• Postado por Tiago

Segundo o advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, que defendeu vários acusados, entre eles Francisco Ramos, Roberta Ramos, Becheli Rosales, Joaquim Roberto Vanhoni, Dayane Bento e Carlos Vanhoni Neto, o canetaço da juíza foi uma decisão técnica e embasada num trabalho jurídico consistente. “A juíza reconheceu que não tinha como receber uma denúncia que foi fruto de provas ilícitas”, afirma. Gastão informou que, hoje mesmo, seus clientes vão buscar os seus bens, apreendidos pela PF durante a operação.

Sobre o recurso do MPF, Gastão acredita que ninguém conseguirá reverter o trabalho da juíza. “Foi uma decisão muito bem fundamentada, que merece aplausos, porque tem uma reflexão muito grande por parte da magistrada, que dedicou suas férias e, ao invés de descansar, ficou trabalhando. Um trabalho jurídico consistente, que acho difícil alguém conseguir modificar”, afirma.

Gastão também acredita que a decisão da magistrada não foi dada com base em pressão superior. “Foi uma decisão técnica, de reflexão e não de paixão. Decisão técnica que ela analisou de acordo com a lei e não se deixou levar por paixão ou pressão”, lascou.

Pra finalizar, Gastão acredita que houve contaminação da prova, como afirmou a magistrada, porque pra ele todo o material produzido pela PF partiu das escutas telefônicas. “Eles ficaram meses e meses escutando as pessoas ao invés de investigar”, pontuou. Gastão diz que a escuta é um meio de investigação complementar e não pode ser a única forma de investigação.

Entenda a Influenza

A operação Influenza da polícia federal teve início em 2007, a partir de uma denúncia de um fiscal da prefeitura de Itajaí. O auge da operação foi em 20 de junho de 2008, quando 24 pessoas foram parar atrás das grades, sob a acusação de maracutaias envolvendo o porto de Itajaí e São Chico e a empresa Agrenco S.A. Entre os presos, tavam funcionários públicos, políticos e empresários. Na lista dos outrora encrencados, hoje livres, leves e soltos estão Wilson Rebelo, Chico Ramos, Normélio Weber, Fiu Saldanha e o empresário Antônio Iafelice.

Na operação, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 31 bagrões por formação de quadrilha, falsificação de documentos, crimes financeiros, corrupção ativa, tráfico de influência, estelionato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. Desde oito de outubro do ano passado, a operação tava parada. Na época, os advogados dos empresários da Agrenco pediram a nulidade de todas as interceptações telefônicas feitas durante a investigação da PF e também o trancamento do inquérito policial. O pedido foi baseado no fato de que parte dos grampos foi autorizada pelo juiz estadual. No fim de fevereiro, os desembargadores do tribunalzão de Porto Alegre negaram o pedido por unanimidade e, finalmente, a treta foi adiante.

Os procuradores também pediam que fossem consideradas legais todas as provas caneteadas pela justiça federal. O MPF deixa claro que só denunciou os envolvidos nos crimes em que a investigação já tava esgotada.

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