• Postado por Tiago

entrevistao-amilcar-gazaniga-(23) ?Eu aprendi que eu não boto a mão no fogo por mais ninguém. Nem por mim, nem por mais ninguém?

Ele é assumidamente conservador quando o assunto é ideologia. Foi o político mais jovem a ser eleito prefeito de Itajaí e chefiou a Eletrosul e os Correios, indicado por Collor e Fernando Henrique, respectivamente. Apesar de ser a cara do antigo PDS, hoje diz que a sua sigla é o PC, o partido da Consciência.

Dizem que ele é um dos ?cérebros? do governo Bellini, mas nem por isso ele deixa de apontar falhas na administração peixeira. Neste entrevistão concedido ao colunista JC e aos jornalistas Mariana Vieira e Sandro Silva, Amílcar Gazaniga fala da sua trajetória pública, faz confidências sobre os bastidores do poder, cutuca aliados políticos, além de ratificar sua ojeriza histórica ao PT. Páginas imperdíveis sobre alguém que fez e faz a história política da cidade. As fotos são de Felipe VT.

DIARINHO ? Como começou sua história política?

Amílcar Gazaniga – A minha vida pública foi totalmente fora de qualquer programação. Eu estava em Blumenau e vim transferido pra Celesc de Itajaí. Nesse meio tempo o doutor Antônio Carlos Konder Reis, senador na época, pediu que eu o ajudasse politicamente a fazer o processo de renovação da Arena [partido político criado durante a ditadura militar e que hoje chama-se PP] de Itajaí, que era presidida pelo seu Nelson Heusi, um senhor já de bastante idade, mas que era muito respeitado. E aí ele pediu que eu aceitasse a indicação de vice-presidente da Arena, na época. Os dois candidatos naturais daquela eleição seriam ou o Luis Antônio Cechinel, ou o Noemi dos Santos Cruz, que era presidente da associação comercial na época. E os dois brigaram, não se entenderam. Então a eleição ia chegando e aí, já em 1976, o doutor Antônio Carlos Konder Reis era governador de Santa Catarina. E quando eu vim de Blumenau pra cá o doutor Antônio Carlos Konder Reis politicamente referendou o meu nome. Naquela ocasião, como Itajaí praticamente tava ficando sem uma candidatura do partido de situação e os dois candidatos naturais tavam litigando, aí o doutor Konder Reis foi na minha casa e disse: ?Olha, tens alguma opção política??. Eu disse: ?Não, negativo?. Tanto é que eu nunca tinha sido candidato a absolutamente nada. (…) Então, com a eleição de Itajaí totalmente perdida, porque o candidato de oposição era muito forte, o deputado Delfim de Pádua Peixoto Filho, que já havia sido candidato duas vezes e era um deputado brilhante na época. Aí, ele [Konder Reis] disse: ?Então agora eu vou te pedir um favor. Como pedistes para eu referendar o teu nome para vir para Itajaí, eu estou te pedindo para ser candidato a prefeito?. Foi muito gozado, porque eu não conhecia ninguém e ninguém me conhecia. Eu saí com 15 anos da cidade e voltei com 29. E a minha campanha foi de porta em porta, cumprimentando as pessoas. Aí elas perguntavam: ?O que o senhor quer??. ?Eu quero ser prefeito?. ?E quem é o senhor??. ?Eu sou o Amílcar?. E o meu nome também, pra político iniciante, é uma desgraça, né!? É Amílcar Gazaniga. Então, imagina o que eu ouvia. E na época era cédula, tinha que ler o nome. Cédula de papel ainda. Eu passava nas casas e geralmente quem estavam eram as senhoras, porque os maridos estavam nas fábricas. ?Ah, o seu Amuca?; ?O seu Amica?. ?Amaziga?. ?Ganizaga?. E aí eu quero ser muito sincero… Eu acho que não fui eu que ganhei a eleição. Foi muito mais o Delfim que perdeu, porque ele achou que a eleição tava ganha. (…)

DIARINHO ? Qual foi, na sua opinião, o principal erro do prefeito Bellini no primeiro ano de governo? E o principal acerto?

Amílcar Gazaniga – Eu acho que o principal acerto dele foi ter tido a paciência de continuar com muita serenidade até o final desse período de transição. E em todos os sentidos: transição política e transição de uma situação de calamidade para uma de normalidade, como nós começamos a viver agora. E o maior equívoco foi criar expectativas antecipadas de mudanças, de reformas, que não se concretizaram. Isso transmite um pouco de insegurança. Eu acho que ele [Bellini] tem é muita prudência, mas essa coisa de divulgar que vai haver uma mudança de secretariado, isso gera expectativas tanto no corpo gerencial quanto na esfera política, como também uma expectativa onde cada um mensura o seu quantitativo. Isso é diferente de pessoa para pessoa e sempre sai gente arranhada ou frustrada.

DIARINHO – O prefeito Jandir Bellini tem empurrado com a barriga a propalada reforma administrativa que o senhor acaba de citar. Inclusive no seminário de gestão, realizado há poucos dias, Bellini teria dado uma segunda chance para os secretários. O senhor, quando prefeito, também titubeava quando seus comandados patinavam?

