• Postado por Tiago

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A sede vai funcionar no atual prédio da Perdigão, no bairro Fazenda

O DIARINHO ouviu representantes de vários setores da economia local para avaliar o tamanho do impacto da decisão da Brasil Foods em ter sua sede administrativa em Itajaí. A reação foi unânime: a gigante, formada pela fusão da Sadia com a Perdigão, vai mexer com o mercado itajaiense.

A Br Foods está entre as 10 maiores empresas do mundo e passa a ser a maior empregadora do Brasil, com 116 mil funcionários.

Aumento nas exportações

Robert Grantham, diretor comercial do porto de Itajaí, acredita que haverá aumento nos números da exportação de produtos congelados. No primeito trimestre deste ano, as duas juntas venderam pros gringos algo em torno de 520 mil toneladas. Todas as demais empresas brasileiras do setor, juntas, exportaram 400 mil toneladas no mesmo período.

A maioria das exportações da Perdigão rola por Itajaí, enquanto a Sadia exporta mais pelo porto de Paranaguá. ?Mas a gente sabe que é a Perdigão que vai dar as cartas?, diz Grantham, esperando que parte das exportações da Sadia migre para o porto peixeiro.

Mais emprego

Osvaldo Mafra, presidente do sindicato dos trabalhadores na indústria da alimentação, não tem dúvida: vão abrir novos postos de trabalho. ?Para o movimento sindical, com certeza, é muito bom?, diz, referindo-se ao aumento no número de trabalhadores na categoria. Hoje, a Perdigão emprega, em Itajaí, 820 pessoas, informa Mafra. A Sadia tem cerca de 30 funcionários.

Mãos de vaca

O empresário José Moisés Andrade, presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação da Região de Itajaí (Siamfri), concorda com o sindicalista que a sede da BR Foods na cidade abrirá mais postos de trabalho. ?Dizem que vai a dois mil?, afirma. Para Moisés, o comércio será o setor que mais sentirá o impacto positivo: ?Eles vão receber aqui, gastar aqui. Pra quem tem comércio será ótimo?.

Mas nem tudo são flores na análise do presidente da Siamfri. Moisés reclama que a Perdigão e a Sadia não se associam ao sindicato patronal local, que é quem negocia com o sindicato dos trabalhadores o salário da categoria. O empresário já teria procurado a direção das duas empresas solicitando que se associem à entidade e paguem suas contribuições.

Vários setores deverão sentir o impacto

Marco Aurélio Seára Júnior, presidente da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), acredita que a expansão do mercado imobiliário será um dos primeiros sinais de aquecimento da economia local com a instalação da sede da nova empresa em Itajaí.

Para o chefão da ACII, outros setores também serão afetados. ?Os empresários de Itajaí e região alimentam muitas expectativas em relação ao incremento nos setores do comércio, serviços, transportes, ensino superior e, principalmente, portuário, com um aumento significativo na movimentação de cargas?, disse.

Influência no mercado imobiliário

Diego Rauber, diretor administrativo da Max Imóveis, reforça a análise do presidente da ACII. ?Com a transferência de funcionários da empresa para Itajaí haverá, no curto prazo, o aquecimento no mercado de locação residencial, seguido pelo aumento de demanda de compra de imóveis?, analisa.

Ele também acredita numa bombada nas locações dos imóveis comerciais. Para Diego, o esperado aumento na movimentação de cargas pelo porto vai aquecer o mercado de armazanagem e transportes que, por sua vez, irá refletir num aumento da procura por terrenos e galpões destinados à estocagem.

Aumento da arrecadação de impostos, geração de empregos diretos e indiretos, e abertura de empresas prestadoras de serviços também são citados pelo diretor da Max como resultados esperados para a economia local, com a instalação da sede da grandona Br Foods em terra peixeiras. ?É um importante acontecimento para a recuperação da economia de Itajaí, fortemente afetada pelas cheias?, avalia Diego.

A confusão da fusão

Na terça-feira desta semana, a Sadia e a Perdigão anunciaram oficialmente que se casaram de vez. A fusão, como é chamado esse casamento, precisa ainda ser aprovada por órgãos do governo que fiscalizam e controlam a concorrência empresarial. Entre eles está a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça.

Os números que tornam a BR Foods uma gigante

A importância do casamento da Sadia e da Perdigão é tão grande, que até a bolsa de valores brasileira registrou alta, na segunda-feira, por conta do otimismo surgido com a notícia da fusão das duas gigantes. Dá uma olhada nos números da empresa, pra ter ideia do tamanho do bicho:

A empresa começa com uma receita líquida, limpinha, de R$ 22 bilhões

Será a maior empregadora do Brasil, com 116 mil trabalhadores

Tem fábricas em 10 estados brasileiros, além da Holanda, Rússia, Inglaterra e Romênia

Tem escritórios comerciais em 17 países, além do Brasil

A Sadia e a Perdigão têm mais de 63 mil acionistas do mundo todo

São mais de 19 mil produtores rurais integrados às duas empresas

Só no Brasil, as duas têm mais de 150 mil clientes

R$ 2,2 bilhões é o que a Perdigão e a Sadia geram de impostos anuais

Suas fábricas conseguem abater 1,7 bilhão de aves, 10 milhões de suínos e 400 mil cabeças de gado por ano

Em 2008, foram processados dois milhões de toneladas de produtos congelados

No primeiro trimestre deste ano, exportaram 520 mil toneladas de produtos. Isso representa 60% de todos os congelados vendidos

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