• Postado por Tiago

Desse jeito os surfistas vão desaparecer das ondas da Maravilha do Atlântico

Textos e fotos: Deivid Haigert Couto

Como um bom amante de surfe e do esporte, e não podia ser diferente, pois a modalidade é simplesmente fantástica, resolvi me interar do esporte mais tradicional desta terra linda e maravilhosa que é a Santa & Bela. Qual a minha surpresa? Que além dos nove títulos catarinenses por equipe, os irmãos, campeões mundiais, Teco e Neco Padaraz começaram na modalidade na associação de Surfe de Balneário Camboriú (ASBC). Sinceramente, eu achava que a dupla era de Floripa.

Mas descobri mais! Descobri que James Santos trouxe da Califórnia pra Maravilha do Atlântico um mundial amador. Descobri que Ícaro Cavalheiro, natural da ilha das Cabras, e Luli Pereira foram campeões catarinenses em todas as categorias: mirim, júnior, open e profissional. Atualmente, eles são árbitros da primeira e da segunda divisão do surfe mundial.

Segui descobrindo, até porque pra mim isso tudo é novo. Descobri que vem surgindo um novo nome no cenário mundial: Willian Cardoso, atual 25º do World Qualifying Series (WQS). Entusiasmei-me e pensei: Pô, vai dar uma matéria legal! Fui então saber sobre os campeonatos e os circuitos que rolam na cidade. Qual a minha segunda surpresa? Que de 2006 pra cá, os números de competições vêm caindo.

Pra se ter uma ideia, em 2006 foram realizados quatro campeonatos Pro AM (campeonato profissional onde os amadores podem ganhar 50% da premiação), três etapas estudantis, uma etapa do campeonato Catarinense Profissional e o Surfe Games (interassociações catarinenses). Em 2007 teve um Pro AM e um estudantil a menos. Já no ano seguinte, a cidade seguiu com os três Pro AM, os dois estudantis, voltou a ter o Surfe Game e o Catarinense Profissional. Porém, em 2009 rolaram apenas dois campeonatos amadores.

Não consegui entender como uma cidade que é uma fábrica de campeões e tem uma associação de surfe tão respeitada, que chegou a ter 10 etapas de circuito local em um ano, possa ter apenas dois campeonatos amadores durante 365 dias. Fui atrás pra tentar achar o motivo e acabei descobrindo que existia a liga de Esportes Radicais de Balneário Comburiu (LERBC).

A LERBC foi fundada no dia 12 de maio de 2003, com a função de dar suporte às modalidades não olímpicas da city, caso do surfe. No dia 27 de novembro de 2007, a câmara de vereadores de Balneário Camboriú aprovou e sancionou uma lei que autoriza a o poder executivo, através da fundação Municipal de Esporte (FME), a repassar a bagatela de R$ 126 mil à LERBC pra divulgar o esporte do município e incentivar a prática esportiva.

O primeiro artigo da lei é claro, e diz que a entidade é obrigada a apresentar as contas do ano anterior ao setor de controle interno do município pra poder receber a grana novamente no ano seguinte. Caso contrário, o repasse do dinheiro seria suspenso.

Elder Leão, presidente da LERBC de 2004 a 2009, diz que, entre 2007 e 2009, a liga realizou 133 eventos com a verba da lei nas 21 categorias que integravam a entidade. Ele também afirma que prestou conta ao município e que a liga está com o CNPJ limpo pra receber a grana, mas que por divergências políticas não vê a cor do dindim. ?Depois que mudou o governo, não recebemos mais nada da prefeitura. A fundação não quer nos ajudar, é uma baita sacanagem?, lasca o também ex-presidente da ASBC.

Elder ainda fala que agora, em vez de repassar a grana pra liga, a FME distribui uma mixaria pra cada associação. ?Ao invés de darem o valor proposto por lei para a liga, eles repassaram R$ 8 mil para cada entidade. Com esse valor não dá pra fazer muita coisa?, afirma.

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