Amílcar Gazaniga – Eu tenho convicção de que o gestor público, que detém os cargos de confiança, tem que tomar atitude rápida. Ele não anuncia. Muitas vezes eu tomei essa atitude. E pelo meu perfil de ser um pouco impetuoso, isso era muitas vezes confundido com arrogância, prepotência, autoritarismo. Tem esse lado também. O prefeito Jandir Bellini e essa ?sua insegurança?, podem ser considerados uma bem-querência, uma sensatez, uma serenidade. Eu acho que o que deveria haver seria uma reavaliação dessa dosagem, não ser tão impetuoso, mas não ser tão condescendente com determinadas atitudes.

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DIARINHO – O senhor já declarou que se alguém o vir pedindo voto pra si mesmo que o prendam, porque endoidou. Vai manter a posição de não ser candidato?

Amílcar Gazaniga – A posição é a mesma. Eu acho o seguinte: Nós que chegamos em uma determinada idade e que, graças a Deus, estamos de bem com a vida… A melhor coisa que eu devo fazer é mostrar através do meu exemplo… Eu sou uma pessoa que sei de todos os meus erros, sei dos meus poucos acertos… [O vice-presidente da República, José Alencar, com a idade que ele tem diz que serve para ser candidato]. Eu o respeito e acho que é um ícone, um exemplo, um paradigma. Eu, longe disso, ta!? Ele, quem sabe, a candidatura dele tem um sentido totalmente diferente da minha. Ele disse ?sou um homem estou aqui e estou recomeçando?. Ele merece esse respeito. Eu não faria isso. Eu indicaria, apoiaria, referendaria alguém porque a própria legislação brasileira é sábia. O magistrado, por exemplo, quando chega aos 70 anos de idade, ele tem uma aposentadoria compulsória. Está mais do que provado pela medicina que a nossa capacidade intelectual, à medida em que os anos vêm, chegam, ela vai reduzindo. Até o tamanho do cérebro reduz. Mas, mantenho a minha posição. Primeiro: acho que não devo. Por quê? Porque eu acho que essa fase passou. Segundo: eu acho que através do meu exemplo eu posso dizer: nós estamos precisando de renovação na atividade política. E, terceiro: mesmo que eu quisesse eu não posso. Eu não tenho filiação partidária nenhuma. Eu, quando fui pra atividade privada, eu me desfiliei, entreguei uma carta pessoal ao presidente Gern [Osvaldo Gern, hoje vereador pelo PP] que era o presidente do PP na época. O meu partido é o PC, o partido da consciência. [Há quem acredite, no atual governo, que o senhor teria capacidade de unir pra ser quase que um candidato único, aparentemente para evitar cometer o mesmo erro do passado, fragmentar duas candidaturas]. Eu fico feliz, fico envaidecido com isso, mas ao mesmo tempo eu peço que eu não seja responsabilizado por isso. Quer dizer, eu acho que cabe a todos que estão nesse processo buscar o entendimento. [O prefeito Jandir Bellini já declarou, quando surgiu o nome do vereador Clayton Batschauer, do PR, e uma série de outras candidaturas, que ele iria pra casa dormir e cuidar só da prefeitura]. Eu não acredito que o processo político da eleição parlamentar obrigatoriamente sinalize a definição do processo político a posteriore. (…) Eu acho ainda muito prematuro nós falarmos em competição política em nível local antes de ser dada a composição política estadual. E hoje a política tem sido muito dinâmica, os fatos têm mudado muito. Eu li muito atentamente a entrevista que foi feita aqui, do vice-governador Leonel Pavan, na semana passada. Há 20 dias atrás a realidade política de Santa Catarina era uma. Hoje nós sabemos que ele não tem qualquer tipo de pré-julgamento, de condenação, mas em um âmbito político, variáveis existiram. E como isso vai se desdobrar pro futuro eu não sei. Por exemplo, a candidatura à presidência da República. Se a candidatura for do José Serra e do Aécio Neves, numa chapa pura, e isso puder convergir, vai ter um quadro. Se o PP ficar em nível federal com o PT, em Santa Catarina vai ter outro quadro. Se o PSDB, PMDB e DEM ficarem juntos em Santa Catarina, vai ter reflexo aqui. Se o PP ficar junto com o PT em nível estadual, quem sabe o PP de Itajaí seja a dissidência. Eu acho que, infelizmente, a política brasileira perdeu um pouco da vergonha, né? Porque o eleitor não merece essa sopa de letrinhas. Eu acho que a democracia foi feita pra eleger sempre duas pessoas, aqueles que são governo e aqueles que são oposição, não eleger aqueles que querem o poder, né? E de uns tempos pra cá ninguém mais entende nada na política brasileira.

DIARINHO – Considera traição para com o eleitor o fato de um candidato se eleger deputado estadual e dois anos depois ser candidato a prefeito, como ocorreu com o atual prefeito Jandir Bellini e o ex-Volnei Morastoni?

