• Postado por Tiago

O Banco do Sul propôs-se formalmente pelo presidente venezuelano Hugo Chávez em março de 2007, cuja data abriu a discussão sobre a viabilidade deste empreendimento intergovernamental entre países da América do Sul. Vozes oficiais sustentam que o banco terá como um dos principais objetivos o de contrapor-se ao imperialismo estadunidense e oferecer alternativa às principais instituições financeiras do Norte, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial.

Ecoam, contudo, críticas ao Banco do Sul que denunciam o interesse político de Chávez em difundir o “socialismo do século XXI” e beneficiar o grupo econômico venezuelano que saca sua renda da abundância de petróleo. Há os que afirmam ainda que o banco consolidará o plano estratégico da Venezuela de expandir sua infraestrutura energética na região e que o discurso anti-imperialista é uma falácia, uma vez que Estados Unidos é o principal comprador do petróleo daquele país.

O Banco do Sul não é uma má proposta, porém é mister analisá-la com desconfiança. Como o Brasil dispõe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e mantém boa relação com as instituições financeiras do Norte, o Banco do Sul é mais interessante para o projeto político da Venezuela e os países menores da América do Sul que para o Brasil. De parte do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, porém, houve uma recomendação para que o Brasil não ficasse de fora.

Notícias mais recentes indicam que o Banco do Sul está previsto para iniciar suas atividades este segundo semestre de 2009 com o orçamento de abertura de US$ 200 milhões e que a previsão é de que a soma das contribuições iniciais de seus membros alcance US$ 7 bilhões. São sete países que pertencem ao projeto: Venezuela, Equador, Bolívia, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Brasil, Argentina e Venezuela aportarão com valores relativamente maiores ao banco, embora se tenha decidido que cada país teria um voto e não em proporção ao dinheiro investido. Ademais, acordou-se que os créditos só poderiam ser concedidos a países sul-americanos. Espera-se que o Banco do Sul use o orçamento para financiar projetos voltados a políticas sociais, proponha alternativas ao dólar como moeda de transação e permita maior autonomia às políticas econômicas da região.

É comum a expressão de que “falta vontade política” para iniciar um plano, continuar uma obra ou fechar uma negociação. Noutras palavras, é simplesmente porque não convém. Caso contrário, o que justifica que o governo federal brasileiro feche um acordo de R$ 5 bilhões com a França para a compra de aviões de guerra e hesite em injetar dinheiro no Banco do Sul?

O Banco do Sul não parece ser a prioridade do nosso governo, que insiste em reatar laços culturais com países mais desenvolvidos. Fiquei sabendo que, no 7 de setembro, a bandeira da França coloriu o céu de Brasília. Se a acharmos bonita ou se é isso que merecemos, será que os franceses fariam o mesmo com a bandeira brasileira no céu de Paris nalguma comemoração nacional?

Na dúvida, seria menos mal pôr esse dinheiro no Banco do Sul. Num dia em que se esperava uma comemoração patriótica no Brasil, os responsáveis por esse feito demonstraram tendências neurastênicas.

* Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais.

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