• Postado por Tiago

O velório de Alisson Machado, 16 anos, foi marcado pela revolta de familiares e vizinhos. O pessoal afirma que uma agressão policial acabou com a vida do guri, na tarde de quarta-feira, no bairro São Vicente, em Itajaí. Eles garantem que o menor nunca teve crise asmática, como informou a polícia Militar à imprensa.

O velório do guri rolou em sua casa, na rua Jaziel José Rosa, no loteamento Rio Bonito, no São Viça. Lá, os familiares garantiram que Alisson morreu após levar um pontapé no peito. O chute terai sido dado por um policial que revistava a casa do tio da vítima, onde havia suspeita de tráfico de drogas, na rua Alfredo Kleis, também no São Viça.

Muito emocionada com a perda de um dos sete filhos, Rosangela Aparecida dos Santos garante que o garoto trabalhava numa oficina e não tinha nenhum envolvimento com drogas. “Tudo que eu quero é justiça e saber por que eles fizeram isso”, lamenta.

Um primo do coitado, que tava junto na casa, presenciou a cena e contou com detalhes ao DIARINHO o que aconteceu. Segundo o jovem, Alisson passava na frente da casa do tio e estranhou a janela aberta, já que o dono da baia tava trampando. Assim que pulou a janela, pra ver o que tava rolando, teria sido recebido com um pontapé de um milico, que também teria dado choque no menino e na turma que tava por lá.

Quando viram o guri se tremendo, os policiais teriam se assustado e chamado os vermelhinhos. No local ainda tava uma garota que, segundo a testemunha, foi obrigada a mentir na delegacia, afirmando Alisson tinha problemas com asma. A garota, identificada como Taís, não tava no velório.

A família de Alisson também jura que a cena do crime foi forjada, já que não havia pedras de crack na casa, como dizem os milicos. Solange explica que o filho era saudável, fazia acompanhamento médico no posto de saúde do bairro, e nunca apresentou nenhum problema de asma. Na família só o tio, dono da casa em que o garoto morreu, tem este problema.

“No IML eles abriram o corpo e disseram que não tinha nenhum problema no pulmão, nem no coração. Não tinha nem indícios de que ele tomava medicamentos”, completa. No laudo do instituto Médico Legal (IML) entregue à família, a causa da morte é indeterminada. Os peritos não informaram se havia marcas de chute no peito do garoto.

A tia do coitado, Rita de Cássia dos Santos, fala que o menino nunca foi de festa, nem era chegado em porcarias. Ele tava trampando e saiu na tarde de quarta-feira pra comprar uma lixa a pedido do patrão. Rita diz que não tinha nenhuma baratinha da PM na frente da casa, na rua Alfredo Kleis, e o menino entrou pra ver porque a janela tava aberta. Os vizinhos confirmaram a versão da família e soltaram o verbo com o tratamento que a PM dá pra galera do Rio Bonito. Segundo o povão, eles estão sempre fazendo batidas e usando violência por aquelas bandas. “Isso tudo porque a gente é pobre, negro e mora no Rio Bonito”, lasca uma moradora.

A versão da PM pra morte do guri, publicada ontem no DIARINHO, é bem diferente. Os milicos contaram que o garoto entrou correndo na casa, conseguiu dizer seu primeiro nome e já caiu no chão com uma crise asmática. Ele foi socorrido e levado pro hospital, onde faleceu. Na casa foram presas quatro pessoas e encontradas 25 pedras de crack.

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