• 05 dez 2009
  • Postado por Tiago

A palavra é… GOVERNABILIDADE!

Como se faz para colocar, num mesmo balaio, gatos, siris, muriçocas, bucicas, baiacus e cocorocas? Qual é a mágica?

O que tem acontecido, Brasil afora, nos legislativos, é coisa parecida. Em nome da… GOVERNABILIDADE! reúnem uma “base de apoio” que não tem, entre seus membros, qualquer identidade política, ideológica ou programática. O que os une? Qual é o cimento que mantém coesa aquela parede que mais parece um mosaico feito com restos de demolição?

Em alguns casos, essa muralha governista disposta a aprovar ou rejeitar qualquer coisa sem ler, sem discutir e sem remorso, é obtida com a distribuição de dinheiro. Moeda sonante. Cash. Notas graúdas, não marcadas, de preferência.

Mas, em muitos casos, a moeda de troca são cargos na máquina municipal, estatal ou federal. Imaginem só: um partido que anda mal das pernas, que mal e mal consegue reunir uma diretoria de meia dúzia, que são também os candidatos de sempre e só sobrevive graças ao bolsa-partidos que a Justiça Eleitoral distribui, de repente ganha uma secretaria. Além do secretário, poderá nomear mais uma penca de cabos eleitorais. Isso significa o imediato fortalecimento da “sigla”. E mais, se a coisa se der da “maneira certa”, trata-se de um feudo inexpugnável, uma verdadeira propriedade privada.

Só serão despejados se votarem contra a vontade do chefe. Porque esta é a única cláusula do contrato, que garante a… GOVERNABILIDADE! No mais, a turma é livre para administrar o feudo como achar que deve.

Vejam o caso de Santa Catarina: uma secretaria foi entregue para o PDT. Ali, a mulher do presidente do partido e irmã do presidente da Casan, faz e desfaz. No começo, os servidores efetivos ainda reclamavam da coisa, levaram as queixas até o LHS. Mas aí sentiram que ela é imexível e que embora a legislação afirme que todo secretário é demissível pelo governador, ali a coisa não é bem assim.

Outra secretaria, a da segurança, foi entregue a um deputado, para abrir espaço, na Assembléia, a um suplente. Um pagamento duplo, portanto. É o princípio do balaio de siri: se mexe aqui, bagunça lá, se mexe lá, desarruma aqui, se puxa um, vem uma porção. Não é de estranhar, portanto, a inamovibilidade e virtual blindagem do Benedet: o governador não tem como demiti-lo sem criar um problema para a… GOVERNABILIDADE!

Todas as velhas raposas políticas catarinenses e nacionais sempre disseram uma frase cuja sabedoria parece que foi esquecida: “nunca nomeie quem você não poderá demitir quando precisar”. É um princípio tão básico de administração, que parece espantoso que prefeitos, governadores e presidentes o tenham esquecido em nome da… GOVERNABILIDADE!

Se pagar o apoio com cargos facilita a… GOVERNABILIDADE! por outro lado praticamente inviabiliza o governo. A máquina de Estado, que deveria cumprir um programa coerente, remar na mesma direção e perseguir os objetivos propostos na campanha como uma… máquina, acaba se fragmentando. O dono de cada feudo tem seu próprio projeto e programa, visa em muitos casos apenas a próxima eleição, não está nem aí para as necessidades do eleitor/contribuinte.

Por paradoxal que possa parecer, a tal… GOVERNABILIDADE! obtida seja a custo de mensalões ou de cargos (que, por falar nisso, se equivalem), não ajuda a governar. Ajuda, isso sim, a blindar o governo. E a criar novas e melhores situações para que os amigos dos amigos possam fazer o que bem entenderem.

Um dos grandes méritos da democracia é permitir a fiscalização dos atos de governo pela população. Pela oposição. Pelos organismos criados para esse fim. E uma das principais finalidades das estapafúrdias “bases de apoio” que reúnem praticamente todos os vereadores ou deputados, é justamente evitar a fiscalização. Recusar os pedidos de informação. Sepultar CPIs. Manter os governantes e seus amigos protegidos. E em condições de, a qualquer momento, mudar a lei que esteja incomodando.

Em Santa Catarina mesmo, a “base de apoio” do governo tem condições de, sempre que quiser, mudar a Constituição, que é coisa que exige uma robusta e sólida maioria. O que equivale dizer que não existe oposição.

Sempre que alguém “da base” levanta a voz e ameaça chutar o balde, é porque algum interesse particular foi contrariado. Basta resolver o probleminha, a “demanda” da hora e pronto. Tudo volta à conveniente “pax romana”.

É bem verdade que ver um político recebendo um montinho de dinheiro causa mais impacto do que assistir uma enfadonha posse numa secretaria, com toda a pompa, discursos mal escritos, monótonos e mentirosos, às claras, diante das câmeras. Mas, cá entre nós, no fundo, em muitos casos, é a mesma coisa. Ou pior.

EM TEMPO

E ainda tem os Fundos. Dinheiro a rodo, distribuído com critérios muito peculiares. Temos a tentação de achar que os grandes responsáveis pela pouca vergonha são apenas o LHS e o Knaesel, que assinam as liberações. Mas é preciso atenção: por trás de cada proposta, projeto e pedido de verbinha dos fundilhos catarinenses, tem um deputado. Que faz pressão firme e que usa, para obter a boa vontade de quem tem a caneta, a palavra mágica…

A farsa do “defeso”

Senhoras e senhores, serei breve: o tal “defeso do Itacorubi” anunciado há tempos (e rejeitado pela Câmara esta semana), não fede nem cheira. Quem tinha que fazer alguma coisa na tal bacia do Itacorubi, graças ao gentil aviso prévio do prefeito, já fez.

Querem um exemplo bem claro?