Amílcar Gazaniga – Eu não digo traição, porque a legislação permite. Mas eu acho que é um pouco de falta de consideração com o eleitor. Por quê? Porque eu sou totalmente contra o discurso ?não, vamos votar no candidato da terra?; Isso é discurso eleitoreiro, porque não tem ninguém que é deputado estadual ou deputado federal que se eleja só com os votos daqui, né!? Aí, qual vai ser o discurso do candidato da província quando atravessa o rio? Ele vai lá em Navegantes e diz: ?Oh, aquilo que eu falei em Itajaí é mentirinha, eu também quero o voto de vocês?. Ou então vai a Itapema e diz: ?Não ouve o meu discurso de Itajaí, ele é diferente daqui?. Primeiro: um deputado estadual, para se eleger, ele precisa ter 80, 90, 100 mil votos. Ele vai buscar voto em qualquer lugar. Se prevalecesse a tese de que só se pode eleger o candidato da província, então o que nós teríamos que fazer? Primeiro: pra deixar a hipocrisia de lado, é mudar a legislação. Transformar o voto em distrital, onde aí nós evitaríamos o paraquedista. (…) Senão, nós vamos ver uma situação inusitada. Por exemplo, um comunicador de televisão. É óbvio que esse discurso ele não vai poder usar, porque ele se comunica pra uma região inteira, ele vai ter voto num estado inteiro. E muitas vezes as pessoas acabam optando por um segundo local de residência. Eu vou dar um exemplo claro. O deputado João Mattos. Eu vou falar de uma figura que não é do meu partido, em quem eu nunca votei e em quem com muita dificuldade votaria. Não por ele, mas por que eu tenho outras opções. Mas é um deputado íntegro, democrático, está demonstrando que tem uma força eleitoral muito grande pela sua trajetória política. Ele é de Ibirama, sempre foi de Ibirama. Hoje ele mora com o filho dele, que é secretário regional, em Navegantes. Então ele vai dizer: ?Só vota em mim Navegantes, não vota Ibirama?. É muito complicado. Então, tem que fazer eleição agora para garantir eleição futura? Nós tivemos vários e vários exemplos aqui em Itajaí de que isso não é verdadeiro. O próprio deputado Delfim de Pádua Filho, da minha época, quantas vezes elegeu-se deputado estadual e não conseguiu eleger-se prefeito? Vamos aos outros casos da atualidade: a senhora Eliane Rebello foi deputada estadual e não conseguiu nunca sucesso na eleição majoritária. Nós tivemos aqui um outro caso mais recente: o do grande – quero fazer essa ressalva -, excepcional e inovador presidente que a câmara está tendo, o vereador Pissetti. Ele fez uma eleição de deputado federal dois anos atrás e ele que o diga a dificuldade que teve na eleição de vereador dois anos depois. Então, eu acho que essa falsa imagem de que é a eleição de deputado, de que ela obrigatoriamente vai definir um líder pra ser o todo poderoso, eu acho que não vale. E também não acho que o prefeito Jandir Bellini pode não ter sucesso na eleição proporcional de agora de 2010 e ter sucesso se for ele ou se escolherem um bom candidato pra ser seu sucessor na eleição de 2012. [O vereador Pissetti, do DEM, tem terminado as sessões da câmara pedindo que as pessoas votem em candidatos daqui. Na eleição passada mais de 100 candidatos buscaram votos daqui e hoje a gente não tem um representante na assembleia]. Eu acho que o que nós devemos fazer é votar nos candidatos indicados pelos partidos daqui, isso sim. Porque isso a legislação determina. O partido tal, nosso candidato fulano de tal. Eu prefiro apoiar uma candidatura que seja identificada comigo, apoiada pelo meu partido local, que tenha a perspectiva de eleição do que simplesmente lançar uma candidatura que está ali para ocupar espaço, não é? Não vejo sentido. Como também, com todo o respeito ao meu caro amigo Pissetti, eu duvido que na eleição dele de deputado federal, mesmo ele sendo eleitor de Itajaí, que ele não foi nos outros municípios pedir um votinho pro parente, pro amigo. Então, aquilo que a gente não quer pra gente aqui, a gente não pode desejar pros outros. Nós não fazemos o mesmo papel. Não tem ninguém de Itajaí, de qualquer partido que se candidate, que tenha coragem e diga que só quer os votos de Itajaí, que não quer o voto de outro porque é candidato de Itajaí, certo? Balela eleitoral que desaparece rapidinho.

DIARINHO ? O senhor teve seus 15 minutos de fama nacional quando presidiu a empresa Brasileira de Correios, no primeiro mandato de FHC. Naquela época foi duramente criticado pelo falecido e então ministro das comunicações Sérgio Motta, um dos responsáveis pela onda de privatizações no país. Como foi esse embate?

