• Postado por Tiago

O balconista Clóvis Aviz, 33 anos, passa sufoco cada vez que receitas médicas do sistema Único de Saúde (SUS) aparecem na farmácia onde trabalha, nos Cordeiros, em Itajaí. De 10 folhinhas, pelo menos em sete delas tem dificuldade de decifrar o que tá escrito. Nesta semana recebeu uma em que era impossível identificar o nome de um remédio.

Era de noite quando um cliente chegou à farmácia. Trazia a receita cheia de garranchos. Um dos medicamentos Clóvis até conseguiu identificar. Um outro, só descobriu que começava com a sílaba “ce”. A dúvida é se era o antibiótico Cefalexina ou o antiinflamatório Cetoprofeno. Como o outro medicamento na receita era o antiinflamatório Diclofenaco, Clóvis chuta que o médico receitou a Cefalexina. Mesmo assim, na dúvida, resolveu não arriscar. “Eu prefiro não vender, mas nem todas as farmácias têm este cuidado”, observa.

Clóvis diz que as receitas indecifráveis geralmente são de clínicos gerais de postos de saúde. Quando recebe uma, o jeito é ligar pro postinho e tirar a dúvida com a secretária ou direto com o médico. Na noite em que o cliente apareceu com o receituário cheio de garranchos, ninguém atendeu no posto de saúde. O paciente voltou pra casa sem o medicamento. Ele cedeu a receita, mas não autorizou a divulgação de seu nome e do médico.

Com 16 anos de experiência no balcão de farmácias, Clóvis conta que uma vez chegou a brigar por telefone com um médico que teimava em escrever garranchos. Mesmo assim, o reclamo não adiantou.

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