• 06 maio 2009
  • Postado por Tiago

O SUPER-HIPER-MEGA EVENTO

Semana que vem o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC é a sigla do nome, em inglês, World Travel & Tourism Council) fará em Florianópolis sua reunião anual.

Acho que fui o primeiro a me assustar com a decisão do governador LHS (em agosto de 2008), aparentemente tomada de improviso, no calor do discurso num Painel RBS, de oferecer Florianópolis como sede do encontro. O susto era porque, do nada, de um minuto para outro, no meio de um evento transmitido ao vivo pela televisão, LHS criou uma despesa que, sou capaz de apostar, ele não tinha idéia do tamanho que teria. Dei àquela nota, apropriadamente (modestia à parte) o título de “Nasce uma idéia!”. Trecho:

“A RBS fez um painel sobre turismo e trouxe um figurão, o presidente do Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC), Jean-Claude Baumgarten. E, naturalmente, convidou o governador e várias outras autoridades, principalmente da área.

Pois ali, no meio da coisa, LHS teve uma idéia: “por que não trazer pra Florianópolis o congresso da WTTC?” E, da idéia à prática, foi um já. Segundo o Diário Catarinense de ontem, houve uma “pressão em público” do governador sobre o convidado, para que ele aceitasse incluir Florianópolis como uma das postulantes a sediar o congresso.”

Na última conta, o evento já custava mais de R$ 10 milhões (R$ 5 milhões do rico estado de SC, R$ 2,5 milhões da Embratur e R$ 2 milhões do Funturismo e da prefeitura de Florianópolis. Mas ainda está para ser liberada uma espetacular emenda orçamentária, do senador Neuto de Conto, que vai irrigar a horta do LHS e da turma do turismo governamental, com mais R$ 11 milhões. É dinheiro que não acaba mais!

CASO NACIONAL

Pois bem, na semana passada um artigo do diretor do Jornal de Turismo, Cláudio Magnavita (“Um evento de R$ 10 milhões”) caiu como uma bomba sobre o Centro Administrativo (pode ser lido em www.deolhonacapital.com.br). Era a primeira voz ligada ao “trade” que levantava objeções à realização do WTTC da forma como o governo catarinense a estava preparando. E na segunda-feira, o artigo foi publicado pelo Jornal do Brasil, um dos jornais nacionais que entra na clipagem (o álbum de recortes) da presidência, distribuída aos ministérios. Ou seja, um ventilador ainda maior.

Ele bate no custo do evento, que é muito alto: R$ 10 milhões para custear um encontro de 700 pessoas é muito dinheiro em qualquer lugar do mundo.

Mas o foco principal do Magnavita, pelo que entendi, é mesmo a Embratur. E Janine Pires, claro. Convidada por Marta Suplicy para assumir a presidência da Embratur, Janine Pires, dentro do Ministério do Turismo, é conhecida como “inadministrável”. E essa independência não é exatamente coisa que a faça ter muitos amigos. A intensa movimentação das asas da filha da Anita Pires, ao que parece, têm levantado mais poeira do que seria recomendável. Donde que as informações sobre as atividades da família da moça, levadas ao público nacional pelo artigo do Magnavita, surgem como especialmente apetitosas.

Um trecho do artigo, aliás, pode mesmo ser qualificado como acusação, embora tenha toda a aparência de uma simples constatação:

“Nesta história, entra o bem-intencionado governador Luiz Henrique, que, achando estar fazendo grande negócio para o futuro do estado, passou a criar oportunidade de gastos escancarados para os colaboradores, com contratações milionárias de empresas e a construção de arena de eventos, alugada com recursos do Fundo de Turismo.”

Isto de “criar oportunidades de gastos escancarados para os colaboradores” é, a meu ver, extremamente grave. Porque abre novas frentes de suspeitas e – se for o caso – de investigação: o agente político não pratica diretamente nenhum delito, mas o resultado de seus atos permite que alguém se locuplete. Digamos que ninguém faça isso. Mas criar oportunidades, num país com as nossas tradições, é meio caminho.

PRA ENCERRAR…

O problema da reunião do WTTC em Florianópolis não é apenas com dinheiro público. Há uma evidente supervalorização dos benefícios do evento para a cidade e o estado. Apresentado como um “divisor de águas” no turismo catarinense, certamente será apenas mais um dos tantos congressos, de todo tipo, que Santa Catarina tem hospedado. Virá gente importante, com muito poder, mas suas preocupações estão voltadas para os efeitos da crise em suas corporações e terão muito a falar entre si. Além disso, passarão pouquíssimo tempo por aqui. Os que tiverem mais saco, são até capazes de dar uma espiada no show do Roberto Carlos, mas também é possível que nem isso.

O parágrafo final do artigo poderia servir como pauta para a reportagem dos veículos de comunicação catarinenses, não fossem eles, em sua maioria, da rede/parceira do WTTC:

Apuração urgente

É necessário apurar o empenho pessoal da presidente da Embratur, a catarinense Jeanine Pires, em ressuscitar evento descartado pela sua ex-chefe, a ministra Marta. De analisar um possível conflito ético por sua mãe ser o braço direito de Gilmar Knaesel, secretário de Turismo e Cultura de Santa Catarina, que foi o órgão beneficiado com os efeitos do convênio de R$ 2,5 milhões. Apurar a prestação de contas dos gastos em nome do WTTC pelo governo do estado e Prefeitura de Florianópolis; o envolvimento da Federação dos Conventions Bureaus de Santa Catarina em outros convênios visando o WTTC; a participação do Fundo no aluguel da Arena do Costão do Santinho; e analisar as propostas que fazem parte da licitação obrigatória do convênio da Embratur.”

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