• Postado por Tiago

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Geovane Pivatto aproveita os momentos com o filho depois do sequestro

O rosto cansado demonstrava que a noite anterior não tinha sido bem dormida. Mas nem a falta de sono tirou a alegria de Benta Pivatto, 44 anos, ao ficar ao lado da família de novo. Na terça-feira, no mesmo horário que ontem dava entrevista ao DIARINHO, ela não sabia o que seria do seu destino e do filho Igor, de apenas três anos. Mãe e filho foram sequestrados na segunda-feira e passaram 32 horas em poder dos bandidos. Foram libertados na terça-feira à noite e ontem de manhã chegaram ao aeroporto de Navegantes, onde eram esperados por parentes e amigos. Ontem, às 16h, ela relembrava o perrengue que passou no cativeiro.

No hotel Mirante do Bosque, onde foi montado o quartel general da polícia civil na Penha, Benta contou que embora não tenha sofrido agressões, as horas em poder dos assaltantes foram terríveis. Pra não apavorar o filho, Benta chorava baixinho ou engolia o choro pra não assustá-lo. ?Tive muito apego a Deus. Pedi pro Divino Espírito Santo que nunca me faltasse força?, desabafa.

O drama da família Pivatto começou por volta das 16h de segunda-feira, dentro de um hotel da rua Eugênio Krause, no centro da city. Três bandidos de cara limpa, um deles armado, renderam o recepcionista e entraram no quarto da família pedindo dinheiro. Benta conta que eles não tinham muita grana e os bandidos ameaçaram levar Igor. A mãe desesperada disse que ia junto.

?Eles perguntaram meu nome. Falei que se eles achavam que nós tínhamos posses, tinham pegado a pessoa errada?, conta Benta, que é professora e casada com o gerente do estaleiro Eisa. Os sequestradores a mandaram arrumar uma mala, pois a viagem ia ser longa. Enquanto o marido ficou no hotel com um bandido, ela foi levada pra um carro, onde recebeu a ordem: olhar pra baixo o tempo todo.

Ainda no litoral catarinense, os safados trocaram de carro e seguiram viagem. Em cada pedágio, se revezavam entre os carros. ?Caso a polícia passasse, era pra eu dizer que era tia deles. Falavam o tempo todo em código e me chamavam de mercadoria?, diz Benta. Depois de muitas curvas, Igor vomitou no carro. Pra animar a criança, os bandidos compraram um chocolate.

Mesmo desesperada, Benta não chorava pra não assustar o filho. Ela só pôde chorar pra valer quando chegou ao primeiro cativeiro. Por volta da 1h da manhã de terça-feira, ela e Igor foram colocados num quarto de crianças, com duas camas e vários brinquedos. Como o filho já tava dormindo, ela desabou em lágrimas.

A porta do quarto do cativeiro estava encostada e Benta conseguiu ver os bandidos cheirando cocaína na sala. Duas horas depois de chegarem no primeiro cativeiro, os bandidos os colocaram novamente dentro do carro e seguiram pro segundo esconderijo. Um estábulo onde havia dois colchões. De lá, eles foram levados pra um quarto na casa principal.

A mulher que atendeu mãe e filho afirmava que não deixaria o restante do grupo fazer mal a eles. A senhora era a única integrante da quadrilha que mostrava o rosto, o restante estava encapuzado.

Neste segundo cativeiro, os assaltantes começaram as negociações com Geovane Pivatto, 45, marido de Benta. Foram feitas cinco ligações telefônicas e em todas elas, os bandidos deixaram a vítima pra conversar com Geovane. O pedido foi feito pelo marido, pra ter certeza que mãe e filho tavam bem. Nas ligações, ela tentava acalmar o marido. Ela o orientava a não chamar a polícia, já que essa era uma exigência dos sequestradores.

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