• Postado por Tiago

Calcinhas, saias compridas, cocada e cachorro-quente. Os comerciantes aproveitam a chuva de crentes que caem em Cambu pra fazer um dinheirinho. O povão não deixa de levar lembrancinhas pra casa e nem de encher a pança com os quitutes preparados no capricho.

A confeiteira Solange de Lima, 36 anos, é dona de uma fábrica de gostosuras, que leva o sugestivo nome de Ki-Delícia. Durante o verão ela vende seus produtos em Balneário Camboriú, mas quando acaba a temporada arma a barraca em eventos pra fazer uma graninha extra.

Solange vende seus produtos entre R$ 2 e R$ 3. São maçãs do amor, espetinhos de brigadeiro e de morango com chocolate. Mas a preferência dos crentes é pela cocada. Ela diz que o movimento é bom, e não poderia ser diferente. A empresária das gostosuras desembolsou a bolada de 10 mil reales pra fazer ponto por 12 dias. “São R$ 2 mil pro alvará da prefeitura e mais R$ 8 mil pro dono do terreno”, conta.

A prefa ainda não divulgou o número de licenças temporárias que emitiu pros comerciantes dos Gideões, mas a expectativa é ultrapassar os R$ 250 mil arrecadados no ano passado. Quem armou barraquinhas com até 20 metros quadrados pagou R$ 700 de alvará. A prefa carcou R$ 35 pra cada metro acima disso. Os ambulantes pagaram 250 reales, e áreas de estacionamento ficaram com uma taxa de R$ 700 pra até mil metros quadrados e R$ 1,2 mil acima disso.

Nada que desanime os comerciantes. Na lojinha mais movimentada do comércio, a Só Saias, de Itajaí, que vende roupas feitas sob medida pro gosto das evangélicas, a quantidade de gastadeiras era tão grande que ninguém conseguiu dar um tempinho no trampo pra comentar as vendas com a reportagem.

Quem não trabalha com o tradicional, investe na criatividade. O empresário André Garcia, 38 anos, de Itajaí, vende a 10 pilas camisetas cujo layout ele mesmo inventa. O resultado são frases pra lá de originais, como “Melhor subir quadrado que descer redondo”.

Ele conta que a grana que ganha nos Gideões nem é tão boa assim, mas compensa pela propaganda que os crentes fazem de sua marca pelaí. “Meu ramo mesmo é uniformes profissionais. Com a divulgação da marca já vendi pra Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais”, comenta.

Num ramo um pouco diferente, os irmãos Valdir e Wagner da Silva se surpreenderam com o tipo de venda que fizeram. Donos de uma confecção de calcinhas de São Paulo, capricharam no estilo vovozinha achando que agradariam mais num evento religioso. Mas o que vendeu de verdade foi o modelo menorzinho, quase um fio-dental, com frases indecorosas como “Túnel do Amor” gravadas no tecido. Ai, Jisuis!

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