• Postado por Tiago

Pingo – Segundo a Agência Brasil, o presidente Lula comentou em Astana, no Cazaquistão, a crise do Senado e o discurso de defesa do senador Sarney. Disse que considera Sarney uma pessoa séria e criticou o “denuncismo” da imprensa. Ele disse que não leu reportagens sobre Sarney, mas que pensa que ele tem “história suficiente” para não ser tratado como “uma pessoa comum”.

Respingo – Resposta do filósofo grego Aristóteles (384 AC): “Acontece que, muitas vezes, homens muito pobres chegam à essa alta magistratura, e a indigência força-os a se venderem.” E mais: “Como o corpo, a inteligência tem a sua velhice; e a educação dos senadores não é tão perfeita que o próprio legislador não tenha tido uma suspeita qualquer quanto à sua virtude. Eis aí um perigo para o Estado”. (obra: A política).

Pingo – Frase de JOSÉ SARNEY em sua autodefesa: “É uma injustiça do país julgar um homem como eu, com tantos anos de vida pública, com a correção que tenho de vida austera, de família bem composta”.

Respingo – Decididamente, o “imortal” vem confirmar o adágio popular que diz: “o hábito do uso do cachimbo faz a boca torta”. Durante os tantos anos de vida pública, por ele alegados, não cuidou da despensa das instituições que presidiu (Presidência da República, Governo do Maranhão e ultimamente a do Senado Federal), entretanto, não descuidou de prover o seu farnel particular, jamais descuidando de manter com recursos públicos a sua família bem composta e com a mesa posta. Já estava na terceira geração, com um neto gozando das facilidades de uma sinecura.

Pingo – A Justiça Federal do Maranhão determinou que a Fundação José Sarney devolva ao governo estadual o Convento das Mercês, uma construção do século XVII, doada para a entidade para que o “imortal” o transformasse em seu “Memorial”.

Respingo – É a oportunidade de repetir-se a célebre advertência de Roberto Jefferson a outro José, o Dirceu: “Sai já daí, Zé!”. Aplicável agora ao personagem recentemente “ressuscitado” pelo Luiz Inácio. Em março deste ano escrevi: “A “joia da coroa”, entretanto, é o “Convento das Mercês Memorial José Sarney”, um prédio do século XVII tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, doado à família Sarney. Considerando a sua “folha de serviço”, foi deputado, governador e presidente da República, pegou “carona” na morte de Tancredo, é “imortal” da Academia, parece ser a figura ideal para ilustrar a definição do galicismo ‘cabotino’ que possui o sentido figurativo de “homem vaidoso, que faz questão de aparecer, que faz alarde em torno do próprio nome, que procura chamar a atenção dos outros sobre si; hipócrita; impostor. A atual situação tornou-se insalubre para pessoas deste tipo.

Pingo – No desempenho da sua função de relator, o deputado José Genoíno (PT-SP), leu na última quinta feira o seu parecer contrário à proposta de emenda constitucional que permitiria ao presidente LI candidatar-se ao terceiro mandato. “A proposta parece fulminada de inconstitucionalidade, atingindo valores essenciais do Estado democrático”, declarou.

Respingo – O parecer, que na opinião de cientistas políticos ajuda a enterrar o assunto, mereceu elogios dos especialistas, tal como era esperado. O fato, em princípio desfavorável, ensejou espetacular aproveitamento político por parte do PT. É evidente que os dirigentes dos partidos da “coligação governista” poderiam ter impedido não só a apresentação, como também as assinaturas necessárias ao requerimento que permitiu a sua tramitação. Entretanto, se tal ocorresse, não ensejaria a indicação de José Genoíno como relator e a oportunidade de rejeitar a emenda redimindo-se, com tal atitude, dos danos do mensalão e perderia também a oportunidade de repetir várias vezes a sua posição, a do presidente e a do seu partido, contrária à tese da reeleição, inventada pelo adversário PSDB. Resumindo: botaram o jabuti em cima da árvore e culparam o adversário.

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