• Postado por Tiago

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Na capital, o movimento também começou devagar

Os carteiros de Itajaí não quiseram nem saber de trabalho ontem. Os homens de amarelinho cruzaram os braços e se empoleiraram em frente à agência dos Correios do centrão peixeiro. Os cerca de 40 funcionários que andam de bicicleta o dia todo entregando as correspondências na city aderiram à greve nacional por tempo indeterminado.

Os funcionários dos Correios fazem beicinho pelo reajuste salarial de 41,03% e aumento de R$ 300 no piso da categoria. A galera quer ainda redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário e contratação de mais funcionários por meio de concurso público.

Roberto Carlos de Souza, porta-voz dos carteiros peixeiros, explicou que os pedinchos existem desde o ano passado, mas, segundo ele, a empresa não tem vontade de negociar. O funcionário dos Correios relata que, por causa da defasagem profissional, às vezes trampa até 10 horas direto, sem nem uma hora de almoço. ?Têm dias que tem que ser assim pra dar conta do recado. Nosso horário oficial é de oito horas, mas quando passamos do horário não recebemos hora extra e nem temos banco de horas?, falou.

Além disso, os carteiros berram contra a falta de manutenção das ziquinhas. A maioria das bicicletas tá com a pintura toda descascada e com o banco virado num alho. Outro reclame é a falta de segurança nos Correios. ?Assim como agências bancárias, os Correios deveriam ter uma porta giratória com detector de metal. Assaltos com o uso de armas já aconteceram e nós temos colegas que estão traumatizados até hoje?, relata.

A última proposta feita pelos Correios aos funcionários foi no mês de maio. O aumento de 4,5% oferecido, de acordo com a empresa, foi correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os trabalhadores, na época, não aceitaram o reajuste.

Cartas em dia

Ary Martins, assessor de comunicação das agências dos Correios de Santa Catarina, afirmou que a paralisação dos funcionários no estado não chegou a causar prejuízos na entrega das correspondências. ?Se a greve continuar, nós teremos que arrumar meios de não deixar essas correspondências paradas, mas ontem não chegou a afetar. Até porque todas as agências funcionaram normalmente em todo o estado?, afirmou.

O assessor disse que, pelas informações repassadas pelas regionais, Santa Catarina tinha até ontem 9% de adesão ao beicinho por parte dos quatro mil funcionários. As negociações pro fim da greve, segundo Ary, rolam em Brasília entre os grandões dos Correios e a federação dos trabalhadores.

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