• Postado por Tiago

Polícia foi chamada pra resolver o perrengue

Os barnabés da secretaria de Habitação foram ontem à tarde na Vila da Miséria, em Cordeiros, pra derrubar uma cerca de madeira de 44 metros, colocada em área pública, e tomaram um sufoco do povão da região. Eles tiveram que chamar os homi pra poder fazer o trabalho. Depois de muito conversê e da chegada de duas baratinhas da polícia Militar, o pintor concordou com a retirada, mas mesmo assim a vizinhança continuou cabreira. Um dos vizinhos se encrencou com a polícia, entrou em uma das casas, pulou a cerca e fugiu pelos fundos.

Charles Alberto Costa, gerente da secretaria de Habitação, disse que tiveram que chamar a polícia porque estava difícil fazer o trampo. ?Foi pedido amigavelmente, mas sofremos até ameaças. Tivemos que derrubar a cerca com forças maiores?, conta.

O pintor Carlos Sthiler, 42 anos, recebeu a intimação da secretaria de Habitação no dia 12 de dezembro do ano passado e deveria retirar a cerca em oito dias. Ele disse que não ia construir nada no terreno, apenas fez a cerca pra proteger as árvores dos cavalos que insistem em comer as verdinhas que ele plantou. ?Eu não ia construir nada aqui. Plantei essas árvores e resolvi proteger elas dos cavalos que estão sempre aqui, cagando e tentando comer as plantas?, garante Sthiler.

Pelo processo normal, a cerca deveria ser confiscada pela fiscalização e levada pro depósito. Mas o morador ganhou um arrego depois de falar que tinha a nota fiscal das 70 escoras de seis metros que comprou. ?Se vocês levarem, vou dar queixa de roubo?, ameaçou o pintor. Segundo Charles, o material foi deixado no local pra evitar que o pintor pagasse um frete pra pegar de volta as madeiras.

Bafão

Os vizinhos do pintor não concordaram com a ação da secretaria de Habitação e a discussão pegou fogo. Primeiro a bronca era com os barnabés da Habitação. Eles reclamavam que em vez de arrumar a bomba da estação de esgoto, que quando para de funcionar alaga a rua e solta uma catinga horrível, eles foram destruir a cerca que protegia as novas árvores do bairro.

Depois, a revolta do povão foi com a polícia, chamada pra conter os ânimos da galera. Um dos vizinhos disse alguma coisa que um policial não gostou e, quando foi receber voz de prisão, entrou numa casa, fechou o portão e fugiu pelos fundos. Os homi arrombaram o portão de ferro com um pezaço, mas não conseguiram alcançar o fujão.

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