• Postado por Tiago

Igrejinha já foi alvo de bandidos, que levaram alguns objetos de valor

Entre os moradores que conhecem todas as histórias que cercam a igrejinha tá Maria Rocha Vítor, a dona Maroca, que, do alto de seus 90 anos de idade, lembra bem dos domingos em que se colocava nos trinques pra ir à capela rezar. ?Eu era do apostolado da oração. Usava uma fita vermelha no pescoço?, lembra a vovozinha filha de pescadores, de olhos miúdos e cheios de luz.

Durante toda a sua vida, dona Maroca viu casamentos, batizados e velórios passarem pela igreja de Santo Amaro. Mas o fato que mais a marcou foi contado pelo marido, seu Leonel, hoje já falecido.

Ela conta que Leonel era encarregado de fechar a igreja todas as noites. Um belo dia, depois de trancar as portas, voltou pra casa mais branco que uma folha de papel. ?Ele disse que começou a ouvir uns barulhos esquisitos nas paredes. Parecia que iam por a igreja abaixo. Só podia ser a visagem dos escravos que trabalharam lá?, diz a vovó.

Outro que conhece como ninguém a capelinha é o barnabé Júlio César Alexandre, 35 anos. Há 14 anos ele mora ao lado da igreja com sua família e trampa na manutenção. ?Faço jardinagem, pintura, encanamento, o que precisar?, diz.

Júlio era pescador quando começou a tomar conta da capela, junto com o tio. Foi depois que bandidos invadiram a igrejinha e levaram objetos de valor, como os castiçais, que nunca mais foram recuperados, que ele ganhou o emprego e foi convidado a morar ali pra cuidar de tudo bem de perto. ?É um lugar muito bonito. Pra nós é um xodó?, diz, cheio de orgulho.

Hoje, depois de um ano inteiro de restauração, a capela tá novinha em folha. Ganhou de volta as antigas cores usadas pelos jesuítas: branco, amarelo e azul, e tá aberta pra visitação. Quem quiser conferir esse pedacinho de história pode pintar por ali de segunda a sexta-feira, do meio-dia às 18h. Duas vezes por mês também rolam missas na igrejinha, com o padre Timóteo José Steinbach.

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