• Postado por Tiago

De Balneário Camboriú a Bombinhas, a possibilidade dos municípios terem que arcar sozinhos com os custos do ensino fundamental tem tirado o sono dos secretários de Educação. O pessoal tem feito biquinho pra proposta e promete bater pé pra evitar a mudança. “As prefeituras só entram com os gastos e não têm vantagem nenhuma”, lasca a superintendente de Educação de Bombinhas, Gisele Rodrigues.

A cidade tem hoje 2,5 mil alunos na rede municipal de ensino e, pelos cálculos da prefa, terá que absorver pelo menos outros 300, caso o projeto seja aprovado. “Pra nós fica complicado, não só pela questão financeira, mas por estrutura física, que é o maior empecilho. Não temos vagas pra atender a todos esses alunos”, avisa.

A situação é bem parecida em Porto Belo, onde o prefeito Albert Stadler, o Curru (PTB), já pedinchou até um levantamento pra saber o que esperar em caso da ideia ganhar um sim na Leleia. “Hoje o município não tá preparado pra atender mais essa demanda”, analisou a secretária Jane Ávila dos Santos da Silva.

Pra completar, a mandachuva diz que, caso os 600 petizes que estudam em escola estadual na city tivessem que se juntar aos mais de dois mil da rede municipal, teriam que passar por uma adaptação. “Nosso sistema pedagógico é diferente do da rede estadual”, afirma.

Em Camboriú, pelo menos um dos colégios estaduais, o José Arantes, já não atende mais a criançada das séries iniciais, e a secretaria de Educação já tem passado um aperto pra dar conta de vagas pra mais de 10 mil alunos. Com a aprovação do projeto, mais 2,6 mil estudantes teriam que ganhar uma vaguinha nas escolas municipais. “A mudança já tá refletindo pra nós, porque não estamos estruturados pra receber mais crianças”, diz a coordenadora pedagógica da secretaria, Celi Utrera Stevanin.

Pra ela, a solução seria dar tempo pra que as cidades se organizassem. “Não é de um dia pro outro que podemos arcar com mais essa incumbência”, lascou.

O secretário de Educação na Maravilha do Atlântico, Jaime Luiz Guth, concorda com Celi. “Não podemos absorver toda a demanda de uma vez só”, diz. Hoje, no Balneário, mais de 14,3 mil estudantes tão matriculados na rede municipal. O abobrão não sabe dizer quantos alunos tão nas escolas estaduais da city, mas caso a mudança seja progressiva, terá que arrumar vagas pra 400 crianças só no primeiro ano do ensino fundamental.

Jaime não acha que a incorporação seja uma boa ideia. “Do jeito que tá, os municípios não vão aceitar, porque não têm nenhuma contrapartida. Além disso, tem professores na rede estadual que prestaram concurso pro ensino fundamental. Onde vão ser colocados?”, questiona.

Em Itapema, a abobrona da Educação, Geonete Agostinho, tava ocupada em uma reunião ontem à tarde, e não comentou o que tá pensando sobre o assunto. Mas os vereadores da city mandaram, em setembro, uma moção de repúdio ao projeto pra Leleia. No papéli, os edis carcam que não tem nenhuma garantia de verbas pra que os municípios consigam dar conta do recado.

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