Amílcar Gazaniga – Eu vou fazer uma confissão a vocês pela gentileza que fizeram e a alegria que vocês estão me dando em poder contar coisas que até agora eu não contei. Estava em curso uma greve nos Correios em nível nacional e eu administrando esse episódio. Aprendi muito quando presidente da Eletrosul, quando enfrentei greves. Naquela ocasião, o PT, que hoje está no governo, execrava todos aqueles que eram indicados no governo Collor. Hoje a gente vê o senhor presidente da República em beijos e abraços com o próprio Collor. Então não cometi um grande pecado assim, naquela época. [Amílcar presidiu a Eletrosul, estatal produtora de energia, no governo de Fernando Collor de Mello]. Estávamos negociando, só que houve uma manifestação dos grevistas em frente à casa do ministro Sérgio Motta, em São Paulo. [Por que ele defendia a privatização dos Correios?] Isso. Tava em curso a privatização e na realidade nunca houve a tendência de privatização dos Correios. Nunca houve. Tava em curso eram as franquias, que era a terceirização das agências. [Depois caíram, não é?] Depois caíram, o Tribunal cortou. Eu estava inaugurando uma agência de Correios em Concórdia, em Santa Catarina. Aí recebi um telefonema: ?Olha, Amílcar, não te assusta, com toda a sinceridade, eu dei [ele era muito desbocado] umas cacetadas em ti porque eu precisava bater no Antônio Carlos Magalhães e no Maluf?. Porque eu era o único do partido na época e tava recém vindo pro governo. Eu era o único representante na época do PDS no governo. A expressão que ele usou: ?Eu não conheço esse cara, ninguém conhece?. E por que ele me telefonou? Isso foi lá por agosto, setembro, eu não sei precisar a data. Mas um pouco antes tinha havido uma solenidade, um jantar de confraternização em um hotel de Brasília, onde o ministro Motta me abraçava e dizia: ?Olha, esse rapaz é meu amigo pessoal e eu já estou com a ficha de filiação dele do PSDB no bolso e ele já vai se filiar?. São essas coisas de Brasília que a gente tem que absorver, é a história que não pode ser escrita. Tanto é que quando houve a saída de toda a diretoria do governo, o presidente da República, o Fernando Henrique Cardoso, me convocou. Eu estava em Florianópolis, em uma reunião com o Guga Kuerten, ele tinha recém-ganhado o Roland Garros [Torneio de tênis na França]… Lembro como hoje. Estava sendo informado que os Correios lançariam o selo comemorativo ao feito de ele ter ganhado a primeira Copa Davis. Quando o Presidente FHC me convocou, eu tomei um avião no dia seguinte e fui ao palácio do Planalto. Ele disse: ?Amílcar, em consideração a ti, é necessário fazer uma readequação política, mas toda a diretoria dos Correios vai sair. Ele primeiro destituiu a diretoria dos Correios para depois me destituir. Fui eu quem levei a informação, porque o ministro Motta tinha montado a estrutura organizacional e era muito inteligente. Era pro Presidente ser a rainha da Inglaterra e a estrutura ser digerida por um vice-presidente executivo que seria indicado por ele. [E o Amílcar, nessa história toda?] Eu nessa história? Você sabe do meu gênio, né!? Eu nunca fui de ser passivo no sentido de não participar daquilo que eu faço. Mas por que eu aceitei? Porque eles, nessa modificação de ter transformado o meu vice-presidente, que era o doutor Egydio Bianchi, uma pessoa de São Paulo, também muito inteligente, no vice-presidente do executivo, eles esqueceram de um detalhe que me dava a chance de tomar conhecimento de absolutamente todas as decisões. Eles deixaram na presidência a assessoria jurídica e assessoria de comunicações. [Ou seja, o pepino ficava com o presidente?] Não, eu não digo pepino. Mas as coisas de difícil administração, que teoricamente não teriam o poder de decisão final. Mas o que eles esqueceram é que pela diretoria de comunicações eram necessários passar todos os extratos dos editais de compras e licitações da empresa inteira. E eu determinei, como presidente, que eu não receberia só o extrato do edital, eu tinha que receber o extrato junto com o edital. E eu pegava todos os editais de todos os anos. Eu tinha conhecimento do que vinha para a diretoria de comunicações, eu mandava pra jurídica, eles orientavam o que eu tinha que fazer. Então eu tinha o controle efetivo da empresa. Nós informatizamos a empresa inteira naquela ocasião. Eu recebi os Correios com um prejuízo de 75 milhões de dólares e, no ano seguinte, nada por mérito meu, mas por de toda uma equipe e dessa informatização, nós passamos para um lucro histórico de cento e poucos milhões de dólares. Porque quando eu cheguei nos Correios, a gente tomava conhecimento da receita somente 45 dias depois. Com a informatização nós tínhamos mais agilidade. Eu tava preocupado com as receitas que vinham de São Paulo, de Porto Alegre, e aí eu sabia como é que as coisas estavam sendo gastas ou não e economias tinham que ser feitas. Mas isso foi ferindo interesses. Licitações que eram feitas só de forma regionalizada eu nacionalizei. O que me chamou a atenção, um dia, foi que existia uma compra que era feita diretamente de fábrica. Uma compra de uns veículos Fiat Fiorino e ali tava especificado o valor da pintura: tinta amarelo correio no valor de tanto. Era de mil e poucos reais, sei lá. Vamos botar um número assim. Mas mil e poucos reais só de pintura? Bom, pensei: ?Isso é da fábrica, quem é que vai discutir??. Aí um dia eu estou caminhando por Brasília, no final da tarde, e tinha uma revendedora que eu não esqueço o nome: Revendedora Itália. E tinha uma Fiat Fiorino cor amarela ECT [Abreviação de empresa de Correios e Telégrafos]. Eu entrei porque tava na vitrine. Aí eles disseram: ?Aqui a pintura específica é 500 e poucos reais?. Eu fui lá e anulei o processo e aí, obviamente, muitos não gostaram. Abrimos as licitações de empresas aéreas, que detinham o monopólio postal do tráfico noturno. Mas eu quero responder de maneira objetiva: eu não me senti nem um pouco magoado com o ministro Motta. Ele realmente era uma pessoa que quando se exaltava botava todo mundo no mesmo saco pra bater, mas ele teve por mim, pessoalmente, um grande apreço e eu tenho por ele uma grande admiração e rezo para que Deus o tenha todo o dia. Não guardo nenhum rancor. [E dois anos depois o senhor foi no enterro dele?] Eu não fui a São Paulo, mas mandei o meu telegrama, mandei a minha coroa de flores. Ele teve a dignidade de quando houve a mudança dos Correios para o outro presidente fazer uma homenagem pessoal a mim lá nos Correios. Eu só guardo boas lembranças.

