• 27 out 2009
  • Postado por Tiago

FEBRE &TREMEDEIRA
Não tem o deputado Jorginho Mello, que quando governador em exercício, numa festa de Nossa Senhora (sua santa de devoção), caiu do palanque e se machucou?
Pois é. Parece que ele não entendeu ou não atendeu o recado da santa (“Vai com menos sede ao pote, Jorginho”) e andou por tudo quanto era lado, aproveitando ao máximo a máquina do governo para estar em vários municípios a cada dia.
Resultado: baixou hospital com 40 graus de febre, tremedeira e uma infecção no osso que tinha trincado. Diagnóstico? Falta de repouso. Não obedeceu nem à santa nem aos médicos e agora vai ter que ficar uns dias de molho à base de antibióticos.
Certamente ele dirá que valeu a pena. Com os rapapés e visitinhas que fez enquanto esteve governador, conta como certa sua reeleição como deputado estadual, no mínimo.

EXPOSIÇÃO & CONTROVÉRSIA
Todo assessor de “comunicação & marketing” de político acha que faz um excelente trabalho. Quando o candidato não está bem nas pesquisas ou na fotografia, provavelmente é por causa de alguma coisa que ele ou ela fez, desobedecendo os bons conselhos do assessor.
Ontem circulou uma carta do jornalista Paulo Arenhart, informando que estava se demitindo da assessoria do Dr. Moreira. Olha só:
“Comunico aos amigos que desde a última sexta-feira estou fora da equipe de comunicação do presidente do PMDB, Dr. Eduardo Pinho Moreira. Motivo: rompimento de contrato. Sem ressentimentos, vou tratar de outros projetos pessoais, mais rentáveis, estáveis e compromissados.
Obrigado a todos pelas parcerias neste período. Acredito que os resultados desta assessoria de Comunicação e Marketing, no período de 6 meses, trouxeram resultados significativos ao candidato do PMDB, com uma exposição sem precedentes na mídia do Estado.”
Notaram que o ex-assessor deu uma canelada no ex-cliente, com aquela história de “rompimento de contrato”, né? Isso é grave: o encarregado de falar bem do Dr. Moreira sai do emprego dizendo que o Dr. Moreira não tem palavra! E nem explica direito, o que dá chance a que os adversários imaginem qualquer coisa. Desde que ele parou de pagar os salários do assessor, até outras coisas mais cabeludas.
E depois, aquela afirmação que o trabalho dele, nos últimos seis meses, resultou “numa exposição sem precedentes na mídia do Estado” é, no mínimo, curiosa. O Dr. Moreira tem vivido, nos últimos meses, uma espécie de inferno astral midiático: teve a saída da Celesc, tem o governador LHS puxando o tapete, tem o Dário querendo ocupar a vaga, teve a casssação do braço-direito, Gentil da Luz, prefeito de Içara. A menos que eu esteja muito mal informado, mas faz tempo que não leio nada positivo sobre o Dr. Moreira. É pau puro, o tempo todo. Fogo amigo, fogo inimigo, um desastre.
Não seria de surpreender, portanto, que o presidente do PMDB e ainda candidato a governador trocasse sua equipe de comunicação. Mas é surpreendente que o cara saia atirando. Como se quisesse completar o serviço e enterrar de vez a imagem do assessorado.

CALOTE & MEDALHA
A Barca dos Livros é um projeto cultural dos mais interessantes: uma biblioteca flutuante, para levar leitura, lazer e entretenimento às comunidades situadas em torno da Lagoa da Conceição.
Enquanto não tem o barco adequado, foi colocada em funcionamento a base, uma espécie de sede em terra firme, no centrinho da Lagoa. Que já oferecia muitas atrações e promovia muitos eventos, de grande sucesso.
Todos os esforços tem sido feitos para viabilizar o projeto. As devidas inscrições nos programas de incentivo cultural foram feitas. Mas parece que, quando os governos estadual e municipal tiveram que cumprir prazos acertados de repasse do dinheiro, a canoa começou a fazer água.
A turma que administra o projeto chegou a publicar um manifesto informando que, por falta de cumprimento, pelo governo, do que ficou acertado, tinham que reduzir os horários de atendimento.
Pois bem, imaginem o espanto de todos ao constatar, no Diário Oficial do Estado do dia 8 de outubro, que na lista das pessoas e entidades homenageadas com a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza, aparece encabeçando a lista, justamente a Barca dos Livros.
Não sei o que a direção pensa a respeito, mas imagino que prefiram o repasse correto e no prazo correto das verbas acertadas, do que dar o calote e “compensar” com uma medalha, que não paga contas.