Sabem aquela região perto da Celesc, no Itacorubi, onde já tem uma montoeira de prédios? Só ali um leitor atento contou onze fundações de novos prédios, cravadas recentemente. É que a tal lei do “defeso” dizia que quem estava com a fundação pronta, teria direito de levantar seus prédios. Onze espigões que a lei não impediria de crescer!

A prefeitura fez a mesma coisa que a polícia, no caso da pedofilia: avisou com bastante antecedência.

Portanto, se a lei do defeso fosse aprovada, não traria nenhum refresco para a pobre bacia do Itacorubi. Pura palhaçada.

A árvore do escândalo

O vereador João Amin (PP) deu entrada em uma ação popular pedindo a anulação do contrato de R$ 3,7 milhões firmado entre a prefeitura e a empresa Palco Sul “para a montagem e desmontagem da árvore de Natal na Beira-Mar Norte”.

A principal irregularidade seria a falta de licitação para a escolha da empresa, que não teria know how para a tarefa. Tanto que terceirizou todo o trabalho.

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  • 04 dez 2009
  • Postado por Tiago

O escândalo da árvore milionária

A tal Palco Sul levou R$ 3 milhões da prefeitura de Florianópolis pra instalar a árvore de Natal da beira mar. E aí, o que fez? Terceirizou, claro. A empresa terceirizada, o que fez? Contratou uma quarta.

E o que estamos vendo? A montagem da árvore. Uma estrutura metálica e seus adereços (penduricalhos de alta sofisticação tecnológica, com “interatividade” e outros balagandãs). Tudo aquilo, naturalmente, depois de terminadas as festas, será desmontado e voltará para seus donos. A cidade não ficará com nada. Está pagando apenas a montagem, operação e desmontagem. R$ 3 milhões!

Restará, se tanto, uma fotografia na parede (ou nos celulares), para que o contribuinte/eleitor se lembre do ano em que vestiu roupa de Papai Noel (e nariz de palhaço), para presentear aqueles que vão colocar a mão na bufunfa.

O DINHEIRO NA CUECA

Esta é uma questão antiga, sobre a qual de vez em quando nos debruçamos, mas na maior parte do tempo deixamos ficar, quieta, sob o tapete: vereadores, deputados, prefeitos, governadores, senadores e presidentes, gastam em suas campanhas eleitorais muito mais dinheiro do que receberão legitimamente, de seus subsídios oficiais, durante o mandato. Em alguns casos gastam muito mais até mesmo do que a soma de todos os benefícios diretos e indiretos, passagens aéreas inclusive.

E, principalmente, a grande maioria gasta mais do que declara à Justiça Eleitoral.

Ora, a matemática é ciência que, em geral, é exata: se a campanha custa mais do que o sujeito vai receber nos quatro anos seguintes, há aí um mistério contábil.

Certamente os políticos não ficam no prejuízo. Caso ficassem, não haveria tantos interessados em concorrer, nem por tanto tempo. Tem gente que está a vida inteira (e tem filhos ou filhas na fila da boquinha) mamando nas generosas tetas dessas sinecuras.

Esse mistério é que nos leva a suspeitar que aquilo que os vídeos mostraram ocorrer no governo do Distrito Federal seja prática comum e disseminada. Os políticos precisam, para suas campanhas, de muito dinheiro. De chapéu na mão, batem de porta em porta, pedindo esmolinhas para os empresários amigos e inimigos. Sabem que não conseguirão ganhar o suficiente para pagar os “empréstimos”. Fica implícita, em toda conversa de pedido de “apoio”, que o doador terá um amigo eterno, cheio de gratidão. Mas poderá dar adeus àquele dinheiro.

O político, agradecido, quando eleito, naturalmente tratará seus apoiadores como príncipes. Dará a eles todas as oportunidades de recuperarem, com juros e correção monetária, o que “investiram”. E aí não vem muito ao caso se o “apoio” foi explícito (com declaração à Justiça Eleitoral e valores contabilizados) ou discreto (por fora, por baixo ou no panetone). O fato é que sempre que o vereador, deputado, prefeito, senador, governador ou presidente estiver gozando as delícias do cargo, vai se lembrar com carinho de quem o colocou ali, naquela “carreira política”, da qual só sairá se fizer alguma besteira grossa.

Então, senhoras e senhores, lembrem-se que somos um país endemicamente corrupto. E que, infelizmente, parece que na tal “classe política” inverteu-se a coisa: eles são suspeitos de meter a mão no baleiro até prova em contrário.

E a prova em contrário não pode ser “não sabia”, “não era meu, estava recebendo para um amigo, que mora longe”, “botei na meia por segurança” ou “era apenas uma contribuição não contabilizada”.

DIARINHO entra pra valer na Internet

Uma das principais decisões “comemorativas” do aniversário de 30 anos do DIARINHO foi dar uma arrumada no seu site. Aqueles que já tentaram ir até lá (www.diarinho.com.br) devem ter ficado meio decepcionados. É bem simples e tem apenas o conteúdo do jornal impresso, atualizado uma vez por dia.

Pois bem, está nos finalmentes a reestruturação do site. Que será transformado num grande portal. E este seu criado foi chamado para coordenar o conteúdo desse novo Diarinho Online. A infraestrutura tecnológica, desenho, programação e suporte estão a cargo do Grupo W, de Balneário Camboriú. E já entramos na pré-operação, com treinamento do pessoal, definição dos últimos detalhes e alimentação das várias seções e áreas.

O site deve ser aberto ao público em janeiro de 2010, na data em que o jornal fará 31 anos e tem tudo o que os mais modernos sites de jornais têm e mais um pouco. E tudo o que o Diarinho de papel tem e mais um pouco.