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DIARINHO ? O senhor acompanhou, mais do que de camarote, o que o prefeito Jandir Bellini herdou do ex-prefeito Volnei Morastoni. O que o senhor crê que tenha sido caótico para a administração atual, o maior problema?

Amílcar Gazaniga – O maior problema que eu vejo foi aquela estrutura organizacional que tinha. Era a estrutura que concentrava grandes poderes em determinados secretários. E ele [Jandir] teve que nomear em cima disso. Tinha uma coisa escrita e outra que era nomeada. Segundo, a situação econômica financeira da prefeitura bastante difícil. Mas isso vai para o gestor público divulgar na hora certa. E essa falta de comprometimento das pessoas com o processo administrativo de transição. Nós temos que reconhecer, de uma maneira bastante serena, que o processo de transição não foi um processo normal, foi um processo traumático. Foi um processo de faz-de-conta que passa, faz-de-conta que diz, faz-de-conta que eu entreguei o livrinho. Então, a situação econômica financeira contábil da prefeitura, na minha opinião, nós nunca vamos saber, infelizmente, como estava. [Por quê?] Porque houve uma enchente. E nessa enchente muitas coisas foram feitas, deixaram de ser feitas, foram feitas de uma maneira X. Eu prefiro deixar para que as autoridades competentes analisem.

DIARINHO – O PP é base aliada do PT no governo Lula. O prefeito Jandir Bellini já disse que não vê problema nessa aliança para o governo do estado. O senhor subiria no palanque com o ex-prefeito Volnei Morastoni para pedir voto para a senadora Ideli Salvatti, do PT?

Amílcar Gazaniga – Eu não subiria no palanque com o ex-prefeito Volnei Morastoni nem com ninguém do PT porque eu tenho vergonha na cara. Com toda franqueza que eu tenho, eu acho que o eleitor sabe das minhas posições. Eu não estou dizendo que sejam as corretas, mas as minhas posições sempre foram antagônicas ao PT. Eu acredito em forma de gestão diferente. Eu acho hoje, e eu vou repetir aqui o ex-senador Flávio Arns e a senadora Marina Silva, como partido, como organização, eu quero me ater simplesmente a isso… Eu não quero me ater ou me deter em pessoas, eu quero falar sobre as doutrinas. Eu acho o PT o partido da hipocrisia, a hipocrisia plena, deslavada. Eu vou dar como exemplo o Collor. Até ontem o Collor era o satanás. Eu participei de um processo onde todo mundo saiu às ruas de cara pintada contra o Collor. Hoje nós vemos fotografias do presidente da República beijando carinhosamente a figura do ex-presidente. Eu sempre ouvi, vocês ouviram, vocês da imprensa, o DIARINHO, que eu vi nascer. Eu fui um indutor da criação do DIARINHO, do meu caro amigo Dalmo Vieira. Nós tínhamos as nossas divergências, mas mantínhamos a nossa amizade intocável. E o primeiro exemplar do DIARINHO, feito em mimeógrafo, quem viu fui eu e o João Américo. O Dalmo era muito amigo do João Américo, que era o meu chefe de gabinete. Ele levou e disse: ?Oh, vamos ter um jornal diário?. Isso quando a sede de vocês era perto ali do Abílio Ramos. Foi ali que começou. Mas então, eu dizia que as posições são muito definidas. Vocês, que são de um jornal que foge aos padrões normais, mas que sempre tiveram muita coerência com o que vocês falam e com aquilo que vocês defendem, eu vi no jornal e tava lá: ?Fora FMI, fora FMI.? Agora, o governo Lula empresta dinheiro ao FMI para o FMI emprestar o dinheiro a outros países, não é? Nós temos aqui toda essa politização das obras de construção do porto de Itajaí de forma hipócrita e incendiária. Por exemplo, é uma maneira de fazer política. Ninguém pode esquecer que a senadora Ideli Salvatti subiu em um caminhão em frente à Igreja Matriz e disse: ?Essas obras do Porto têm superfaturamento?, que ?a estaca é de 50 e tem que ser de 20?. E de uma hora pra outra está tudo normal. A estaca é de 50, o TSU aprovou. Mas nesse mesmo período que se fez toda essa politização aqui, o governo brasileiro estava emprestando 400 milhões de dólares pro porto de Cuba. Eu respeito quem tem seu lado bom, eu não estou dizendo que todos os partidos tenham seu lado bom pra mim, nada disso. Eu estou respondendo à pergunta se eu subiria no palanque do PT: de forma nenhuma porque eu tenho vergonha. Eu tenho vergonha de ser cobrado pelo eleitor no dia seguinte: ?O que que é isso? Você me enganou? Você mudou de discurso??. Então eu continuo com a minha tese. Eu, na eleição passada, liguei, ao meu amigo pessoal, é meu amigo, eu respeito, eu acho uma pessoa íntegra, inteligente, é da minha casa, é padrinho das minhas filhas… Mas eu não votei no segundo turno no meu caro amigo Esperidião Amin, porque exatamente ele se vinculou àquilo. É uma questão de coerência pessoal. Como eu falei, o PC, o partido da minha consciência. Muitas vezes erro, algumas vezes acerto.

