• Postado por Tiago

Quem acompanha os jogos não tem nem ideia do trabalhão que dá pra deixar tudo no jeito

Textos: Marcelo Roggia

O torcedor que foi até Balneário Camboriú acompanhar de perto o circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia ? como é chamado o campeonato nacional ?, muitas vezes não tem ideia do trabalho que dá organizar uma etapa da competição, considerada a melhor e mais disputada do mundo. Os jogos da etapa catarina rolaram de quinta a domingo, numa baita arena montada na barra sul, reunindo atletas locais, nacionais e até medalhistas olímpicos nas areias da Maravilha do Atlântico.

Mas quem viu tudo bonitinho e funcionando perfeitamente por lá, não deve ter a noção do número de pessoas envolvidas nos bastidores e da trabalheira que dá pra que nada saia errado. Márcio Toscano é o coordenador operacional de todas as etapas do circuito nacional. É ele quem dá as ordens pra que nenhuma cagada aconteça. Sempre com seu radinho na mão, pra se comunicar com a galera que rala fora das quadras, e andando de um lado pro outro pra dar jeito nos perrengues que aparecem, ele compara o funcionamento da arena ? que tem capacidade pra 2700 pessoas ? com o de uma city. ?Chamam de arena, mas pra mim isso aqui é uma cidade, a ?cidade do vôlei?. Meu trabalho é não deixar isso parar. Tenho que ver água, luz, comida, bar, restaurante, fazer pagamentos. Enfim, fazer isso rodar, até porque temos aqui atletas de ponta e um público pra acompanhar, e nada pode sair errado?, destaca.

Márcio conta que cerca de 50 pessoas trabalham na montagem de toda a estrutura, processo que pode durar até 10 dias. Depois de tudo pronto, são mais 110 funcionários e colaboradores na parte operacional. Se somarmos aos 208 atletas que participaram da etapa de Balneário Camboriú ? 124 no masculino e 84 no feminino ? e mais as cerca de três mil pessoas que passaram pela arena nos quatro dias de competições, chegamos a quase 3400 pessoas, o que faz sim da competição e de sua estrutura uma ?cidade do vôlei?.

Difícil até pra ver a família

Márcio está há 10 anos trabalhando pra confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e há três na coordenação operacional do circuito de vôlei de praia. Ele, que começou como animador de torcida, colocando o hino nacional, foi ganhando a confiança dos chefões pra chegar até aí. Mas o aumento da responsabilidade também tem seus contras. Casado e pai de um filho, Márcio deve ficar até o início de maio sem ver direito sua família, período em que terá que controlar a realização de seis etapas do circuito nacional e mais uma do mundial, que vai rolar no Brasil. ?É minha profissão e temos que superar essas situações. Me dedico ao vôlei, mas levo minha família nas etapas, sempre que dá?, garante.

Tão perto, mas tão longe

Quem também trabalha fora da quadra é Mark Hudson, coordenador do departamento de medicina e fisioterapia. Há 14 anos no esporte e há 13 só no vôlei de praia, hoje é ele quem comanda o trabalho de atendimento aos atletas. Sua equipe, formada por quatro pessoas, trata de possíveis contusões, realiza relaxamento muscular dos jogadores, entre outras coisas.

O lado ruim é que, apesar de sua estrutura de trabalho ficar do lado das quadras, ele dificilmente tem tempo pra assistir aos jogos. ?Gosto muito do esporte, mas é difícil conseguir assistir, o que às vezes pode ser até bom. Aqui somos todos amigos, uma família, e não tem como torcer pra um e não pro outro. Por isso que quando saem daqui pra quadra, desejo um bom jogo e não boa sorte. Porque a sorte só pode estar de um lado da rede?, brinca Mark.

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