• Postado por Tiago

Mais uma vez se derramaram rios de tintas por ocasião das comemorações da Revolução Farroupilha no Sul do Brasil. Mas pouco se escreve sobre a participação catarinense – principalmente lageana – na gesta irridente.

Pode-se dizer que a ideologia do gaúcho nasce com a saga farrapa. Aquela revolução expressou a consciência de classe dos estancieiros riograndenses que para ela souberam cooptar as massas gaudérias. Os fazendeiros foram a vanguarda revolucionária porque eram a única força republicana que podia se opor ao Império central para tentar reorganizar a sociedade. Essa ideia teve significado imenso na história posterior e chega até hoje, dando origem até mesmo a pensamentos atuais. Mas a propagação da rebelião farroupilha, em Santa Catarina, teve outras conotações.

A invasão de Laguna se deu por absoluta necessidade dos insurgentes terem um porto, já que não poderiam ser abastecidos a não ser por mar. Perdida a saída para o mar – estava condenada a morte e ação militar.

É bem verdade que quando a República Juliana foi proclamada em julho de 1839, Lages já havia sido tomada pelos gaúchos sob o comando do Coronel Mariano de Mattos, ministro da guerra dos Farrapos. Foi apoiado nesta ação estratégica pelas gentes do coronel lageado Serafim Muniz de Moura que desceram a Serra para ajudar Giuseppe Garibaldi a arrastar pelas várzeas lamacentas do litoral o barco Seival. Desse episódio é que nasceu o apelido que se deu aqueles bravos: os “bois de botas”.

Os fazendeiros lageanos porém não se definiram a favor dos rebeldes – sendo que o maior deles chegou a se retirar dos campos da Coxilha Rica. A República em Lages foi proclamada em 10 de março de 1839 por Inácio de Oliveira.

Os episódios farroupilhas nos campos da Serra acima foram bastante tumultuados e até hoje não esclarecidos. A vitória de Garibaldi e dos lanceiros negros do Capitão Gavião no antigo e histórico Passo de Santa Vitória foi extremamente sangrento, com o comandante de uma Divisão Imperial morto.

No Capão da Mortandade em Curitibanos, no dia 12 de janeiro de 1840, os rebeldes foram massacrados e Anita Garibaldi feita prisioneira. Tudo muito confuso.

Eventos com esses diferenciam a longa luta dos gaúchos – dez anos! – da passagem do furacão farroupilha por Santa Catarina. Mas de qualquer forma, Lages foi a primeira república catarinense e talvez por isso nossas azaléias sejam mais vermelhas pelo sangue de ambas as partes – imperiais e farroupilhas – derramados nas areias, matas e campos.


Ass: Paulo Ramos Derengoski

(Transcrito Ipsis Litteris)

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