DIARINHO – As diferenças ideológicas entre direita e esquerda acabaram?

Amílcar Gazaniga – Eu acho que não tem mais direita e esquerda. Eu acho que tem uma grande mistura que ninguém mais sabe o que é. Isso é uma grande demagogia. Eu posso não concordar com isso, mas eu não posso dizer, por exemplo, que o PSOL não é um partido doutrinário. É! O partido Verde é um partido que, na sua essência, é doutrinário. Mas isso não significa direita ou esquerda. Nós temos posturas doutrinárias de coerência. O partido verde é um partido que tem as suas bandeiras de preservação ambiental. [Como é que o senhor vê, por exemplo, hoje o PMDB fazendo aqui parte da base aliada do PT?] É difícil de ser assimilado, mas é fácil de ser prognosticado. Porque em nível local, em nível de província aqui, ninguém tinha a menor dúvida depois daquilo que eu li através do próprio jornal de vocês, o DIARINHO, e daquilo que eu vi através do Youtube [Saite gratuito de vídeos]. A explanação dos conceitos pessoais que o ex-prefeito Volnei Morastoni fazia da sua então vice-prefeita, Eliane Rebelo [PMDB]. Não podia se imaginar que essa ala política do PMDB fosse ficar a favor do prefeito Volnei Morastoni. Era muito mais fácil se aproximar do prefeito Jandir Bellini. Quer dizer, é diferente de alas que tinham posições partidárias bastante conflitantes, por exemplo: Amílcar Gazaniga e o ex-prefeito Arnaldo Schmidt. Nós temos posições conflitantes, difícil de entender uma composição dessas, mas poderia. Agora uma composição política dirigida pelo Baga, a Eliane e o Jandir é fácil, porque eles têm uma convivência até política. [Quando o senhor era prefeito, o senhor tinha a maioria na câmara?] Tinha a maioria na câmara. [Então governava com tranquilidade. Agora, o João Martins deu uma declaração dizendo que um governo sério não precisaria ter a maioria na câmara. O que o senhor acha disso?] Olha, eu concordo. Se todos os governos tivessem que obrigatoriamente deter a maioria na câmara, nós teríamos que mudar a legislação, voltar ao regime parlamentarista, que eu acho o mais correto. Onde primeiro se faz a composição política, que é na câmara, para depois se eleger aquele que representa aquela composição executiva. O grande problema do Brasil é que nós temos uma Constituição que foi feita com fins eminentemente parlamentaristas e depois se transformou em uma presidencialista. E hoje os procedimentos políticos são invertidos. Primeiro se elege o executivo, depois se compõe a base de sustentação, onde deveria ser ao contrário, se é pra ser assim. Primeiro se elege os parlamentares que constituem uma base, dali se tira alguém, que vai ser o primeiro ministro ou o primeiro mandatário. Ele, perdendo o voto de confiança, ele é destituído e colocado outro. Eu acho que a ordem dos fatores está alterando muito o produto e aí dá a impressão de negociata, de negociação, de cambalacho, que o eleitor não vê com bons olhos.

DIARINHO ? Falando em cambalacho, em negociação, o vice-governador Leonel Pavan está sendo acusado de corrupção passiva. Até onde o senhor bota a mão no fogo por Pavan?

