• Postado por Tiago

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Ricardo acumula títulos, mas falta apoio pra participar das grandes competições

Praticar esporte amador não é tarefa fácil no Brasil. Além de treinar e competir em locais muitas vezes inadequados, os atletas sofrem com falta de patrocínio pra participar de campeonatos maiores, nacionais e internacionais, que certamente lhe darão maior visibilidade e um dindim importante pra seguir sonhando em viver fazendo o que sabe e o que gosta. Este é o caso de Ricardo Quadros, de 30 anos. Morador de Balneário Camboriú, ele passa o maior perrengue pra conseguir patrocínio.

Mas depois de seu último título, conquistado no fim de semana, espera-se que esta cena mude um pouco. Ricardo é o novo campeão mundial de jiu-jitsu da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo, na categoria máster azul leve. Pra participar da competição, ele recebeu uma mãozinha de dois amigos. ?Me pagaram a passagem aérea e o hotel. Se não fosse essa ajuda, eu talvez não tivesse ido?, afirma.

A disputa rolou no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, de 17 a 19 deste mês. ?Eles fazem várias etapas durante o ano, que vão somando pontos pro Mundial?, explicou Ricardo, que não precisou se classificar por pontos, pois conquistou o Brasileiro, nos dias 22 e 23 de maio.

Procura-se patrocínio

Mesmo com o currículo recheado de conquistas, Ricardo não descola um patrocínio. Só em 2009 e 2008, ele conseguiu importantes títulos: a International Cup, em fevereiro de 2008; o Sul-americano, em novembro do ano passado; o tricampeonato Sul-brasileiro, em junho deste ano; além do Mundial, no fim de semana.

O cara conta que os empresários alegam que o jiu-jitsu não é esporte olímpico, por isso não acham que a ajuda é muito necessária. ?Muitas pessoas me atendem, mas não contribuem. Mesmo abatendo no imposto de renda, é difícil terem interesse?, lamenta.

Por falta dessa ajuda tão importante, Ricardo perdeu sua participação em duas competições mundiais. Em março, ele lutou uma seletiva em Porto Alegre e ficou com o segundo lugar, garantindo vaga pro mundial em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, que rolou em junho, mas ele não foi. ?A confederação só bancou as despesas do primeiro colocado?, lembra.

O outro campeonato foi o mundial na Califórnia, em 2008. A vaga foi garantida na conquista do Sul-americano, em Floripa, mas Ricardo também ficou de fora. ?Eu lamento, pois poderia ter voltado com ótimos resultados?, diz.

Talento

Ricardo começou há pouco tempo no esporte. Fã do lutador Ricardo Arona, ele sempre gostou do jiu-jitsu, mas só teve condições financeiras de treinar em 2006. ?Com apenas quatro meses de treino, fui campeão do Submission, em Blumenau. Isso me mostrou que eu tava no caminho certo?, revela.

De lá pra cá, Ricardo conquistou uma carrada de títulos. Sua próxima competição é a 10ª Copa Internacional de Jiu-Jitsu Esportivo, no começo de outubro, em São Paulo, se conseguir apoio.

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