TUCANOS & PEEMEDEBISTAS
Um leitor, muito maldoso, tem uma versão toda especial para este problema da Barca: quem libera dinheiro da cultura é o PSDB e a turma da barca teria ligações com o PMDB (que faz a lista das medalhas). Como a tal tríplice aliança já dançou, a verba atrasou.

CRITÉRIOS & PRIORIDADES
O fluxo de dinheiro dos fundos e do tesouro no governo LHS obedece a critérios e prioridades misteriosas. Há projetos que sofrem para receber, precisam recorrer a Deus e todo mundo pra poder ver a cor do dinheiro (se não tinha ou não queria dar, por que aceitaram o projeto, aprovaram o projeto e prometeram o recurso, né não?).
E tem algumas pessoas e entidades que nem precisam fazer força. O governo até parece que vai atrás, insistindo para que recebam o dinheiro. Antecipadamente, ou quando acharem melhor. Mas sempre em dia. E nem precisa de muita papelada ou de muito rigor.
Sem falar que o governo patrocina, com o nosso dinheiro, praticamente tudo. Desde tenores milionários para abrilhantar a campanha eleitoral do prefeito da capital, a um peculiar congresso de “Turismo Odontológico”!
Para esse evento demos “só” R$ 50 mil, mas resta a curiosidade sobre que tipo de coisa se faz em turismo odontológico? Viagem às bocas das diferentes etnias? Especificidades geográficas bucais? (Já, já, na nota seguinte, explico).
Outra demonstração da amplitude da generosidade governamental, é que, para a Invernada Campeira Amizade Sem Fim, de São Lourenço do Oeste, a gente deu R$ 15 mil para que eles comprassem as indumentárias. As pilchas. A roupinha do tradicionalismo gaúcho.
Nada contra, mas só um governo que tem dinheiro sobrando, consegue distribuir dessa forma, tanta grana. Enquanto isso, algumas coisas secundárias, como escolas, hospitais, estradas, segurança pública, etc, ficam chupando o dedo, morrendo de inveja do pessoal sortudo que tem bons amigos, ou bons canais, no governo.

PRAIAS & BROCAS
O tal turismo odontológico é uma jogada de marketing de um setor da odontologia (no Brasil parece que os fãs mais entusiasmados são da turma dos implantes dentários).
Em vários países do mundo são oferecidos tratamentos dentários como parte de pacotes de férias. Já que o sujeito vai ficar duas semanas de pernas para o ar, aproveita e fica uns dias de boca aberta. Na Europa, a Hungria e Portugal se destacam.
Aqui, a aposta está nos preços baixos (em comparação com o mercado internacional). Parece que há interesse em atrair estrangeiros dispostos a curtir um clima tropical enquanto pagam baratinho por um implante que custaria quase o dobro nos seus países de origem.
A principal crítica que os próprios odontólogos mais sensatos fazem a este tipo de “promoção”, é que muitos dos tratamentos podem necessitar, depois, de um acompanhamento. O profissional que atende o turista não terá como dar seqüência. Quem vai pegar o bonde andando, depois, será um outro profissional. E isso nem sempre dá certo.
Voltando à vaca-fria: o turismo odontológico e seus seminários, congressos e reuniões, portanto, são atividades essencialmente privadas, de interesse específico de um certo grupo de profissionais e fornecedores. Por que, pergunto eu e todos os contribuintes catarinenses, por que temos que dar dinheiro público para eles?

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