• Postado por Tiago

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Pavan assumiria o governo sem se preocupar com processo

O encaminhamento do processo da operação Transparência pra assembléia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) deve fazer com que o caso termine em pizza. Segundo a liderança do PSDB na leleia, os tucanos vão articular com a base governista a negativa de autorização pra que a dona justa abra processo contra o vice-governador Leonel Pavan (PSDB) e os outros seis envolvidos nas mutretas.

De acordo com o líder tucano na casa, Serafim Venzon (PSDB), a assembleia precisa agir com muito juízo, e que abrir um processo deste tipo agora, quando Pavan está prestes a assumir o governo do estado de forma definitiva pode atrapalhar. ?Se nós não autorizarmos a instalação do processo ou ficarmos parados, este processo vai continuar normalmente e o mandato dele vai terminar em 1º de janeiro. Nós não somos contra o julgamento de Pavan. Apenas achamos que não é adequado que ele aconteça agora?, disse Venzon, que reafirmou que não vê elementos suficientes no processo da PF pra incriminar o vice-governador.

O deputado afirma que a opinião não é apenas dele, mas de uma grande parcela do partido, incluindo prefeitos e outros deputados, que já teriam sido consultados por ele. ?Como líder da bancada, esta será minha orientação, e vamos trabalhar para que esta também seja a orientação dos outros partidos dentro da base aliada?, conta.

Venzon acredita que a polialiança, composta pelos partidos da base, deva seguir a mesma linha, com apoio dos outros partidos às candidaturas ao governo do estado. ?Nós temos um acordo, quem estiver melhor nas pesquisas lança o candidato ao governo. Se ele for julgado agora, será um prejuízo para todos nós, para todos do governo?, disse o tucano.

Tríplice mostra indefinição

Enquanto o PSDB parece ter definido o voto contrário à abertura do processo contra Pavan, os outros partidos da base ainda demonstram estar com um pé atrás, mas devem seguir as coordenadas tucanas. O vice-líder da bancada do Democratas, Darci de Mattos, disse que o partido reunirá suas lideranças na noite da próxima terça-feira, que desconhece maiores informações sobre o processo e, por isso, não pode fazer nenhuma afirmação agora. ?Sou simpático a ideia de que tenha que se apurar esta situação, é bom para o próprio Pavan. Ele disse que gostaria de ser julgado. Vamos nos reunir, a decisão será da bancada?, garantiu Darci.

O deputado Antônio Aguiar (PMDB), líder de seu partido na leleia, também disse que não tomou conhecimento da matéria, que ainda não há nada definido, e que não houve nenhuma reunião prévia pra discutir o assunto.

Quanto ao voto atrelado à Tríplice Aliança, Aguiar garante que isto não acontecerá, e que a assembleia é independente dos demais poderes, com maturidade pra julgar os fatos, seja contra o vice, o governador ou qualquer outro. Mesmo assim, o deputado falou que votará junto com a bancada, que deve se reunir na próxima semana pra debater o assunto.

Nanicos não se decidiram

Os outros partidos da polialiança ainda não marcaram uma posição sobre o caso, e parecem aguardar instruções dos três cabeças do governo. O PRB, que conta apenas com a deputada Odete de Jesus, disse que precisa analisar o caso com calma, mas confirma que deve seguir o voto da base aliada. O PPS também conta apenas com uma cadeira, agora preenchida por Derli Rodrigues. O deputado afirma que o partido ainda não tem nenhuma orientação sobre o tema, e que deve-se ler os papélis todos, já que o assunto é delicado. ?As versões são muito contraditórias, divergem, temos que analisar tudo?, afirma.

A redação do DIARINHO tentou entrar em contato com os outros líderes de partidos na leleia, Narcizo Parizotto (PTB) e Dagomar Carneiro (PDT), mas os caras não atenderam o telefone e não retornaram as ligações.

Entenda o rolo

A operação Transparência começou em janeiro de 2009, pela polícia Federal (PF), e investigava denúncias de sonegação de impostos em empresas do ramo dos combustíveis. No meio do caminho, os tiras teriam descoberto um esquema pra beneficiar uma empresa, a Arrows Combustíveis do Brasil, e que envolvia funcionários da secretaria Estadual da Fazenda, funcionários públicos e o vice-governador do estado, Leonel Pavan. O inquérito da PF foi encaminhado pro Ministério Público, que transformou a bagaça numa denúncia ao Tribunal de Justiça. Agora, o TJ remeteu o processo pra Alesc, que decide pela continuação ou não do processo. Se julgados, os envolvidos terão de responder por uma montoeira de crimes, como corrupção ativa e passiva e advocacia administrativa.

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