• 28 nov 2009
  • Postado por Tiago

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Orlando Angioletti foi vereador, em Balneário Camboriú, em duas legislaturas pelo PT. Saiu do partido, ficou dois anos sem sigla e se filiou ao Democratas. Ao contrário do que se imaginava, ele aumentou o número de votos recebidos, e se elegeu pela terceira vez vereador. Tendo como mote de campanha o aumento da segurança pública na cidade, Angioletti responde hoje às perguntas de jornalistas e colunistas políticos, na Coletiva.

Maurício Dalefe, repórter do Jornal de Balneário Camboriú – Você acredita em ideologia política?

Angioletti – Acredito em ideologia política. Todo homem político tem uma formação, uma formação de vida, uma vivência que acaba formando a sua ideologia. No Brasil, com o pluripartidarismo, a mesma ideologia é encontrada em várias siglas diferentes. Por exemplo, o presidente Lula, antes de chegar no governo, a meta do partido era chegar à revolução através da educação, tanto que quando ele ganhou a eleição, ele colocou o senador Cristovam Buarque (PDT) como ministro da Educação. Mas quando ele entrou no governo, viu que era inviável e o próprio PT deixou a revolução através de educação de lado e optou pelo caminho da revolução através da economia, e isso não é característica de partido socialista, não é do PT. É característica de partido de direita.. Quando você está no poder e você precisa fazer uma transformação na sociedade, você precisa resguardar a sua ideologia política, mas saber abrir concessões. O Lula faz um bom governo porque sabe fazer estas conceções.

Gabriele Lindner, repórter do Diário da Cidade – O senhor já foi cotado para assumir um cargo no governo Periquito. Você se enxerga sendo secretário neste governo?

Angioletti – Nós assumimos um compromisso de campanha com o PSDB. No dia 5 de outubro de 2008, quando nós perdemos as eleições, aquele compromisso que nós assumimos terminou, e estamos fazendo uma reconstrução partidária, buscando os espaços com autonomia. Nós nos reunimos e chegamos à conclusão de que manteríamos uma posição de ?controle de qualidade? do governo Periquito. Jogaríamos no campo da oposição, mas fazendo uma oposição construtiva. Passou-se um ano, e mantive o mesmo posicionamento. Eu não tenho espaço dentro do governo, esse é um governo de ocupação de espaço e todos os espaços já estão ocupados, e não tenho interesse, neste momento, de ocupar um espaço no governo. Mesmo porque nunca fomos convidados para integrar o governo, e eu vejo isso como uma forma de respeito ao nosso partido, um respeito do prefeito a este vereador. Nossas famílias são amigas, mas temos a grandeza de saber separar as coisas.

Magru Floriano, colunista político – Você acredita que as CPIs propostas na câmara de Vereadores são de interesse público ou apenas uma jogada política?

Angioletti – É uma jogada política, uma troca de interesses, infelizmente. A CPI é um intrumento legítimo, só que no Brasil ela é desvirtuada, aqui ela normalmente serve para acomodar interesses. Da forma que as CPIs que estão sendo propostas em Balneário Camboriú, são um jogo político. Vai chegar um momento em que haverá uma acomodação de interesses, tanto de um lado quanto de outro. Nenhum governo é perfeito, nenhum prefeito tem conhecimento de tudo que acontece no seu governo, e se for vasculhar qualquer governo, você vai achar alguma coisa. Se não existisse isso, não existiria Tribunal de Contas. Eu desconheço qualquer desmando, seja no governo Rubens Spernau, seja no governo Edson Periquito. Sou signatário de todos os requerimentos para criação de CPIs, mas temo que o que vai acontecer é uma acomodação de interesses.

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