• Postado por Tiago

Tudo começou em 28/10/89, quando o DIARINHO anunciou em letras garrafais “Mulher de empresário itajaiense é raptada e baleada durante assalto”. Orfila Labes, mulher do joalheiro Otto Labes, levou dois balaços, sendo um na cabeça, mas surpreendentemente, sobreviveu. A bala atravessou o crânio de lado a lado, deixando-a cega, mas vivinha da silva pra jogar m* no ventilador e dando uma puta reviravolta no crime.

Orfila foi feita refém num sábado à noite, quando chegava em casa com o marido, no centro peixeiro. Depois de roubarem as joias, ela foi levada com os caras, que a balearam dentro do carro.

Um ano e três meses após a tentativa de assassinato, Orfila solta o verbo e acusa os cunhados de mandar dar cabo de sua vida. Em 06/02/91, ela chama o jornal pra contar que os cunhados Heitor e Edson Labes teriam sido os mandantes. Ela contou que eles nunca foram com a cara dela e não deixavam seu filho trampar na joalheira. Ela afirmou que recebeu dois telefonemas com ameaças de morte. Numa delas, Heitor teria dito ao filho Jorge, que mataria sua mãe.

No dia seguinte, Heitor e Edson Labes desmentiram a cunhada e a xinagaram de tudo quanto foi nome. “Tô cagando pra essa vagabunda, sem-vergonha”, disse Heitor. Eles contra-atacaram dizendo que ela trabalhava na zona de Brusque, e que seria irmã de um assassino de aluguel. Ele ameaçou a reportagem do DIARINHO se a matéria fosse publicada. Heitor faria parte da irmandade Scuderie Detetive Le Cocque, uma milícia do tipo ‘esquadrão da morte’. Na semana seguinte, o marido Otto veio em defesa da mulher, dizendo que ela era uma camponesa do oeste.

Heitor Labes chegou a ser preso em 12/01/93, mas não foi condenado de cara. Quando rolou a condenação, recorreu o que pôde à dona justa, até ir pra trás das grades em 22/02/2007, aos 80 anos, oito anos depois do crime.

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