• Postado por Tiago

ABRE-GERAL-secretario-de-planejamento---rogerio-benitz-(6)

Rogério Benitez diz que prefa se preocupou em reconstruir a cidade até agora

Já estourou faz tempo o prazo dado pelo tribunal de contas do estado (TCE) pra prefa peixeira corrigir as babadas que podem acabar com a iniciativa pioneira de incentivar a galera a reciclar o lixo, oferecendo em troca a taxa do lixo gratuita. Não rolaram mais campanhas educativas, o que fez reduzir o material recolhido. A cooperativa de catadores tá ao deus-dará. Mas parece que a prefa não tá muito preocupada com o fim do programa que custa R$ 10 milhões ao ano e que, segundo o TCE, não se paga. Mas qual é o preço para preservar os mananciais d?água, aumentar a longevidade do aterro sanitário, ajudar famílias de baixa renda e dar um destino racional aos resíduos recicláveis?

?É isso que está sendo estudado num grupo que tem representantes de todas as secretarias, pois a questão do lixo é muito complexa?, declarou o secretário de planejamento, Rogério Benitez. Ele diz que o programa tarifa zero não é viável e possivelmente este será seu ano derradeiro. ?O TCE quer uma gestão mais eficiente do dinheiro público e hoje temos outras prioridades. Até agora nos preocupamos em reconstruir a cidade e apesar do programa ter pontos positivos de preservação ambiental, é deficitário?, declarou. Ele sugeriu mudar a frequência e o sistema de coleta, fazendo as pessoas levarem o material para certos pontos na city, como rola no primeiro mundo, onde o povo é bem mais esclarecido sobre isso, falou o abobrão.

O diretor de atividades especiais do TCE, Kliwer Schmitt, disse que a intenção não é acabar com o programa, mas melhorar sua eficiência, já que o monitoramento comprovou que o percentual de material reciclado é de cerca de 3,68% do que é coletado, segundo dados de 2006 e 2007. Uma das razões apontadas pelo TCE é a falta de fiscalização pra saber se o material deixado na frente das casas é realmente reciclável. ?A prefeitura deveria fazer uma fiscalização contínua por amostragem para saber se as pessoas estão efetivamente separando o lixo?, exemplificou.

Uma pesquisa por amostragem significa visitar um percentual de casas proporcional à quantidade de moradores do bairro, pra não precisar ir de porta em porta. Outro ponto destacado pelo técnico do TCE é a falta de campanhas educativas nas escolas, igrejas, associações de bairro, mídia e supermercados. ?Na visita que fizemos a Itajaí constatamos que as pessoas se empenhavam em fazer a reciclagem só na época de pagar o IPTU, depois esqueciam?, relata. Ele conta que o relatório enviado à prefa peixeira sugere que se faça parceria com supermercados, que fornecem bastante material, e inclusive oferecer sacolas com cores diferenciadas para o metal, vidro, papelão e plástico para que os lixeiros identifiquem o produto na hora da coleta.

Catadores deram no pé

Outro problema é a cooperativa de catadores pra onde vai o material reciclável. O representante da secretaria de desenvolvimento e geração de renda na comissão que analisa a questão do lixo é Onésio Gonçalves Filho. Ele conta que depois da enchente, os catadores que trampavam na cooperativa sumiram do mapa porque foram os mais afetados. Alguns retornaram em janeiro, mas não deram conta de selecionar o material, por isso foram chamados outros catadores. Só que por causa da queda do valor do material reciclado por causa da crise mundial, a renda mensal deles despencou. O TCE revela que esta renda chegava a R$ 700 em 2007. Hoje, segundo Onésio, é de apenas R$ 150, o que desestimula a atividade. ?Nem latinha de alumínio eles tão catando mais. Eles vêm, fazem um dinheirinho e vão embora. Quando precisam de dinheiro de novo, eles voltam, mesmo tendo assinado o termo de compromisso do cooperativado?, conta.

Pra se ter uma ideia da desgraça, o quilo de alumínio custava R$ 3,50 em 2007 e hoje está em R$ 1,50. Prejuízo pra todo mundo: pra cidade, pros catadores, pro meio ambiente. O TCE estima que existam 350 catadores de lixo em Itajaí e apenas 10% são cooperados. Os demais coletam o material antes de passar o caminhão, diminuindo o material da cooperativa.

Um dos pontos mais casca grossa da auditoria do TCE foi com relação ao aterro sanitário da Canhanduba. Apesar de ser público, a gestão é privada ? é de responsa da Engepasa, cujo contrato foi renovado mês passado até dar tempo de fazer nova licitação. Pois bem, o problema é que a empresa tava fazendo mal e porcamente o serviço. Um exemplo era a compactação de lixo no aterro, que deveria ser diária e eles ficavam até 20 dias sem passar argila por cima, o que provocou uma invasão de urubus e roedores na área. Eles também não faziam corretamente o tratamento do chorume e não tinham equipamento adequado, além de não cercar a área, poluindo o lençol freático.

O diretor de recursos naturais e resíduos da fundação municipal do meio ambiente (Famai), Francisco Nascimento, jura de pé juntos que a Engepasa já entrou na linha e pelo menos neste quesito, os técnicos do TCE não vão torcer o nariz quando vierem, no mês que vem, verificar se o município fez a lição de casa. ?A empresa comprou o equipamento e já colocou a cerca de proteção. A questão da compactação também foi resolvida em fevereiro, o problema é que os caminhões não conseguiam chegar até lá em cima pra compactar?, alegou.

  •  

Deixe uma Resposta