• Postado por Tiago

Institucionalização do FEBEAPA

Comentei, em uma das crônicas aqui publicadas no mês passado, a doentia manifestação da pessoa que ocupa o Ministério dos Direitos Humanos no governo LI o qual está a impor a obrigação de o chefe do governo pedir, em nome de todos os brasileiros, “perdão pela tortura e mortes na ditadura”.

Classifiquei como doentia tal manifestação porque tal atitude, pela sua extemporaneidade, só pode ser a exteriorização de um desvio mental do indivíduo que não satisfeito em se instalar no poder e usufruir de todas as benesses institucionalizadas pelos “cumpanheiros” (cartões corporativos, viagens gratuitas, perdão pelos desvios, etc.), passa a impor exigências ao país, tal como ajoelhar-se e pedir perdão.

Deficiência na formação intelectual, fanatismo político ou religioso são ingredientes poderosos para o surgimento de uma personalidade deturpada.

O comentário publicado naquela oportunidade tinha, como todos aqueles que apresento semanalmente aos leitores, o objetivo de induzi-los a uma meditação sobre o rumo que está sendo tomado pelo atual governo, no que respeita às coisas nacionais, especialmente no campo da consciência e do intelecto da população brasileira.

Exatamente por entrever “desvios ideológicos” em atitudes como a criticada é que volto a repisar neste assunto, pois a semente plantada pelos “perseguidos” de ontem está, ao que tudo indica, a florescer revelando frutos.

Veja-se que em pleno século XXI, cinquenta anos depois, um deputado estadual paulista decidiu enfrentar a ditadura. Apresentou um projeto de lei que pretende mudar o nome de todos os logradouros públicos do Estado que homenageiam vultos do período da ditadura militar.

Até a rodovia “Castelo Branco” principal ligação entre a capital e o oeste paulista deveria ser rebatizada “com nome de uma liderança democrática”.

O projeto é justificado com o argumento de que: “O Estado reconheceu que houve tortura ao indenizar ex-presos e perseguidos políticos. Sendo assim, não faz sentido homenagear quem autorizou ou praticou tortura com nome de praça, escola ou estrada”.

A proposta até poderia ter caráter prático se, como já acontece em terras do “primeiro mundo”, as ruas passassem a ser designadas por número, organizadas de forma a, pela distribuição, indicar a sua localização aproximada e os demais logradouros a serem designados com indicativos de épocas, pontos geográficos, criações da natureza, etc. Entretanto, este não é o propósito dos “revanchistas”. “Não tem sentido a democracia manter a homenagem a um criminoso como Castelo Branco e punir com o ostracismo a vítima do crime, que foi João Goulart. Queremos o Jango em nome de avenidas estradas e praças, juntamente com Miguel Arraes, Leonel Brizola…”, afirma o presidente do Conselho de Direitos Humanos.

Bem, aí está o caso para a sua meditação. Se for para expurgar tudo o que se relaciona à ditadura, há que serem apagadas as milhares de placas indicativas das ruas, praças, avenidas, escolas, institutos e fundações que levam o nome de Getúlio Vargas, ditador por 15 anos entre as décadas de 30 e 50 do século passado. E o Tiradentes e o Marechal Deodoro que se cuidem.

Diante disto tudo, volto a reafirmar a falta que está fazendo um cronista, ou humorista, como preferirem os leitores, do tipo Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo usado pelo jornalista Sérgio Porto, já falecido.

Ponte Preta idealizou a sigla “Febeapá”, abreviação do título de seu livro “Festival de besteiras que assola o país”, onde revelou vasta coleção de “besteiras” divulgadas neste país lá pelos idos de 1970.

Volto a lamentar tal ausência, pois nos dias atuais o número de “besteiras” que têm sido oferecidas ao público através das atividades dos nossos políticos tem aumentado de tal forma que, não fosse a falta do autor, já teríamos o segundo ou terceiro volume do “Febeapá”.

Não bastasse isto tudo, ainda temos que pagar vencimentos, representação, auxílio-moradia e passagens aéreas para tais espécimes.

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