• Postado por Tiago

Cclaudio-Bersi

90 anos de vida, trabalho e dedicação. Tradicional pescador da praia Grande e Armação

1919. A um ano do término da Primeira Guerra Mundial, na pacata Armação de Itapocorói, nascia o menino Teodoro, filho de Luzia de Souza e Francisco Pelágio da Costa. Seu pai, também conhecido como Chico Mariana, tinha tamanha afinidade com o mar que parecia um peixe quando explorava suas profundezas à margem dos costões. Caçador de lagostas, buscava-as nas tocas, vindo à tona com uma em cada mão. Tinha a habilidade de nadar em sentido vertical, acionando as pernas como a pedalar uma bicicleta. Teodoro não chegou a tanto, mas seu irmão Sebastião aprendeu os feitos do pai.

Naquele ano de 1919, era presidente do Brasil Epitácio da Silva Pessoa; Lauro Müller governava Santa Catarina; Marcos Konder era prefeito de Itajaí; Alexandre Guilherme Figueredo, o conselheiro municipal no distrito de Penha.

O menino Teodoro cresceu à beira-mar naquele belo recanto do Cascalho, acompanhando o movimento pesqueiro do lugar. Não havia alternativa a não ser pescar. Desde cedo começou a manejar os remos e a velejar, caçando camarão para iscar os espinhéis, capturando centenas de peixes a cada dia de produção. A corvina sempre em maior quantidade. Começou nas canoas de garapuvu e depois nas lanchas tipo baleeira pescando com redes grossas para cação. Conta que pegou o maior tubarão anequim de todos os tempos ? só o fígado rendeu 10 latas de azeite (180 litros). Seus camaradas eram o Olindo do João Inácio e o Vitor Veríssimo. O óleo de fígado ? de cação e arraia – por muito tempo fez parte da renda do pescador de Armação. Considerando que as embarcações da época não eram motorizadas, era grande o sacrifício para sobreviver da pesca. O pior era cobrir a distância para alcançar o pesqueiro e voltar na base do remo – e da vela, quando o vento era favorável. Ele mesmo diz que passou muito trabalho no mar. Trabalhou uns tempos no litoral de São Paulo, em São Vicente e Perequê.

Em 1941, precisamente a 3 de março, Teodoro casou com a conterrânea Bernardina, filha de Francisca Mafra e João Inácio de Souza, com quem teve dois filhos e seis filhas: João, Maria Bernardina, Francisca, Maria do Carmo, Teodoro, Almira, Catarina e Izonete.

O tempo foi passando, os filhos casando, a família aumentando. 33 netos, 63 bisnetos, quatro tataranetos. No dia 27 de outubro de 2000, Teodoro ficou sem a companheira de 59 anos. Hoje mora com a filha Izonete, de quem ganhou a linda festa para comemorar seus 90 anos de idade. Parentes e amigos compareceram em massa no salão paroquial da Igreja de São João Batista participando de um lauto almoço de confraternização.

Teodoro foi por muito tempo presidente da Comissão da Capela de Armação, promovendo grandes festas como a de 1980, abrilhantada pelo Trio Parada Dura.

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