• Postado por Tiago

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A casa de dona Mimi ocupa um terreno central e arborizado que vai dar lugar a um prédio residencial

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O casarão que foi de dona Benta Bauer é de um empresário que está de malas prontas pra se mudar pra Balneário Camboriú

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A lembrança mais marcante do antigo proprietário, dono de banco: um cofre em ferro maciço

Texto: Samara Toth Vieira
Fotos: Felipe Trojan

Colaborou: Mariana Reibinitz Vieira

Antigo símbolo de status, de riqueza e de poder, os casarões do centro de Itajaí, que foram moradia das famílias mais tradicionais da cidade, estão com os dias contados. E não estamos falando somente dos casarões históricos, alguns tombados pelo patrimônio, mas também das casas confortáveis e espaçosas que abrigavam famílias de posse.

As ruas Lauro Muller, Samuel Heusi, Pedro Ferreira, XV de Novembro, entre outras do coração da cidade, já quase não abrigam casas residenciais. O espaço, anteriormente ocupado por numerosas famílias, agora cede lugar a comércios, repartições e edíficios.

Tentados pelas ofertas do mercado imobiliário, fugindo de despesas, com medo da violência urbana ou simplesmente cansados de ruas movimentadas e barulhentas, os moradores abrem mão de casas amplas e imponentes, muitas vezes com jardins e piscinas, em troca de apartamentos onde o espaço é reduzido, mas a promessa de segurança e comodidade são determimantes.

Este não é, decididamente, um fenômeno que começou agora em 2009. É apenas o prosseguimento de uma tendência que em Itajaí data do meio da década de 90, e que se acentou ao longo dos últimos anos.

Um dos homens mais ricos que Itajaí já conheceu, o outrora dono de uma empresa de navegação e acionista de um antigo banco, Abílio Ramos, hoje, com 90 anos, abandonou a sua tradicional casa da rua Samuel Heusi. Seu Abílio não dá entrevistas, mas segundo amigos próximos, ele se mudou para um apartamento, com medo da violência.

Seu Abílio e sua esposa moraram mais de três décadas no casarão de linhas retas e de arquitetura moderna, confessadamente inspirado na construção de Brasília. A casa, com mais de 500 m2 de área construída, contava com um mini-pomar e com uma horta onde um jardineiro cultivava morangos para o consumo dos patrões.

O casarão de seu Abílio abrigava ainda lindas coleções de cristais e porcelanas. Dr. Abílio, como é conhecido nas rodas sociais, também deixou lembranças pela excentricidade. Diz a lenda urbana que nem seus empregados tinham acesso às áreas mais restritas do casarão. Seu Abílio era avesso a visitas, sua casa estava sempre com as janelas e cortinas fechadas.

O casarão foi vendido a um casal de investidores, que o comprou e locou, primeiramente para abrigar uma escola infantil, e agora para abrigar um centro de saúde do munícipio. A antiga casa do seu Abílio hoje é CEREDI (Centro de Referência de Doenças Infecto Contagiosas).

A coordenadora do centro, Andreia Regina Codri, há 16 anos no serviço público, mostrou à reportagem o casarão. Como não foi projetado para abrigar uma repartição pública, muitos dos espaços tiveram que ser adaptados. Divisórias e móveis de consultório quase apagam a lembrança do que foi a casa de um Ramos.

O antigo quarto de seu Abílio hoje abriga uma sala de reunião. Lembranças do antigo dono milionário? Além das portas em madeira de lei, trabalhadas a mão por algum artesão desconhecido, a lembrança mais marcante, sem dúvida, está na entrada do CEREDI. Um cofre em ferro maciço com mais de um metro de altura. A coordenadora Andrea explica porque ele não foi removido da casa. ?Chegamos a cogitar, mas ele foi construído e embutido no piso. Teríamos que destruir, além da parede, o piso da entrada. A estrutura da casa seria danificada com a remoção. Pela dificuldade, o cofre acabou ficando onde está?, conta Andrea.

Na mesma quadra da casa de seu Abílio, mas agora na rua Pedro Ferreira, há um outro imóvel, este mais contemporâneo, da década de 70, que está desabitado há alguns anos e, definitivamente, com os dias contados. Moradia da família Graff, do grupo Giorama, o casarão está desocupado desde a morte da matriarca, dona Mimi. A casa, de aproximadamente 600 metros quadrados, vai ao chão para a construção de um edifício residencial.

Um dos filhos de dona Mimi, Paulo Roberto Graff, conversou com nossa reportagem. Ele não permitiu que a casa fosse visitada ou fotografada em seu interior, e confidenciou que, depois que sua mãe morreu, não havia mais motivos para mantê-la, e a melhor opção foi vender a casa da família. Para Paulo Graf, morar em apartamento é mais prático e seguro. Segundo ele, Itajaí vai ganhar com a verticalização que se concretiza a cada dia. ?A construção de prédios vai revitalizar a cidade?, acredita.

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