ACESSO PAGO

O Diarinho nunca ofereceu gratuitamente na internet o noticiário que publica no jornal (que é vendido em bancas). Durante algum tempo, quando a tendência mundial era abrir os conteúdos online, parecia apenas uma teimosia meio sem sentido da diretora do jornal. Mas ela só estava seguindo os sábios ensinamentos do avô, que criou o jornal: a independência editorial depende da saúde financeira do jornal. E ele sempre se recusou a distribuir assinaturas de cortesia. Não dava jornal de graça.

Isso faz todo o sentido: produzir, reunir e publicar informação original custa caro. E, como vocês sabem, o Diarinho faz questão de não ter o rabo preso com nenhum grande anunciante, seja ele privado ou público, não tem milionários contratos de assinatura com o governo e não participa de “coberturas especiais”.

Agora que a tendência internacional dos jornais, na internet, é cobrar pelo conteúdo (e vários jornais que tinham aberto o acesso estão revendo essa decisão), o Diarinho continua onde sempre esteve: o novo site terá uma área liberada maior que a atual, com o resumo das principais notícias, e os leitores poderão circular livremente pelas páginas de classificados e seções comerciais. E, como sempre, se quiser ler a íntegra das notícias ou comentá-las, terá que pagar.

Mas esta será a única semelhança entre o atual site e o novo portal: no resto, é tudo novo mesmo.

PORTAL DE NOTÍCIAS

É claro que o pessoal da área comercial está muito empolgado com as várias possibilidades que o novo portal vai oferecer, facilitando a vida de anunciantes e de quem procura por produtos e serviços, mas nós, do outro lado do balcão, também estamos ansiosos pra implantar a grande novidade, em termos de notícias: a atualização ao longo do dia.

Todo dia cedo, o leitor vai encontrar online o conteúdo do jornal impresso. E depois, à medida em que as horas passam, pretendemos ir oferecendo informações novas e a atualização das informações publicadas. Como todo bom portal de notícias. O objetivo é oferecer ao leitor uma alternativa regional aos grandes portais de notícias, como o G1 e o ClicRBS. Com a cara e o jeitão peculiares do Diarinho.

Claro que, primeiro, vamos ter que nos preocupar com o funcionamento correto de todo o portal, que tem inúmeras páginas, centenas de oportunidades de interação com o leitor e representa, para uma redação que há 30 anos lida apenas com jornal impresso, uma importante mudança cultural. Mas eu, particularmente, estou otimista com a possibilidade de termos, em poucos meses, um volume de atualizações satisfatório, capaz de fazer com que o portal seja colocado nos preferidos de muitos milhares de leitores, para várias consultas ao longo do dia.

Bom, era isso. Por enquanto. Só queria compartilhar com vocês a alegria de participar dessa nova empreitada.

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  • 03 dez 2009
  • Postado por Tiago

TOLERÂNCIA ZERO!

Nossas autoridades de segurança e mesmo as outras, de vez em quando falam na tal de “tolerância zero”, política que reduziu a criminalidade em Nova Iorque. Chegaram a trazer o ex-prefeito Giuliani, pra fazer palestra e dar palpite (quem pagou? nós, é claro). Mas afinal, o que é essa “tolerância zero” que tanto eles falam?

CRIME COMO EPIDEMIA

Estava lendo o “The Tipping Point”, do Malcolm Gladwell (Little Brown, 2000), mais interessado nos aspectos relacionados à comunicação. Ele discute o que faz algumas idéias ou produtos virarem mania. O que leva uma coisa a se disseminar como se fosse um vírus, fazendo livros virarem bestsellers, produtos esgotarem nas prateleiras e as pessoas agirem de determinada forma. No Brasil o livro foi publicado pela Rocco, com o título “Ponto de Desequilíbrio”.

E a certa altura ele fala no caso de Nova Iorque. Afinal, nos anos 80, os índices de violência e criminalidade atingiram proporções epidêmicas. Por ano, cerca de 2 mil assassinatos e 600 mil registros de ocorrências graves.

No metrô, a situação era caótica. Os trens, totalmente pichados, por dentro e por fora, sujos, atrasavam regularmente. Em 1984 havia uma pane séria no sistema de metrô todos os dias. Incêndios e descarrilamentos eram comuns. Coisa de semana sim, outra também. Nesse ano eram seis mil vagões pichados, em praticamente todas as linhas.

Pular a catraca virou esporte nacional. Ninguém mais pagava o metrô. A companhia de tráfego calculou as perdas anuais em cerca de R$ 150 milhões, só com a malandragem viajando sem pagar. Em algumas estações, os espertos estragavam a maquineta onde se devia colocar a ficha para entrar no metrô e ficavam, numa das catracas abertas, “cobrando” a entrada. O cidadão de bem não tinha outra saída, a não ser entregar a ficha pro espertalhão e entrar sem rodar a catraca.

Os registros de assaltos, agressões e outros crimes no metrô chegaram, no final da década, a 20 mil por ano. Andar de metrô em Nova Iorque era uma aventura arriscada.

Esta era a situação, classificada como “a pior epidemia de crimes da história da cidade”. O inferno parecia não ter fim e a criminalidade crescia ano a ano até 1990, quando começou a decrescer vertiginosamente.

POR QUÊ?

O que teria acontecido? Não houve um transplante de população. Ninguém saiu de casa em casa ensinando os potenciais delinquentes o que era certo ou errado. Havia, no início dos anos 90, o mesmo número de tarados, criminosos, gente com todo tipo de distúrbio psicológico que durante os anos 80. O que teria levado essa gente a de repente parar de cometer crimes?

A resposta, acha Gladwell, está no que ele chama de “poder do contexto”. As epidemias são sensíveis às condições e circunstâncias do tempo e do espaço em que elas ocorrem.

Nos anos 90 a redução da criminalidade em Nova Iorque foi maior e mais rápida que no resto do país.

