• Postado por Tiago

São Sebastião e a tradição

A cada ano que passa mais vai se acentuando a tradição da festa de São Sebastião. O ponto alto é a cerimônia do mastro que reúne centenas de fiéis que cantam, dançam, tomam a concertada, comem broas de polvilho e participam da ornamentação do tronco, normalmente de eucalipto, até deixá-lo todo enfeitado com folhas e flores. Muitos fazem por promessa ou em agradecimento a graças recebidas. Normalmente, a festa do mastro é feita numa residência da comunidade que promove aquele ato de fé. Desta vez aconteceu no domingo, dia 17 de janeiro, na casa do Benedito, em Armação, com muita organização e fartura. Os cantadores: Nino, Domingos Bejú, Caiçara, Ataliba – entre outros – abrilhantam a festança, seguindo o mestre Jorge, grande repentista e violeiro que vai puxando a romaria. O povo todo canta. Dezenas de voluntários apresentam-se para levarem o mastro às costas. O cortejo segue em meio às cantorias com destino à igreja de São João Batista. Com a base pronta, em poucos minutos o mastro é levantado. Os animadores dançam em volta com o estandarte enquanto é hasteada a bandeira que tem a estampa do santo.

Em outros tempos a festa de São Sebastião era abrilhantada pelo grupo da festa do Rosário. A festa de Nossa Senhora do Rosário – Natal dos pretos, segundo a historiadora Maria do Carmo Krieger – era realizada na matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 26 de dezembro. Normalmente, o mastro de São Sebastião era erguido a 6 de janeiro, dia de Reis, e a turma do Rosário é que abrilhantava, dançando e fazendo coreografia, tipicamente trajada, desde o centro de Penha até Armação. Mais de seis quilômetros com o Rei Nagô à frente, empunhando a espada (de madeira), simbolizando a força da fé e o respeito às leis daquele império. A festa do mártir São Sebastião era realizada no dia 20 de janeiro. Depois foi mudada para o domingo mais próximo. As cantigas variavam do samboê (zoeira, pagode) ao minerudô (um termo de resposta com afirmação que ainda se busca definição), conforme o ritmo da congada. Um estilo afro-nagô cultuado pelos escravos.

A festa do Rosário, por ser realizada em um dia após o Natal, foi ficando decadente até suspensa provisoriamente. Com isso a parte folclórica acabou sendo extinta. Mas a comunidade de Armação decidiu reviver a festa de São Sebastião. Animada pelo grupo Itapocoroy – que também anima a festa do Divino, o glorioso mártir é venerado em grande estilo, com muitas prendas de massa que são levadas por promessas e arrematadas no dia da festa. Neste domingo, dia 24 de janeiro, a Armação festeja São Sebastião.

Menção especial à família de Benedito pela bela organização da festa, especialmente do mastro que atraiu centenas de festeiros, imprensa e admiradores do folclore.

Sebastião, que venceu ao flagelo, é o terno protetor dos que sofrem.

No próximo ano, o mastro será enfeitado na residência da Nita e do Tui Ferreira.

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