• Postado por Tiago

Trastes como o dimenor Craca (foto) ajudam a puxar para cima a estatatística de prisões

Balneário Camboriú é dona de um recorde que não é pra deixar ninguém orgulhoso. Em toda a Santa & Bela, a Maravilha do Atlântico só perde pra capital manezinha quando o assunto é o número de dimenores guentados. A juíza da vara da infância, Sônia Moroso, reconhece que a estatística é de arrepiar. Ela diz que sobram soluções pro problema no papel, mas falta colocar as medidas em prática pra resolver a situação.

Todo mês, pelo menos três dimenores são grampeados pela polícia e levados pra algum dos centros de internamento espalhados pelo estado. ?Só recebem medida socioeducativa os que são considerados de alguma periculosidade. Mas o número de adolescentes encaminhados à delegacia pela polícia é muito maior?, explica a dotôra.

Balneário mantém, em média, 25 a 30 aborrescentes envolvidos até o pescoço com o mundo do crime atrás dos muros dos internatos. A maior parte deles entrou na bandidagem por causa do tráfico e de outros crimes relacionados ao comércio de porcarias, como assaltos, furtos e até assassinatos.

Outros 80 minitrastes cumprem pena em regime aberto, e têm seus passos acompanhados pela dona justa. Pra completar, hoje há 50 mandados de detenção e apresentação de dimenores em aberto na city. ?Isso não significa que todos esses receberão medida socioeducativa, alguns podem ser liberados?, diz a magistrada.

Cadê a prevenção?

Dotôra Sônia admite que o número de aborrescentes metidos com o que não deve passou dos limites. ?É grande, principalmente se pensarmos que Balneário Camboriú não chega a ter uma população fixa de 100 mil habitantes, de acordo com o IBGE?, comenta.

Escolada no assunto, a juíza diz que faltam políticas públicas que deem opções de vida mais interessantes pro jovem do que a ilusão plantada pelo mundo do crime. ?A política de prevenção para os adolescentes não existe. Temos alguns programas auxiliados pelo conselho municipal de direitos e pelo município, mas são insuficientes?, afirma.

Pra começar, a dotôra segue a linha de que cabeça vazia é oficina do capeta e acha que é preciso botar a petizada em algum tipo de atividade. ?Os adolescentes são ociosos. Faltam praças, parques, atividades esportivas, e eles não podem trabalhar, a não ser que seja como menor aprendiz. Mas podemos contar nos dedos as empresas que aderiram a esse programa?, aponta Sônia.

A magistrada diz ainda que é preciso apostar em programas que reforcem os vínculos familiares e abrir o zóio pra infestação das drogas entre os jovens. ?É preciso tratar o adolescente dependente químico, tanto na internação quanto na fase ambulatorial, e reestruturar as famílias?, diz.

De um sistema falido pro outro

Questionada se a redução da maioridade penal não ajudaria a frear o avanço da criminalidade entre os aborrescentes, a resposta da dotôra é não. ?Vamos simplesmente migrá-los pro sistema carcerário do adulto, que é falido?, carca. Ela acha que o sistema de punição previsto em lei pros dimenores funcionaria, o problema é que não é colocado em prática. ?Balneário, por exemplo, sequer tem um centro de internamento para menores. Como vamos avaliar um sistema que não executamos??, lasca a juíza.

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