Amílcar Gazaniga – Eu aprendi na minha vida que eu não boto a mão no fogo por mais ninguém. Nem por mim, nem por mais ninguém. Nós somos serem humanos e nós somos passíveis de errar, todos nós. O que eu acho é que tem que ser dado o direito de ampla defesa e que a justiça tem que ser feita independentemente de quem é que seja. Ao vice-governador Leonel Pavan, ao Amin, ao prefeito, ao presidente da República. Tem que ter o mesmo critério de comportamento. Nós não podemos é exigir, volto a dizer, hipocrisias. Para sair um pouco da província, eu acho que o vice-governador tem que ser responsabilizado integralmente pelos seus atos. Se ele for inocente, tem que haver uma manifestação pública de agravo à sua pessoa e pelos danos do pré-julgamento. Se ele for culpado, tem que pagar como qualquer cidadão comum pelos seus erros. Eu prefiro aguardar a posição da justiça. Agora, nós temos que modificar muita coisa no nosso país. Eu vejo hoje vários segmentos indo às ruas de Brasília com faixas, cartazes, impedimento, impeachment, invadindo plenário… Tudo bem. E os outros, que fizeram a mesma coisa? E num mesmo momento aquela que pode vir a ser candidata a presidente da República está fazendo um jantar em São Paulo homenageando o José Genuino, o José Dirceu, que queiram ou não queiram, são do mesmo mensalão. [Então o senhor diz que agora se nivelou, não tem mais discurso?] Não, ninguém tem, nem PSDB, está tudo nivelado. E ,infelizmente, isso é muito ruim. Eu quero repetir, ruim para a democracia. Porque nem todos os políticos são ruins e nem todos os partidos têm o seu lado negativo. Hoje, pela falta de julgamento rápido, pela falta de punição exemplar, e porque muitas vezes só se vê a forma na justiça brasileira, não o conteúdo. Eu vou voltar ao caso de Itajaí. Nós tivemos aqui aquela operação que envolveu a antiga administração do Porto [Operação Influenza]. O que aconteceu? Ali foi julgado só a forma, o conteúdo nem se quer foi julgado. Ninguém tava preocupado se ali houve realmente desvio ou não, se aquilo aconteceu, se a voz era a da pessoa, se a imagem era a da pessoa. O que se discutiu? Se o juiz podia ou não podia ter dado autorização para aquela gravação. No Brasil o que vale é o que parece ser: parecer ser honesto, parecer ser fiel. O ser está de lado. Nós temos que mudar toda a estrutura do poder judiciário, nós não podemos achar que vai haver mudança e, infelizmente, nós vamos verificar que a população vai continuar desacreditando na política e nos políticos. E nivelando por baixo. Por que isso é que nem aviação, as coisas boas são difíceis de serem divulgadas, as ruins são rápidas. Quantos milhões voam e a gente não divulga? E, infelizmente, com isso quem perde é a democracia, porque vai haver um afastamento, os maus vão ocupando, a impunidade prevalece e nós temos esses caos na política brasileira. Eu acho que em termos de Política, com P maiúsculo, nós vivemos em um estado caótico no Brasil. Em diversos momentos nós temos rapidamente o bandido se transformando em herói e o herói se transformando em bandido. Então isso é ruim.

DIARINHO – A saída de Saul Airoso, diretor de integração do porto, da presidência do sindicato da Estiva, deve dificultar a relação entre administração do porto e trabalhadores?

Amílcar Gazaniga – Eu não vejo dessA maneira. O Saul, segundo o compromisso que o prefeito havia assumido, foi indicado pela intersindical dos Trabalhadores Avulsos. São vários sindicatos. Ele foi indicado por unanimidade. É óbvio que se a Intersindical vier A solicitar a saída dele, fica uma situação politicamente difícil ou mais difícil de o prefeito administrar. Com relação à não-eleição do Saul, eu acho que é um processo natural. Primeiro, ele já estava há mais de 15 anos no poder. Segundo, quem se elegeu não foi nenhum adversário, foi o secretário dele. Terceiro, a eleição no sindicato dos Estivadores decidiu-se por oito votantes. Foram 17 votos. Se oito votassem lá e não votassem aqui, a eleição estava empatada. O que deve se fazer é pedir que ele seja efetivamente o representante da classe trabalhadora, que ele continue da mesma maneira sendo um defensor ardoroso dessa causa e que o sindicato dos Estivadores, passada a eleição, saiba que o novo presidente é o Charles e que através dele continue a história num clima de diálogo, de negociação. O que não pode é partir para a radicalização, retaliação e politização da lide sindical, que eu acho isso um desastre, quer seja o sindicato dos estivadores ou qualquer outro.

DIARINHO – Onde termina a parceria entre os portos de Itajaí e o de Navegantes e onde começa a concorrência?

Amílcar Gazaniga – Nunca haverá concorrência entre eles e a ligação é umbilical. É impossível hoje nós discutirmos aqui o porto de Navegantes, ali o porto de Itajaí. É uma incoerência estarmos preocupados com Navegantes. Há 10 anos nós temos, não em Navegantes mas aqui do lado do nosso porto, dividido por um molhezinho, o terminal portuário da Braskarne e nunca houve nenhum tipo de conflito no porto que chama público e o terminal. Hoje nós temos outros terminais do lado de Itajaí: o terminal da Dalquímica, o terminal do Teporti, outros terminais que estão sendo construídos. Eu posso afirmar aos senhores: se nós não tivéssemos nesse período o porto de Navegantes operando, as consequências para a economia da nossa cidade seriam catastróficas. [Por quê?] Porque a infraestrutura retroportuária, que é o que alimenta efetivamente o porto, teria simplesmente acabado. Os frigoríficos todos, os terminais de contêineres todos, o terminal retroportuário. Porque a grande dificuldade é trazer o navio de volta para cá. Enquanto o navio está entrando, se a carga está carregada pelo lado de cá ou pelo lado de lá…. Quem vai ganhar um pouco mais, se vai pro lado de Navegantes? O trabalhador de Navegantes, mas o comércio de Itajaí se beneficia, o despachante de Itajaí se beneficia, o motorista do caminhão de Itajaí se beneficia. Se vocês pegarem as famílias dos portuários de Itajaí, da Estiva especificamente, vocês vão ver que um enorme número de estivadores mora hoje naquilo que foi a Itajaí de ontem, que é Navegantes. E eles também deixariam de ganhar, então eu acho que o conceito é equivocado. Ele [porto] nunca deveria ter se separado. Vou dar um exemplo: a gente fala em porto de Santos, não é? Vou agora plagiar aqui o Superintendente [Antônio Ayres dos Santos, superintendente do porto de Itajaí]… A maioria dos terminais de Santos não é em Santos, mas no Guarujá, é tudo do outro lado. O complexo é de Santos. Então agora, com o incêndio que houve com o Portonave, o que seria do Portonave se não tivesse o complexo portuário de Itajaí? Teria perdido toda a carga, os navios. E aí iriam para outros portos. Indo para outros portos, a logística muda e, mudando a logística, toda a economia sucumbe. Eu vejo Itajaí como o grande centro de logística do sul do país, exatamente porque é o único porto que vai ter essa disponibilidade de seis berços para navios conteineiros, além de navio de passageiro, de carga frigorificada e de navio de cabotagem. Nós devemos é torcer para que rapidamente a aquavia – se é que eu posso chamar assim -, essa via aquaviária, ela vá pra nove metros e meio, como é o comprometimento do governo estadual. Até lá, no antigo terminal da Dalquímica o mais rápido possível, para que outros terminais venham a ser instalados à margem do rio Itajaí-Açu.

