicidade. As tristezas, a gente deixa pra trás?, setencia o patriarca, plenamente apoiado pelos familiares. ?Eu vim me curar da depressão aqui, depois que terminei um namoro. Passei o réveillon e gostei tanto que chamei o resto da família?, declarou, orgulhosa, a filha Nathalia, 19 anos. A estudante disse que o que mais gostou na Penha foi o Bailão do Silva, onde dançou forró até se acabar na última sexta-feira, e achou até um pretê. ?Pode colocar aí: Felipe, cadê você?!?, pergunta, embalada por umas brejas a mais.

A família toda tá hospedada na casa da ?tia Andréia?, na Barra Velha, e todo dia a galera simanda pra um pico diferente da região. E a via crucis tem sido tão prazerosa, que rolou até uma mudança de planos. ?Nós íamos comprar uma casa numa praia do litoral paranaense, que é mais perto, mas aqui é muito mais bonito. Estamos pensando em investir por aqui mesmo?, declarou a matriarca Nikita Sampaio Souza, 44 anos.

A família é exemplo do público que tem descoberto, nos últimos anos, que Penha vai muito além dos domínios do parque Beto Carrero, no bairro Gravatá. A instalação do parque no começo dos anos 90 realmente revitalizou o fluxo turístico do município, que teve início em meados dos anos 40, quando famílias de industriais do Vale do Itajaí compraram grandes terrenos na praia da Armação, batizada pelos locais de ?praia dos Alemães?. Nos anos 70 e 80, filhos e netos dos primeiros ?veranistas? aumentaram a faixa de ?alemães? da baia de Itapocoroy, da Pedra da Fortaleza até quase à praia do Quilombo, no centro da Penha.

Então, quando João Sergio Murad teve a ideia de criar a ?Disneylandia brasileira? na área rural do pacato município, cuja economia se baseava na pesca artesanal e turismo sazonal, muita gente deu risada. Mas, sabe aquela máxima ?ri melhor quem ri por último?? Dezoito anos depois da criação do parque, a rede hoteleira e de restaurantes se expandiu, as principais ruas receberam asfalto e Penha ganhou até uma rodovia, ligando o Gravatá à BR-101, apelidada de ?Transbeto?, tudo pra incrementar a infraestrutura da demanda cada vez maior de visitantes. O próximo passo é garantir a sanidade de suas águas, que durante décadas recebeu esgoto impunemente. Outro sonho é fazer uma avenida à beira-mar.

A família de Lusmarque gostou tanto da Armação que pretende comprar uma baia por lá

praia trapiche 2

Os paranaenses Roberson e Driele estão com mais 16 pessoas numa casa do Gravatá

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