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circo-destruido

Circo-escola da Barra Velha tá sendo reerguido devagarinho

Por Caroline Stinghen

Fotos: Felipe VT e Arquivo Pessoal

Respeitável público: falta pouco pro espetáculo recomeçar. Em menos de dois meses, a lona será novamente erguida, os equipamentos reformados e as fantasias serão mais coloridas do que nunca. O circo-escola de Barra Velha promete voltar com tudo pra acabar com o tédio e a tristeza da criançada que brinca e aprende no picadeiro. A estrutura da instituição foi destruía por um vendaval no ano passado e, graças à ajuda da população, o circo será reerguido. A trupe promete viajar pela Santa & Bela para apresentar o trabalho social, cultural e fraternal.

O cenário na entrada do circo-escola, às margens da BR-101, no bairro São Cristovão, ainda é desanimador. Muitos equipamentos estão no chão, entre eles, o trapézio e os ferros que seguram a lona, que pesam 680 quilos cada. O circo foi vítima de uma baita enxurrada no início de setembro passado.

A tragédia rolou um dia antes da nova lona, da cama elástica e do trapézio serem inaugurados. O preju chegou a R$ 80 mil. ?Nunca vi uma chuva daquele tamanho. Muita gente na hora apareceu aqui para ver se estava tudo bem. As crianças choravam aqui na frente. Choravam e perguntavam: o que será agora do circo-escola??, lembra Marlene. Desde então, as atividades estão paradas e somente as crianças que têm espetáculo pronto ensaiam no circo.

Mas a situação está prestes a mudar. ?Em fevereiro a gente recomeça. Só falta a lona chegar de São Paulo e pronto!? avisa a fundadora e apresentadora do circo-escola, Marlene D?Eça. A ansiedade para retornar às atividades está em cada gesto de Marlene, e não é para menos. São 10 anos de trabalho na lona montada em Barra Velha. No local, a trupe já atendeu centenas de crianças e adolescentes ? a maioria carente.

Logo após o vendaval teve gente que acreditou no projeto da família D?Eça e colaborou. ?Eu não posso dizer quem é, porque poderia complicar pra mim. Mas é uma pessoa de Barra Velha que nos ajuda muito, desde o início do circo na cidade?, faz mistério dona Marlene.

O próprio doador resolver abrir o bocão e confirmou a ajuda. O prefeito Samir Mattar (PMDB) garantiu que pagou todo o preju que o circo teve com o vendaval e garante que não tirou um tostão da prefa da Barra Velha para isso. ?Por enquanto não temos recursos e nem projetos de parceria com o circo. Mas eu ajudei como cidadão e paguei a lona?, afirma.

Início

O circo-escola tá enraizado na terrinha do pirão desde o ano 2000, quando a família de dona Marlene, que veio do Rio de Janeiro, resolveu retomar às atividades artísticas. A mudança rolou porque uma nora, que era gerente de uma loja de calçados de São João Batista, seria transferida para Terra do Pirão, onde iria abrir uma filial. Assim, há 19 anos a família inteira optou por se instalar em Barra Velha. Nove anos depois, o circo voltou a funcionar. Atualmente, além das atividades do circo, a família D?Eça trampa com aluguel de lonas para festas. ?Essa é a nossa renda, porque o circo é filantrópico?.

Todos os familiares, inclusive a nora, netos e o marido de dona Marlene trampam no circo. ?Minha família está na sétima geração no ramo. Tenho filhos, 12 netos e dois bisnetos comigo?, fala a muié. A união da família não acaba no dom para as artes. Todos eles moram dentro do terreno do circo.

O filho mais velho, por exemplo, Alexandre D?Eça, é palhaço profissional. ?As crianças vêm pro circo esperando ver o palhaço. Elas o adoram?, baba dona Marlene. Suas filhas e netinhas são mestres no contorcionismo e no número do pano ? onde ficam penduradas pelas pernas rodopiando em um pedaço de tecido. ?Meu marido, Teixeira Filho, é o faz-tudo aqui do circo. É ele quem arruma os equipamentos, solda e monta?, revela. Dona Marlene, além de ser a fundadora, apresentadora e uma espécie de mãe pra toda aquela criançada, ainda costura todas as fantasias dos artistas.

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