JANELA QUEBRADA

Uma das candidatas mais sérias a explicar a queda da criminalidade em Nova Iorque é a “teoria da janela quebrada”. Ela foi formulada pelos criminologistas James Q. Wilson e George Kelling e em resumo diz o seguinte: o crime é o resultado inevitável da desordem.

Se uma janela é quebrada e ninguém a conserta, os passantes vão concluir que ninguém se importa com aquilo e que não tem ninguém cuidando dali. Em pouco tempo, mais janelas serão quebradas e o sentimento de anarquia vai se espalhar do edifício para a rua em frente, enviando um sinal claro de que vale tudo. Verdadeiros convites para crimes mais sérios.

Ahá, começamos aí a entrar nas raízes da tal história de “tolerância zero”.

Wilson e Kelling dizem que trombadinhas e batedores de carteiras sentem-se mais à vontade para “trabalhar” em ruas ou bairros onde a população já esteja intimidada pelas condições de pouca segurança. Sabem que o transeunte que for roubado não terá ânimo, nem coragem, de chamar a polícia, muito menos de identificar quem o roubou. E sequer pensará em interferir, quando vir alguém sendo roubado.

O crime, portanto, é contagioso. Pode começar com uma janela quebrada e se espalhar pela cidade inteira.

A LIMPEZA DO METRÔ

Na metade dos anos 80, Kelling foi contratado pelo departamento de Trânsito de Nova Iorque como consultor. E começou a pressionar para que a teoria da janela quebrada fosse posta em prática. Isso começou a se tornar possível quando um novo diretor, David Gunn, foi encarregado de administrar uma reconstrução bilionária do sistema de metrô.

Muita gente, na época, achava que as pichações eram o menor dos problemas e que não valia a pena perder tempo com isso. Seria como se, no Titanic indo a pique, alguém resolvesse lavar o convés. Mas Gunn insistiu que “as pichações (os graffiti) são o símbolo do colapso do sistema”. Sem vencer a batalha das pichações, acreditava ele, todas as reformas e mudanças passariam em branco, como se nunca tivessem acontecido.

TEIMOSIA

Eles começaram limpando um carro do metrô depois do outro. Nos de aço inoxidável, usavam solventes, nos que eram pintados, pintavam por cima da sujeira. E depois que um carro tinha sido recuperado, cuidavam para que não fosse novamente pichado. Eles montaram, em finais de linha, “centrais de limpeza”. Se um carro chegasse ali com uma pichação, não voltaria a transitar antes de ser limpo.

Eles levaram seis anos (de 1984 a 1990), para limpar todos os carros. Fico imaginando, aqui nesta nossa terrinha abençoada, uma ação de governo do tipo desta, sendo mantida por tanto tempo.

EXEMPLO

O segundo estágio da recuperação do sistema de metrô começou com a entrada de William Bratton como chefe da polícia do departamento de trânsito. Discípulo da teoria da janela quebrada e de Kelling, Bratton encontrou uma maneira criativa para combater os crimes cometidos no metrô, a começar pela falta de pagamento da passagem.

Não parecia produtivo prender aqueles que pulavam a catraca, porque para levá-los à delegacia perdiam quase o dia todo e o sujeito estaria solto logo.

Em algumas estações, Bratton colocou policiais a paisana (no mínimo dez em cada equipe), prendendo os malandros um a um. O sujeito passou sem pagar, era preso. A “turma” era algemada uns nos outros e deixada ali mesmo, na estação, à vista de todos, até ter uma penca numerosa.

Os usuários, ao ver aquilo, recebiam uma mensagem clara: alguma coisa está sendo feita. Um velho ônibus foi transformado em delegacia móvel e ia a cada uma das estações onde tivesse uma penca, para registrar as ocorrências e checar a ficha de cada um. Mesmo que dali a pouco os malandros estivessem livres, sentiram que o ambiente estava mudando. As coisas já não eram assim tão fáceis.

Entre aqueles presos por pular a catraca, a polícia descobriu que um em cada sete, em média, tinha um mandado de prisão por um crime anterior. Um em cada 20, estava armado.

Esta prática durou de 1990 a 1994. Mas a polícia do departamento manteve o foco nas pequenas infrações, prestando atenção nos detalhes do dia-a-dia do metrô.

Com a eleição do prefeito Rudolph Giuliani, em 1994, Bratton foi nomeado chefe de polícia da cidade. E usou, no restante da cidade, as mesmas estratégias que tinha aplicado, com sucesso, no metrô.

Lavadores de parabrisas nos cruzamentos (sim eles também tinham isso), gente que mijava na rua, bêbados arruaceiros, garrafas jogadas na rua, nenhum delito era pequeno demais para a polícia. Sem o ambiente propício, sem janelas quebradas, o que parecia incontrolável começou a entrar nos eixos e assumir dimensões menos assustadoras.

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  • 01 dez 2009
  • Postado por Tiago

REI ARTHUR DA SILVEIRA

Governo em final de mandato é uma bosta: ninguém mais está ligando e aquele pessoal de bom senso que poderia dar conselhos úteis nem aparece mais.

Ontem o governador LHS inaugurou uma salinha de onde pretende acompanhar os assuntos principais neste mês de governo que lhe resta (ninguém garante que o Pavan vá utilizar a mesma saleta).

É um arremedo do que, em países organizados, se chama de ?situation room?, uma sala de crise, onde se reúne o primeiro escalão para tomar decisões urgentes e importantes.

Dali é posível entrar em contato com todo o ?staff?, por vários meios, inclusive por video-conferência e também deve ser possível visualizar todas as informações relevantes, de uma planilha de dados a um relatório sigiloso.

É uma sala como tantas outras, que existe em organizações privadas e públicas. Uma ferramenta administrativa a mais. Mas no reino encantado em que vivemos, algum gênio da fantasia tinha que chamar esse espaço de ?Távola Digital?. Pode?

