• Postado por Tiago

Enquanto a chuva alagava meio mundo, o DIARINHO recebia ligações dos peixeiros assustados com o aguaceiro. Teve quem reclamou dos alagamentos, do nível do rio e até dos bombeiros e defesa civil.

A proprietária da papelaria Arco-íris, Marcileni Freitas, 33 anos, que tem o comércio na esquina da rua Sebastião Soares com rua Luiz José Medeiros, no Jardim Esperança, o popular Brejo, em Itajaí, se viu desesperada. Às 9h a água chegou até à porta de seu estabelecimento e deixou a coitada virada em zolho. “Por causa das bocas-de-lobo entupidas e esse declive da rua, já aconteceu de chegar água na altura dos joelhos aqui”, conta a mulé.

Marcileni teve o preju com a sua caranga. Os caminhões que passavam pela rua formavam ondas, que acertavam em cheio o possante. “Meu carro não tá pegando, os caminhões jogaram água dentro, aí molhou o motor de arranque. Vou ter que chamar o mecânico”, reclama.

Na rua Arnoldo Correia de Melo, no Cidade Nova, o rio Itajaí-Mirim invadiu parte da rua. A moradora Charlene Terezinha da Silva, 25, ficou sem saber o que fazer, já que no ano passado a mesma cena terminou com a baia dela com água até o teto. “Por um lado da rua já não tem como passar. E o pior é que a defesa civil e a secretaria de Obras vieram aqui e não fizeram nada, só olharam”, lasca.

O povão da rua Firmino Vieira Cordeiro, no Espinheiros, passou o dia tirando lama do quintal e também da rua, pra evitar mais alagamentos. Com a chuvarada, um lamaçal desceu do Morro do Espinheiros, cobriu toda a rua e invadiu alguns terrenos. Ontem à tarde, as entradas de pelo menos cinco casas estavam cobertas de barro. O morador Braz Serafim Inácio conta que, quando viu o lamaçal descendo, pegou uma pá e o carrinho de mão e começou a tirar a lama no muque. Seu Braz limpou o quintal e depois deu uma garibada na rua também, pra evitar que lama entupisse a boca-de-lobo e causasse mais perrengues caso São Pedro resolva abrir as torneiras novamente.

Já o morador do bairro Cordeiros, Marco Antônio Chaves, 38, ficou indignado por não encontrar informações sobre o perigo de uma nova enchente. Ele conta que ligou pro corpo de bombeiros e ninguém sabia de nada. “O atendente foi grosso e disse que os bombeiros não passam informações sobre o nível do rio. Depois liguei pra defesa civil e parecia que o telefone tava fora do gancho porque só deu ocupado”, bufa o peixeiro.

Além disso, ruas do centro, Fazenda, Carvalho, São Vicente e Cordeiros também tiveram alagamentos isolados. Os pontos mais afetados foram a rodovia Osvaldo Reis, a Sete de Setembro e rua 13 de maio, que teve que ser interditada por cerca de uma hora. Os abastecimentos de água e energia elétrica não sofreram danos no Itajaí por causa da chuvarada.

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