• 26 nov 2009
  • Postado por Tiago

A Defesa Civil itajaiense

Tendo em vista que há duas semanas atrás, após tecer alguns comentários sobre a teimosa perpetuação da “Marejada”, cumprimentei os organizadores da festividade e parabenizei o pessoal da Famai, todos ligados à atual administração municipal, resolvi hoje voltar a elogiar a mesma administração e assumir o risco de novamente ser assediado por algum “patrulheiro cumpanheiro”, pela ousadia.

Então vamos lá. Estava na edição do “DIARINHO” do dia 20 recém passado: “A Defesa Civil não é mais uma estrutura partidária ou de um governo, mas montada por representantes da sociedade itajaiense”, garantiu o mandatário. Jandir diz que as pessoas que estão na coordenação e na gerência foram escolhidas por um conselho representativo da classe empresarial, trabalhadora, corpo de bombeiros, PM e universidade que buscaram pessoas qualificadas para ocupar estes espaços.”

“Quando mudar o governo, garantiu Bellini, não há necessidade de se mudar esta estrutura porque ela não tem vínculo político. Ele disse que não se pode fazer da defesa civil uma ação política, partidária ou de governo e que é um instrumento que tem que estar em alerta 24 horas, 365 dias por ano. Estamos fazendo processo seletivo pra agentes que vão fazer plantão 24 horas. Temos cadastrado todo o voluntário da cidade e outros dados da questão da enchente”.

Por envolver a Defesa Civil, a matéria levou-me ao artigo publicado neste espaço há um ano atrás: “Não conheço pessoalmente o coordenador da Defesa Civil na cidade de Itajaí. Hoje sei o seu nome e identifico a pessoa por haver assistido sua entrevista em uma emissora de televisão. Ignoro a sua formação cultural, profissão, estado civil, mas imagino sua simpatia política, pela cor escarlate do uniforme que vestia durante seu trabalho na Marejada, ponto de recebimento e distribuição das doações e recursos para os flagelados.”

“Através da imprensa fiquei sabendo de sua origem, a cidade de Blumenau, e do fato de não possuir nenhuma outra credencial específica para sua investidura no posto que ocupa, responsável pela defesa e segurança da população de todo o município itajaiense.”

“Povo que, conforme assinalou o principal defensor civil em sua entrevista, nada aprendeu com as enchentes da década de 80: ‘Blumenau aprendeu com a enchente, profissionalizou e equipou da defesa civil, deu treinamento pras pessoas, contratou efetivos através de concurso’, afirmou.”

“Talvez resida aí a pista para entender-se a sua nomeação: originário de Blumenau, por isto deve saber de enchentes e gosta de uniforme vermelho. Tempos atrás se nomeou para dirigente do porto alguém que simplesmente era descendente de portuário.”

“O artigo 37 da Constituição fala da moralidade administrativa como requisito de toda a atividade de qualquer administrador público, por isso a ação dos administradores, além de traduzir a vontade de obter o máximo de eficiência, terá ainda de corresponder à vontade constante de viver honestamente, de não prejudicar outrem e de dar a cada um o que lhe pertence.”

“Confirmo assim o que escrevi semana passada: “Restam os dirigentes. A estes não se pode deferir a atenuante de não serem profissionais, pois estão em seus cargos e funções por desejo próprio. Não estavam preparados? Deviam ter providenciado sua preparação, já que esta não vem no DNA, há que adquiri-la através do estudo, da preparação e, coisa rara, de muita dedicação e espírito público.”

“Tem razão o Coordenador: ‘A defesa civil não é lugar pra político, a defesa civil é lugar pra técnicos e esses técnicos estão em falta no mercado. É preciso formar as pessoas’, acredita.”

“Também quando defende ‘que funcionários efetivos do município recebam treinamento em cursos fora do estado pra saber o que fazer na hora em que se abrem as torneiras do céu’, despejando sobre a terra turbilhões de água, sem dó nem piedade.”

Agora, diante da notícia transcrita no início, impõe-se o aplauso à diretriz estabelecida pelo atual prefeito de Itajaí, pelo seu discernimento em ouvir a voz da razão e também acatar a orientação do antigo coordenador, para que os membros da Defesa Civil sejam técnicos concursados e não mais um cabide de empregos para alojar políticos e cumprir acordos eleitorais.

* bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.

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