A alusão, óbvia, é à Távoal Redonda onde o Rei Arthur reunia seus cavaleiros. Daí, tive que paramentar LHS como o monarca medieval que ele (ou alguns de seus assessores) pretendem que ele seja, ao pilotar Santa Catarina a bordo de uma mesa com tampo de granito que nem redonda é. E nós, os súditos, somos os bobos da corte.

E O DIÁRIO OFICIAL?

É muita cara de pau o governo dizer que ?Santa Catarina está na vanguarda no uso de ferramentas eletrônicas?, se eles não conseguem nem colocar na internet o Diário Oficial.

Dar transparência aos atos administrativos, permitindo o acesso fácil e universal ao registro oficial do que o governo está fazendo seria, isso sim, um avanço.

Agora, manter o estado na escuridão medieval do DOE de papel é retrocesso. Causado por incompetência tecnológica. Ou má fé. Você escolhem.

JUAREZ SE DEU BEM

O ministro catarinense no STJ, Jorge Mussi, caneteou a liberação dos bens do ex-vereador Juarez Silveira, um dos principais envolvidos na operação Moeda Verde. Vai receber de volta sua querida camionete Jeep Cherokee.

Vão ser liberados, segundo o acórdão assinado pelo ministro catarinense (que já foi presidente do TJ e governador interino), também alguns bens da mulher do Juarez.

Nada como ter conhecidos em posições importantes? quando por mais nada, porque já conhecem o caso, os personagens e suas circunstâncias e podem decidir mais rapidamente. Fora isso, o processo da Moeda Verde continua a passos de cágado. Arrastando-se.

A Távola Digital do LHS

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LHS DE CAVALEIRO

?O governador Luiz Henrique deu início, nesta terça-feira (1º/12), às atividades da Távola Digital – Sala de Situação 2.0., no Centro Administrativo do Governo do Estado. A sala servirá como um local de suporte para ações estratégicas, disponibilizando informações que agilizem os processos de tomada de decisão em reuniões e situações de planejamento e emergência. No último dia 20 de novembro, Luiz Henrique havia apresentado o projeto aos membros do Conselho Consultivo Superior do Governo do Estado (Consult). A iniciativa corrobora a posição de Santa Catarina como estado de vanguarda no uso de ferramentas eletrônicas?.

ACREDITE SE QUISER: O TEXTO ACIMA FOI DISTRIBUÍDO PELO GOVERNO

Por que simplificar se dá pra complicar?

 deolho-tavolaLHS

LHS e seus gênios da informática na tal ?Távola Digital?, que nada mais é que uma mesa pra assistir TV, apresentações multimídia,videos e outros parangolés. Ô gente pra gostar de inventar moda!

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  • 01 dez 2009
  • Postado por Tiago

cesar-deolho01-12-2009

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  • 31 out 2009
  • Postado por Tiago

CESAR-deolho31-10-2009

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  • Postado por Tiago

deolho30-cruzeiro

Pedaço 1:turismo

Se tem uma coisa chata, numa viagem de turismo, é fazer as malas, mudar de hotel, desfazer as malas e no dia seguinte começar tudo de novo. Este é um dos motivos pelos quais sou fã dos cruzeiros marítimos: a gente chega no ?hotel? desfaz as malas e o ?hotel? é que viaja, visitando as cidades.

Só no final do passeio é que se empacota tudo e parte pra outra. Durante a viagem, o quarto continua o mesmo, a cama a mesma, só a paisagem que muda. Côsa linda!

Os lugares que a gente visita, nas escalas do navio, também não têm do que se queixar. Um monte de gente desce do ?hotel? descansado, querendo ver novidade, levar lembrancinhas e conhecer um pouco daquela região.

MAS…

Em Florianópolis, algum cabeça de motim inventou que os cruzeiros tiram clientes ?dos resorts? (o plural é bobagem, porque na Ilha só tem um, o Costão do Santinho). E aí, a associação dos hoteleiros comprou a briga: somos provavelmente o único destino turístico do mundo que não só não quer receber navios de cruzeiro, como também combate abertamente esse segmento da indústria turística.

Uma insensatez. Um despautério. Uma, com o perdão da palavra, burrice inominável.

Os argumentos dos que são contra os cruzeiros não se sustentam, diante das histórias de sucesso dos locais que acolhem adequadamente esses hotéis flutuantes.

Isso de que devemos impedir os navios de cruzeiro de atracar na nossa ilha para não prejudicar o Costão do Santinho, só demonstra uma coisa (além da já comprovada falta de visão): esse pedaço tem dono.

E, como tem dono, não é possível que idéias mais arejadas circulem, que iniciativas de diversificação turística prosperem. E enquanto os donos do pedaço e seus amigos não tirarem, das suas cabeças duras, essas idéias provincianas, atrasadas e isolacionistas, tudo continuará dessa forma surrealista: a ilha com maior potencial turístico do sul do mundo, dispensa os cruzeiros turísticos e seus milhares de turistas.

Pedaço 2: comunicação

Uma das áreas da atividade humana que está mudando mais rapidamente é a dos meios de comunicação. Há novas formas de publicar, novas formas de obter informação, novas formas de interagir, novas formas de ganhar dinheiro e novos públicos, com diferentes demandas. Está tudo em movimento.

Seria natural, portanto, que as pessoas de bom senso aproveitassem as oportunidades para debater, discutir e tentar conhecer melhor o que está acontecendo.

O governo vai promover uma Conferência Nacional de Comunicação, que naturalmente não será o evento definitivo, mas pode ser uma oportunidade de começar a debater e de conhecer o pensamento de vários setores a respeito.

Afinal, lá estarão cerca de 1.700 delegados, sendo 40% das empresas de comunicação, 40% da ?sociedade civil organizada? (o que quer que isso signifique) e 20% de órgãos do governo.