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DIARINHO – Como superintendente do porto, em 2001, o senhor autorizou o Teconvi a entrar em operação mesmo sem a contração dos seguros, conforme era exigido no contrato de arrendamento. Está expresso que sem o seguro não poderiam começar as operações. Qual a razão do senhor descumprir o contrato? Não tem medo que seja responsabilizado por isso?

Amílcar Gazaniga – Não, eu tomei conhecimento agora. O Fernando Alécio [colunista do DIARINHO] tem me ligado. Tem uma cláusula contratual. Olha bem, depois de mim passou por ali o Ênio Casemiro, o Antônio Ayres, o Décio Lima, o Wilson Rebelo, o Arnaldo Schmidt, depois no meio tempo também teve o Gaspar Laus. O que ocorreu? É que, na realidade, a exigência era pra dizer assim… Se tu disseres que não foi cumprida a cláusula contratual, eu concordo contigo. Mas por que não foi levado isso a tempo? Porque o Teconvi não operou no berço 1, ele operou sempre no berço 4 por problemas de operação. O berço 1 nunca foi operado pra carga geral. E o contrato obrigava ao Teconvi, a ele ou a seguradora, a se responsabilizar pelo berço 1 naquele estágio. Ele [o cais do berço 1] só tinha estacas lá quase que afloradas. Ele não podia operar daquele modo. Esse era o problema do seguro. Eles não operavam ali. Eles operavam no berço 4. Tanto é verdadeiro que a responsabilidade tem que ser deles. Agora, na reconstrução, o que vai acontecer? Isso já estava determinado. Aquele berço então chamado antigo berço 1 vai ser refeito. Mas vai ser refeito como um modelo de automóvel 2010, correto? O que que o Teconvi tem que pagar ali? Aquilo que ele é responsável por não ter o seguro daquilo que caiu, que é um modelo 1950, que era o berço nos moldes que estava lá. O valor do berço 1 era muito insignificante se comparado com o valor do futuro berço 1. Mas como não tinha seguro é o Teconvi que vai pagar. Vai ter que pagar. [Mas a cláusula 35 do contrato não exigia que o seguro fosse em qualquer área que o Teconvi operava?] Não, especificamente o berço 1. [Era só o berço 1?] Acho, eu não quero precisar, porque ele ia operar no berço 1 e no berço 3. Por que se exigiu a cláusula que ele só podia operar? Porque a gente sabia que ele não aguentava. O que eu quero afirmar a vocês é que não houve nenhum prejuízo ao porto, nem aos cofres públicos, porque ele, Teconvi, vai ter que pagar aquilo que valia o berço 1 na época, que era aquilo que a seguradora teria que bancar caso tivesse caído o berço 1.

DIARINHO – Hoje o senhor aprovaria uma troca de secretários?

Amílcar Gazaniga – Eu não faria isso por uma questão ética e aí eu estaria me excluindo na administração [risos]. [Mas o senhor acha que é necessário ter uma reforma?] Eu acho que o prefeito já disse que a reforma era necessária. [Falando como cidadão, vendo o atual quadro e o ano que passou?] Eu acho que sim. O governo do prefeito Jandir Belini tem algumas áreas, que são muito evidenciadas, que não acompanham o ritmo de outras. Fica muito evidente, tanto é que o próprio prefeito viu isso. Ele só tá dando mais uma chance, senão ele não teria externado essa posição. [Secretários do PP ou de outros partidos?] Eu acho que o administrador público peca se ele fizer qualquer reforma vinculada à sigla partidária. Tem que fazer em função de desempenho, e em função daquilo que a cidade precisa. Obviamente que vai ter que tentar adequar à realidade política, mas ela não tem que ser prevalente.

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Uma Resposta to “Amílcar Gazaniga: Político de carteirinha”

  1. jorgebittencourt Diz:

    Todo reacionário tem a mesma linguagem. O problema é ideológico. questão de familia. como político, está superado
    Lisbo Rio

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