• Postado por Tiago

Maria Aparecida Leite, 48, estava ontem à tarde disputando com outros clientes as liquidações da Giorama. “Venho aqui há uns 40 anos, desde que era pequeninha, com a minha mãe”, conta. “Os preços sempre foram bons e tem o atendimento excelente”, afirma, explicando as razões de uma fidelidade que passou de mãe pra filha.

Dona Maria Edelweis Simas, 80 anos, é outra cliente antiga da Giorama. “Meu Deus, compro lá há muitos anos”, diz, confessando que não se recorda exatamente quando entrou pela primeira vez na Giorama. O empresário Beto Graf lembra. “Há 35 anos ela frequenta a loja”, informa.

A fidelidade de dona Maria lhe rendeu um cartão especial. “Eu comprava tudo lá, roupa, roupa de cama e banho, presentes. Comprava de um tudo. Era uma loja completa”, afirma, lembrando do tempo em que a Giorama era um comércio com vários departamentos.

Razões, diz dona Maria, sobraram para que escolhesse a Giorama como loja preferencial. “O fato deles não fazerem aquele carnê maluco, que leva mais de meia hora pra sair. A gentileza de todos eles. E lá tem a Mari, que trabalha lá, muito minha amiga”, lista. Foi Mari, a funcionária, quem lhe avisou do fechamento da loja. “Fico muito triste com isso”, conclui.

A tristeza não é só de dona Maria. Silvana Bittencourt, 46, sabe muito bem como está sendo conviver com esse sentimento. Há 24 anos, seu primeiro emprego foi na Giorama. Primeiro e único. Hoje, será seu último dia na loja. “Tudo o que tenho, tudo o que consegui, foi graças à Giorama”, diz a comerciária: “Sempre foram muito honestos e são pessoas que vou levar no meu coração pra sempre”, completa, falando dos patrões Beto e Felipe Graff.

Silvana tem uma razão adicional pra ter esse caso de amor com a empresa. Foi pela Giorama e representando Itajaí que conquistou 10 dos 12 títulos de campeã dos jogos Abertos de Santa Catarina como atleta do handebol. Também foi uma das campeãs brasileiras quando jogava com a camisa da loja.

Assim como outros 40 atletas, acabou sendo incorporada pela empresa. Passou pelo crediário, pelo caixa e pela cobrança. Segunda-feira Silvana sai à cata de trabalho. “Pretendo arrumar outro emprego logo, porque preciso trabalhar, né!?”, afirma a comerciária, no estilo levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Beto Graf promete que vai apresentar, na negociação com a empresa que deve ocupar o espaço onde está até hoje a Giorama, a proposta da incorporação de sete trabalhadores. Outros dois já são funcionários de uma gerente da loja que virou empresária. “A gente tá procurando que venha uma loja legal, pra tentar recolocar os funcionários que temos aqui. Funcionário que tá há 20, 30 anos contigo é porque é alguém muito bom”, comenta, orgulhando-se de que jamais sofreu qualquer ação na justiça trabalhista.

A história da loja

Em outubro de 2009, a Giorama completou 44 anos. Foi fundada pelo casal Maria Luíza e Gilmar Graf. Funcionava onde hoje fica a loja de calçados Furlanetto, também na Hercílio Luz, bem ao ladinho do prédio atual.

Em 79, Beto e Felipe Graf assumem de vez o comando da empresa e a transformam numa loja de departamentos. O prédio passou de dois para cinco andares. O sistema de departamentos durou 10 anos. Depois, os espaços foram sendo alugados para outros comércios, até que a Giorama se restringiu à parte do térreo.

É a quarta loja mais antiga em funcionamento da rua Hercílio Luz. “A primeira é a Labes, depois o Zaguini, que são relojoaria e ótica, depois vem a Irmãos Coelhos e aí é a Giorama”, informa Beto Graf. No ramo de tecidos e confecções, é a segunda mais velha.

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