Mas…

Santa Catarina atendeu, de cabeça baixa, os apelos das entidades empresariais de comunicação que estão boicotando (sem muito sucesso) a conferência, e nem o governo estadual, nem a assembléia legislativa, convocaram a etapa local nos prazos iniciais.

Depois que o estado apareceu numa lista nada lisonjeira de ?inadimplentes? com esse compromisso político-social, parece que o governo fez de conta que se mexeu. Sem grande empenho, contudo.

Em todo caso, há uma comissão organizadora, nomeada agora no início de outubro, que prepara a conferência estadual marcada para os dias 14 e 15 de novembro, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Inscrições e informações no site www.comunica-sc.org.br/

Corremos o risco de ficar de fora das grandes discussões. Ontem, em Brasília, numa rodinha do Ministério das Comunicações, esse fenômeno catarinense estava sendo comentado com bom humor (fora SC, apenas estados do norte estão desmobilizados). Alguém dizia que a RBS, definitivamente, não é mais a mesma: porque não conseguiu fazer com que o Rio Grande do Sul, onde está sua matriz, ficasse de fora da Conferência. Só teria conseguido calar Santa Catarina.

Isso é uma brincadeira, naturalmente, porque a RBS nem precisou fazer grande força para transformar Santa Catarina num baluarte da apatia e do desinteresse pelo debate sobre comunicação: ninguém, entre as lideranças políticas e institucionais, está muito preocupado com isso.

É possível que se discutam, na conferência nacional, alguns marcos regulatórios, tanto para os meios de comunicação tradicionais, quanto para a internet e outras mídias. Mas as lideranças políticas e institucionais do estado, ao que parece, vivem na idade da pedra lascada, das matérias pagas, da ?mídia a favor? e do permanente recurso à censura judicial para calar os que incomodam. Não têm o menor interesse em avançar. Em integrar-se ao novo mundo.

Se, ao menos, a omissão catarinense se devesse a um movimento revolucionário do tipo ?não participaremos de nada que os petralhas estejam organizando?, pelo menos haveria alguma justificativa. Mas não é nada disso. É omissão preguiçosa, alienada e irresponsável.

Resta saber, nesta área, quem são, de fato, os donos do pedaço. A quem interessa essa situação vergonhosa de não querer discutir a comunicação? A quem aproveita que Santa Catarina não leve, à conferência, posições a respeito de coisa alguma? Poderíamos ir para combater as rádios comunitárias ou para combater a mídia golpista, para fazer qualquer coisa, mas não deveríamos calar, impotentes.

Dependendo do que acontecer na Conferência Estadual (convocada na marra, depois que executivo e legislativo fizeram-se de mortos), saberemos se os delegados levarão alguma posição relevante e representativa ou apenas ficarão quietos, num canto, remoendo essa estranha e conveninente falta de interesse sobre temas de tamanha importância.

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  • 29 out 2009
  • Postado por Tiago

A falta que o bom senso faz…

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A FOTO DO FATO ? A foto acima (colhida no site da prefeitura exatamente como está, meio espremida, com pouca resolução e sem crédito para o fotógrafo), mostra o exato momento em que o prefeito dá a entrevista para a rádio CBN Diário a que me refiro no texto e gesticula para explicar alguma coisa. Fazer gestos, no rádio, é coisa que ajuda bastante…

Uns poderão dizer que não é o bom senso que anda escasso, que o que falta é educação, respeito, consideração. Mas hoje é quarta-feira, estou bem-humorado, esperando o sorteio da mega-sena e não pretendo ofender ninguém. Continuarei dizendo que o que está em falta é apenas o bom senso.

Já esclareço melhor esta história. A Marli Henicka, jornalista e artista gráfica, mandou um comentário/pergunta que sintetiza bem o caso e serve de introdução para o que eu gostaria de dizer:

?O pessoal que coordena os serviços de recuperação do asfalto da SC 401 (no norte da ilha) não poderia, tipo assim, começar os trabalhos um pouco mais tarde tipo umas oito e meia por exemplo? Aí, todo mundo que tem que ir trabalhar, pra escola, pro médico, ou simplesmente passear no calçadão da Felipe, sai cedo de casa, passa pela obra, dá um bom dia feliz pros trabalhadores, NÃO PRECISA FICAR UMA HORA PARADO e ninguém se estressa? que tal??

Esse tipo de atenção, de cuidado, com o bem estar do eleitor/contribuinte é algo que não se vê na administração municipal. Tem Guarda Municipal, Ipuf, Igeof, Sec disto, Sec daquilo, diretores, gerentes e milhares de aspones, mas nem um só parece preocupado em encontrar pequenas e baratas soluções para amenizar os problemas. Como esta sugestão da Marli: por que começar às sete e meia a bloquear o trânsito? Por que não começar um pouquinho mais tarde e avisar adequadamente à população? Quem tivesse compromisso, sairia um pouco mais cedo e pronto.

?Ah, mas a empreiteira tem horário pra trabalhar, não vai ficar pagando operário á toa?, deve ser a explicação burocrática e insensível da prefeitura. Ou coisa parecida. A população, o usuário, o eleitor, o contribuinte, são deixados em último lugar, na hora de organizar o trabalho, a agenda e as preocupações. Falta-lhes, às ?autoridades?, justamente o bom senso.

Em algumas ocasiões, parece que não há apenas escassez de bom senso: há falta de qualquer tipo de senso. Porque nada faz sentido. Assim como não faz sentido essa chorumela do homem das empreiteiras, de que não dá pra fazer nada à noite por causa da ?umidade relativa do ar?. Há alguns meses um outro defensor das empreiteiras, em nível municipal, dizia que não dava pra fazer nada à noite porque os moradores da beira-mar norte iriam reclamar do barulho (como se a prefeitura tivesse qualquer tipo de consideração ou respeito pelos moradores dali: autoriza, a todo momento, shows e bagunças diversas, com milhões de decibéis acima do barulho de uma máquina de asfaltamento). São explicações que não fazem o menor sentido. Não há, aí, nem mau senso, nem bom senso.

