• Postado por Tiago

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Malabarista do fogo: AN não poderá mais entreter motoras nos semáforos

Malabaristas, vendedores, distribuidores de panfletos, flanelinhas e lavadores de vidros são o novo alvo da fiscalização da secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano da capital. Há pelo menos 10 dias que esta turma que tira o sustento nas dezenas de semáforos espalhados pela cidade, principalmente na avenida Beira Mar, não têm sossego. Fiscais caçam um a um pra saber quem são, se têm autorização pra trabalhar nas ruas e, principalmente, para descobrir o que essa turma faz da vida e ver se tem emprego fixo ou normal como a maioria das pessoas. ?O que eles estão fazendo é uma forma de repressão à arte popular. No Brasil já não é tão difundido este tipo de arte e em Florianópolis então não há incentivo algum?, avalia Curinga, gaúcho que há sete anos roda as principais cidades do país fazendo malabarismos nos sinaleiros.

Fábio Basso vive de entreter as pessoas há 20 anos. Garante que a medida da prefa é arbitrária e ilegal. ?Há uma lei federal que permite ao artista a expressão de sua arte em qualquer logradouro público. Não faço nada de errado?, garante.

O artista AN, que atrai olhares durante suas apresentações noturnas no trevo do terminal Rita Maria, também não gostou da medida da prefa. Ele garante que ainda não foi notificado e jura que apesar de trabalhar com fogo, nunca passou por sua cabeça que a arte pudesse colocar medo em alguém. ?Os artistas não abordam os motoristas. Se gostam da apresentação as pessoas fazem uma colaboração espontânea. Já vi alguns lavadores de vidros, vendedores de balas intimidarem motoristas. Eles batem no vidro, quase ameaçam. É lógico que daí quem olha para o sinal e nos vê aqui acha que somos um bando. Evitamos estar nos mesmos semáforos que eles para evitar transtornos ao nosso trabalho?, comenta ele, que diz faturar em média R$ 70 por dia.

Flores e espinhos

Há seis anos, um homem que prefere não ter o nome identificado vende flores nos semáforos da avenida Beira Mar. Cada arranjo com cinco botões de rosas custa R$ 5. ?E é daqui que tiro o sustento da minha família desde que perdi o emprego. Coincidiu que nesta época minha esposa ficou doente e está entrevada numa cama. Há dias que vendo tudo. Quando chove, perco uma carga inteira do produto?, comenta o vendedor que já foi notificado e procura junto à prefa uma maneira pra regularizar seu trabalho.

Apesar da prefa ter demorado pra tomar uma atitude pra organizar a situação que realmente muitas vezes mete medo nos motoras, não há lei municipal que proíba o pessoal de ir pra rua fazer arte, pedir uns trocados ou vender no sinal. Na câmara de vereadores, que tá em recesso, a informação é que não há nada em tramitação pra resolver o problema. ?Após várias denúncias de intimidação resolvemos ir a campo ver o que estava acontecendo. Nos deparamos com estrangeiros que tomaram as ruas de assalto. A maioria deles é malabarista e sem autorização para trabalhar no Brasil?, alerta o secretário José Carlos Rauen, que acredita que este povo tá é metendo o terror na população.

Quem tá sendo identificado nos sinais tá sendo notificado. Se for pego novamente, vai assinar um termo circunstanciado e de acordo com o secretário Rauen, pode até ser preso por insistir no trabalho ilegal. A secretaria estima que pelo menos 50 artistas trampem nas sinaleiras e também no calçadão da Felipe Schmidt, onde os espetáculos de estátua viva são os mais comuns. Entre vendedores, lavadores de vidro e distribuidores de panfletos há pelo menos mais umas 40 pessoas. A prefa não tem uma oferta de trabalho pra que, após sair das ruas, este povo tenha o que comer ou uns caraminguás pra sobreviver. ?A ideia é, se a situação apertar, voltarmos para São Paulo, onde, apesar de haver muitos artistas na ruas e uma violência sem precedente, não somos tão rejeitados quanto aqui?, conclui AN.

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