• Postado por Tiago

Sabichões dizem que vai ficar mais caro abastecer o possante

Vá se preparando. A decisão do governo em diminuir o percentual de álcool anidro na gasolina vai ter um efeito colateral no preço deste último combustível. O valor da gasosa deve aumentar em todo o país. Ao menos é o que acreditam economistas e empresários. ?Vai ter um aumento entre um centavo e meio e cinco centavos, dependendo do imposto estadual e da região do país?, prevê Algenor Costa, presidente do sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Litoral de Santa Catarina e Região (Sincombustíveis), que tem base em Itajaí.

A diminuição será de 25% pra 20% na quantidade de álcool misturada na gasolina. A intenção, anuncia o governo, é conter o aumento de preço do álcool hidratado, também usado como combustível no país. Com maior oferta do produto no mercado, a tendência é que haja queda de preços, argumenta o ministro Reinhold Stephanes, da Agricultora. A medida vai valer a partir de 1º de fevereiro.

Em entrevista à agência de notícias do governo, Reinhold disse não acreditar em aumento do preço da gasosa.

Teoria diferente da prática

Na prática, a decisão do governo tá trazendo efeitos colaterais que sobram pro bolso do consumidor. ?Hoje (ontem), já recebi álcool da distribuidora com mais cinco por centro de aumento?, informa o empresário Algenor Costa.

Como a medida somente vai valer daqui duas semanas, as distribuidoras de combustíveis aproveitam pra aumentar o preço do produto nesse período.

O chefão do Sincombustíveis não acredita na redução do preço do álcool. ?Recuar ele não vai. Eu duvido muito. Mas a decisão vai sim evitar novos aumentos a partir de fevereiro, porque daí os reajustes não serão mais justificados?, argumenta.

O outro resultado ruim para o consumidor será no preço da gasosa. ?Aqui em Santa Catarina pode chegar cinco centavos e já a partir de fevereiro?, aposta Algenor.

No mês que vem, acreditam os sabichões

O economista André Braz, da fundação Getúlio Vargas (FGV), calcula que o consumidor pagará a gasolina 2% mais cara já a partir de fevereiro. Ele explica que o álcool é um combustível mais barato e, ao ser misturado na gasolina, deixa ela também mais em conta. Quando a mistura de álcool diminuir, a gasolina vendida nos postos tende a aumentar de preço, já que seu custo passa a ser maior.

Pro pesquisador Maurício Canêdo, também da FGV, o aumento de preço da gasolina é uma questão de tempo. ?O suficiente para a renovação dos estoques no varejo?, avalia.

Consumidor botou fé na medida

O motorista profissional Mozart de Toledo Serpa, 46 anos, de Balneário Camboriú, botou fé na medida do governo. No seu Peugeot particular, ano 2002, Mozart gasta algo em torno de R$ 100 por semana de gasolina e disse não esperar aumento no preço do combustível. ?Eu acho que não haverá reajuste, pois somos autossuficientes em petróleo no Brasil?, avalia. Mozart também acredita que o preço do álcool vai diminuir.

A preocupação do motorista vai muito além do bolso. Sua atenção é com o meio ambiente. ?O problema maior é a poluição?, diz, lembrando que a gasosa polui o ar muito mais que o suco de cana.

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