• Postado por Tiago

É interessante observarmos que o Brasil vende uma política de preservação de nossos ecossistemas para o mundo, principalmente Amazônia, e tenta adotar uma política de crescimento a qualquer custo internamente. Para isso, tenta de forma organizada com determinados setores e com apoio de parte da mídia promover o descrédito de nossa legislação ambiental, imputando a ela os problemas de crescimento e êxodo rural em nosso país. Tenho certeza que em breve nossos célebres representantes vão dizer que é a legislação ambiental também a culpada por toda a desigualdade social encontrada no Brasil.

Parece que transcendemos os anos e os discursos de nossos representantes continuam os mesmos, basta pensarmos que na Conferência de Estocolmo em 1972 (primeira conferência das Nações Unidas com a temática Meio Ambiente), o Brasil tinha uma posição de crescimento a qualquer custo. O que mudou é que externamente vendemos a imagem de um país que preserva, mas internamente, o que vemos na prática é exatamente o inverso.

Deparamos-nos constantemente com iniciativas que tentam modificar nossa Legislação Ambiental, e uma pergunta que sempre me faço: com que objetivo? E sempre tenho uma dificuldade de encontrar uma resposta que satisfaça meus anseios, pois, os argumentos utilizados em sua grande maioria não são técnicos e sim políticos.

A falta de critérios técnicos nas tomadas de decisões e a falta de interesse eminente pela preservação ambiental, fazem com que tenhamos que assistir interesses difusos sobressaindo aos preceitos/critérios técnicos e interesses coletivos. E se observarmos atenciosamente percebe-se que usualmente é utilizado o mesmo discurso para justificar as decisões, onde temos que continuar crescendo e desenvolvendo, mesmo se para isso possamos estar colocando em risco todo um ecossistema e o futuro de uma determinada comunidade.

Infelizmente, parece que o Brasil parou no tempo, mais exatamente em 1972, e continua a brincar de preservar os seus recursos naturais. Em 2009, ainda temos que assistir a discursos que pregam o crescimento e “desenvolvimento” a qualquer custo, o cenário torna-se mais assombroso se pensarmos que este crescimento em detrimento da preservação não gera se quer a diminuição da desigualdade social que presenciamos em nosso país. É urgente e necessário que possamos refletir sobre as posturas que estamos tomando em relação aos nossos recursos naturais, para que desta forma possamos modificá-las. E, com isso, preservando e desenvolvendo.

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