• Postado por Tiago

Estava na coluna diária de Cláudio Humberto que os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, José Sarney e Michel Temer, tiveram uma conversa a sós com o presidente “L I”, consultando-o sobre eventual terceiro mandato. L I que sempre vinha negando a hipótese limitou-se a devolver a pergunta, inquirindo-os: “O que vocês acham disso?” Há quem diga que foi interpretada como elogiosa a gozação de Barack Obama, provocando o “reacender do brilho no olhar do “cara”.

A notícia não trouxe nenhuma surpresa, a novidade consistiu na ação conjunta de um aproveitador contumaz ao lado de um “aprendiz de feiticeiro”, com cara de mordomo de filme de terror. Aliás, é oportuna a lembrança da antiga sabedoria quando afirmava: “as águas sempre encontram o seu nível”.

A centelha no olhar do ser presidencial nunca apagou, estava temporariamente em regime de economia de energia, ou “stand by”, como diria o pessoal do Obama.

Alguns “moderninhos” insistem em afirmar que os idosos estão superados, confusos com a evolução da técnica e vencidos pela modernidade. Agem assim, desprezando a experiência de vida, o conhecimento prático, fruto de uma existência que testemunhou, pelo menos, uma guerra mundial, uma evolução científica, o advento da luz elétrica, do telefone, do telégrafo, do “14 Bis” de Santos Dumont, viu a chegada em planetas vizinhos e até experimenta a vida em órbita num satélite artificial.

Tais críticos ao assim posicionarem-se esquecem que os anos vividos proporcionaram um cabedal de conhecimentos, fruto da experiência adquirida pelo acompanhamento dos fatos que construíram a História e que lhes permite hoje, num simples relance, identificar uma tênue centelha, matreiramente ocultada no esperto olhar de um predador.

Tanto assim é que, há mais de um ano, quase dois, ao comentar uma superprodução dos estúdios Disney, relembrei a história da lebre, da raposa e a boneca de piche. Consistia na narrativa da “esperteza” da lebre que sempre perseguida pela raposa faminta, pregava-lhe peças, frustrando os ardis do predador. No relato, a raposa manufaturou uma boneca de piche que, pegajosa, acabou por imobilizar a lebre curiosa, mantendo-a colada na sua superfície.

Presa a lebre, regozijou-se a raposa com a própria esperteza e querendo quitar-se de antigos logros a ela aplicados pela lebre, manifestou sua intenção de proporcionar-lhe uma morte com bastante sofrimento. Imobilizada, a prisioneira passou a lamentar-se e a rogar por clemência, admitindo sua eliminação, mas não tão sofrida como a morte certa, caso fosse jogada em uma imensa malha de espinheiros que se estendia na vizinhança do local onde estavam.

Impressionada com os rogos da futura vítima, a raposa imaginou que a morte nos espinhos seria o melhor castigo para a lebre, ainda maior pelo terror por ela demonstrado. Assim, descolada do piche, logo foi a presa arremessada bem no meio do espinheiro para agravar o seu sofrimento de morte.

Acontece que sob o espinheiro a lebre havia construído o seu abrigo, valendo-se dos agudos espinhos para proteção de seus domínios contra possíveis agressores. Resultava daí que o bicho conhecia os vários meandros do espinhal, safando-se facilmente de qualquer perseguição sem sofrer nenhum ferimento.

Assim, mesmo antes de tocar o solo, arremessada que fora, a lebre soltou várias gargalhadas, pelo logro que uma vez mais havia aplicado à sua velha inimiga.

Esta passagem acendeu na memória uma entrevista do apedeuta ao jornal “O Estado de São Paulo”, quando declarou: “Não tem essa do povo pedir. Meu mandato termina no dia 31 de dezembro de 2010. Passo a faixa para outro presidente da República e vou fazer meu coelhinho assado, que faz uns cinco anos que eu não faço”. Ou, trocada em miúdos está a dizer: “Nem se o povo pedir serei candidato em 2010”.

Lembrando a “estória” da lebre e da raposa posso agora, diante da presidencial declaração, repetir uma afirmativa bastante popular: “Eu já vi esse filme”. Ou seja, tal como o rogo da lebre: “não se preocupem comigo”; “me esqueçam”; “façam de conta que não existo”; “Sem vigilância ficarei à vontade para trabalhar a minha eternização no poder”,“me poupe de ser jogado naquele espinheiro”.

“O que vocês acham disso?”

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