Ouvi o prefeito Dário falar no rádio, ontem de manhã, com aquele seu vocabulário característico de quem matou as aulas de português no ginásio e está com a leitura atrasada (a leitura atenta de uma meia dúzia de obras básicas, vocês sabem, ajuda bastante na fluência verbal e enriquece o vocabulário). Diz sua Excelência coisas que carecem de bom senso, quando se refere à palavra da moda, ?mobilidade urbana?. Assume uma posição defensiva que parece desproporcional: não vejo tanta gente reclamar, nem são tantos os que criticam publicamente o que a prefeitura faz ou deixa de fazer. Mas ele sempre começa a falar como se tivesse que justificar-se diante de algum tribunal e não como quem, com a autoridade que possui, usasse a oportunidade explicar, informar e convencer o contribuinte-eleitor do acerto de suas metas e da correção de suas atividades.

O bloqueio da Paulo Fontes, por exemplo, é uma medida que tem mais pontos positivos do que negativos. Mas, mesmo assim, cada vez que abre a boca (pelo menos nas vezes que ouvi), o prefeito se defende o tempo todo de hipotéticos acusadores, de gente que o quer derrotar. Devem ser fantasmas políticos que o assombram, mas que a gente, aqui de fora, não vê.

O MEDO DE DECIDIR

Outra coisa que me deixou assustado, na breve entrevista de ontem, na CBN, foi a informação do concurso que a prefeitura quer fazer para escolher um projeto de urbanização para o entorno da travessia de pedestres (na verdade é para o entorno do Mercado, mas como o foco parece ser a solução daquele problema criado pela localização do terminal, é melhor tratarmos do caso dessa forma).

É interessante fazer concursos desse tipo. O que demonstra a falta de bom senso do prefeito, foi ele ter dito que, dentre os concorrentes, escolherão aquele ?que a comunidade gostar mais?. Que bobagem! A comunidade não tem que administrar a cidade diretamente: ela elegeu representantes para isso. E nem todos, na cidade, nas associações disto e daquilo e nas vizinhanças, podem ler plantas, croquis e memoriais e visualizar corretamente o que representam. Há, ainda, a decisão política que precisa ser tomada.

Ao transferir para ?a comunidade? da região a responsabilidade pela escolha do projeto, o prefeito demonstra fraqueza, indecisão, sob uma capa nada lisonjeira de demagogia. O concurso, a prevalecer a explicação insensata do Dário, seria quase como uma feira de ciências na escola média: os projetos seriam pendurados numa parede, e os ?proprietários? dos boxes do camelódromo e do mercado e mais uma meia dúzia de vizinhos, talvez alguma associação de usuários de ônibus, passariam por ali e escolheriam o que achassem ?mais legal?. Se, depois, se mostrasse um mau projeto, lavaria mais uma vez as mãos o prefeito: ?eles que escolheram?.

Os administradores públicos são eleitos para apresentar soluções, para decidir por nós, para usarem do bom senso e tornarem a vida, na cidade, melhor a cada ano. Não para abdicar do mandato a cada grande pepino que encontram pela frente, transferindo para ?a comunidade? o ônus de escolher a melhor saída. Com medo, pavor e pânico de contrariar alguém e aí perder votinhos, que seriam preciosos para a construção da ?carreira política? (lamentavelmente, a única e fundamental preocupação de tantos ?homens públicos?).

Até para construir uma ?carreira política? bem sucedida é preciso ter um pouco de bom senso. Senão, um dia, a casa cai.

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  • 28 out 2009
  • Postado por Tiago

CESAR-deolho28-10-2009

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  • 28 out 2009
  • Postado por Tiago

Febre &tremedeira

Não tem o deputado Jorginho Mello, que quando governador em exercício, numa festa de Nossa Senhora (sua santa de devoção), caiu do palanque e se machucou?

Pois é. Parece que ele não entendeu ou não atendeu o recado da santa (“Vai com menos sede ao pote, Jorginho”) e andou por tudo quanto era lado, aproveitando ao máximo a máquina do governo para estar em vários municípios a cada dia.

Resultado: baixou hospital com 40 graus de febre, tremedeira e uma infecção no osso que tinha trincado. Diagnóstico? Falta de repouso. Não obedeceu nem à santa nem aos médicos e agora vai ter que ficar uns dias de molho à base de antibióticos.

Certamente ele dirá que valeu a pena. Com os rapapés e visitinhas que fez enquanto esteve governador, conta como certa sua reeleição como deputado estadual, no mínimo.

Exposição & controvérsia

Todo assessor de “comunicação & marketing” de político acha que faz um excelente trabalho. Quando o candidato não está bem nas pesquisas ou na fotografia, provavelmente é por causa de alguma coisa que ele ou ela fez, desobedecendo os bons conselhos do assessor.

Ontem circulou uma carta do jornalista Paulo Arenhart, informando que estava se demitindo da assessoria do Dr. Moreira. Olha só:

“Comunico aos amigos que desde a última sexta-feira estou fora da equipe de comunicação do presidente do PMDB, Dr. Eduardo Pinho Moreira. Motivo: rompimento de contrato. Sem ressentimentos, vou tratar de outros projetos pessoais, mais rentáveis, estáveis e compromissados.

Obrigado a todos pelas parcerias neste período. Acredito que os resultados desta assessoria de Comunicação e Marketing, no período de 6 meses, trouxeram resultados significativos ao candidato do PMDB, com uma exposição sem precedentes na mídia do Estado.”

