• Postado por Tiago

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?A gente produz aqui mais do que verduras. A gente tá plantando a semente de um mundo novo, humanizado?, diz Leandro

Textos Sandro Silva

Fotos Felipe Trojan

Eles vivem em comunhão. Tiram seu sustento da produção da terra e são fornecedores de uma das maiores redes de supermercado do país. Além disso, dividem igualmente tudo o que ganham e têm até regimento interno sobre as regras de boa convivência na pequena comunidade de 27 pessoas, que fica em Garuva, norte do Estado. Foi pra conhecer essa experiência de vida coletiva que o DIARINHO convidou três leitores para passar o sábado no assentamento rural Conquista do Litoral, que pertence ao movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST).

O militar da reserva da Aeronáutica Carlos André Franco, 57 anos, a sindicalista Olga Ferreira, 43, e o estudante de engenharia ambiental Tiago Cidral Francisco, 18, visitaram cada cantinho do assentamento e despejaram um caminhão de perguntas sobre os assentados. Três gerações diferentes. Três visões de mundo diversas uma da outra. A reportagem que você lê agora é o resultado do diálogo entre os leitores e os trabalhadores do campo.

Todos são lideranças

?Vossas excelências, vão chegando?. Não era sarcasmo nem submissão. Era bom humor. Logo, seu Adolfo Levi, 69 anos, pai de um dos assentados, conquistou o grupo. Os olhos azuis apertadinhos entre as rugas do rosto de ancião fitaram com simpatia cada um dos visitantes durante o aperto de mão de boas vindas.

Enquanto seu Adolfo fazia as honras de cicerone para os convidados, a equipe do DIARINHO foi procurar o líder ou o coordenador do assentamento. Surgiu aí a primeira surpresa. ?Aqui todo mundo é liderança?, diz o agricultor Leandro César Daniel, 26 anos, rindo da nossa ingenuidade de achar que todo grupo precisa de um chefe.

Como o coletivo é formado por apenas 13 famílias, todos fazem parte da coordenação de algum setor: uns lideram os serviços nas roças externas, outros o sementário, outros ainda são responsáveis pela coordenação no trato com os animais, sem falar da cozinha, dos maquinários e da administração econômica. Mas, mesmo que seja responsável por um setor, o membro da comunidade tem que trabalhar nos demais. O rodízio de trabalho mantém os agricultores a par de tudo o que acontece no assentamento.

Logo aparece do meio das sementeiras Airi Mossi, 40 anos. Foi com ele que o DIARINHO conversou na semana passada. Todos já sabiam da visita, mas a tarefa de organizar a recepção era de Airi, que está na área desde que ela foi conquistada, há 14 anos.

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