Notaram que o ex-assessor deu uma canelada no ex-cliente, com aquela história de “rompimento de contrato”, né? Isso é grave: o encarregado de falar bem do Dr. Moreira sai do emprego dizendo que o Dr. Moreira não tem palavra! E nem explica direito, o que dá chance a que os adversários imaginem qualquer coisa. Desde que ele parou de pagar os salários do assessor, até outras coisas mais cabeludas.

E depois, aquela afirmação que o trabalho dele, nos últimos seis meses, resultou “numa exposição sem precedentes na mídia do Estado” é, no mínimo, curiosa. O Dr. Moreira tem vivido, nos últimos meses, uma espécie de inferno astral midiático: teve a saída da Celesc, tem o governador LHS puxando o tapete, tem o Dário querendo ocupar a vaga, teve a casssação do braço-direito, Gentil da Luz, prefeito de Içara. A menos que eu esteja muito mal informado, mas faz tempo que não leio nada positivo sobre o Dr. Moreira. É pau puro, o tempo todo. Fogo amigo, fogo inimigo, um desastre.

Não seria de surpreender, portanto, que o presidente do PMDB e ainda candidato a governador trocasse sua equipe de comunicação. Mas é surpreendente que o cara saia atirando. Como se quisesse completar o serviço e enterrar de vez a imagem do assessorado.

Calote & medalha

A Barca dos Livros é um projeto cultural dos mais interessantes: uma biblioteca flutuante, para levar leitura, lazer e entretenimento às comunidades situadas em torno da Lagoa da Conceição.

Enquanto não tem o barco adequado, foi colocada em funcionamento a base, uma espécie de sede em terra firme, no centrinho da Lagoa. Que já oferecia muitas atrações e promovia muitos eventos, de grande sucesso.

Todos os esforços tem sido feitos para viabilizar o projeto. As devidas inscrições nos programas de incentivo cultural foram feitas. Mas parece que, quando os governos estadual e municipal tiveram que cumprir prazos acertados de repasse do dinheiro, a canoa começou a fazer água.

A turma que administra o projeto chegou a publicar um manifesto informando que, por falta de cumprimento, pelo governo, do que ficou acertado, tinham que reduzir os horários de atendimento.

Pois bem, imaginem o espanto de todos ao constatar, no Diário Oficial do Estado do dia 8 de outubro, que na lista das pessoas e entidades homenageadas com a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza, aparece encabeçando a lista, justamente a Barca dos Livros.

Não sei o que a direção pensa a respeito, mas imagino que prefiram o repasse correto e no prazo correto das verbas acertadas, do que dar o calote e “compensar” com uma medalha, que não paga contas.

TUCANOS & PEEMEDEBISTAS

Um leitor, muito maldoso, tem uma versão toda especial para este problema da Barca: quem libera dinheiro da cultura é o PSDB e a turma da barca teria ligações com o PMDB (que faz a lista das medalhas). Como a tal tríplice aliança já dançou, a verba atrasou.

Critérios & prioridades

O fluxo de dinheiro dos fundos e do tesouro no governo LHS obedece a critérios e prioridades misteriosas. Há projetos que sofrem para receber, precisam recorrer a Deus e todo mundo pra poder ver a cor do dinheiro (se não tinha ou não queria dar, por que aceitaram o projeto, aprovaram o projeto e prometeram o recurso, né não?).

E tem algumas pessoas e entidades que nem precisam fazer força. O governo até parece que vai atrás, insistindo para que recebam o dinheiro. Antecipadamente, ou quando acharem melhor. Mas sempre em dia. E nem precisa de muita papelada ou de muito rigor.

Sem falar que o governo patrocina, com o nosso dinheiro, praticamente tudo. Desde tenores milionários para abrilhantar a campanha eleitoral do prefeito da capital, a um peculiar congresso de “Turismo Odontológico”!

Para esse evento demos “só” R$ 50 mil, mas resta a curiosidade sobre que tipo de coisa se faz em turismo odontológico? Viagem às bocas das diferentes etnias? Especificidades geográficas bucais? (Já, já, na nota seguinte, explico).

Outra demonstração da amplitude da generosidade governamental, é que, para a Invernada Campeira Amizade Sem Fim, de São Lourenço do Oeste, a gente deu R$ 15 mil para que eles comprassem as indumentárias. As pilchas. A roupinha do tradicionalismo gaúcho.

Nada contra, mas só um governo que tem dinheiro sobrando, consegue distribuir dessa forma, tanta grana. Enquanto isso, algumas coisas secundárias, como escolas, hospitais, estradas, segurança pública, etc, ficam chupando o dedo, morrendo de inveja do pessoal sortudo que tem bons amigos, ou bons canais, no governo.

PRAIAs & BROCAs

O tal turismo odontológico é uma jogada de marketing de um setor da odontologia (no Brasil parece que os fãs mais entusiasmados são da turma dos implantes dentários).

Em vários países do mundo são oferecidos tratamentos dentários como parte de pacotes de férias. Já que o sujeito vai ficar duas semanas de pernas para o ar, aproveita e fica uns dias de boca aberta. Na Europa, a Hungria e Portugal se destacam.

Aqui, a aposta está nos preços baixos (em comparação com o mercado internacional). Parece que há interesse em atrair estrangeiros dispostos a curtir um clima tropical enquanto pagam baratinho por um implante que custaria quase o dobro nos seus países de origem.

A principal crítica que os próprios odontólogos mais sensatos fazem a este tipo de “promoção”, é que muitos dos tratamentos podem necessitar, depois, de um acompanhamento. O profissional que atende o turista não terá como dar seqüência. Quem vai pegar o bonde andando, depois, será um outro profissional. E isso nem sempre dá certo.

Voltando à vaca-fria: o turismo odontológico e seus seminários, congressos e reuniões, portanto, são atividades essencialmente privadas, de interesse específico de um certo grupo de profissionais e fornecedores. Por que, pergunto eu e todos os contribuintes catarinenses, por que temos que dar dinheiro público para eles?

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