• Postado por Tiago

gideoes-2009-em-camboriu---foto-felipe-VT-24 gideoes-2009-em-camboriu---foto-felipe-VT-36

Mais de 100 mil pessoas passaram pelo encontro dos gideões

Texto: Dagmara Spautz

Fotos: Felipe VT

Eles vêm de longe. Enfrentam horas infindáveis de viagem, em ônibus lotados, pra participar do maior evento missionário do mundo, o encontro dos Gideões da Última Hora. Durante 10 dias, Camboriú se transforma pra receber os mais de 100 mil visitantes, que chegam pra ouvir a palavra dos pastores e se esbaldar no comércio a céu aberto.

Aos 73 anos, dona Maria Elvira Monari faz parte do primeiro grupo. Sentada numa cadeira de praia e muito concentrada, ela só conseguiu lugar no lado de fora do ginásio Irineu Bornhausen, lotado com mais de 10 mil pessoas. Mesmo assim, assiste a pregação com os zóinhos grudados num dos telões, instalados pra facilitar a vida de quem não encontra espaço mais perto do pastor.

As rugas da idade marcam o rosto da pequena dona Maria, mas apesar do relógio já marcar mais de 22h, ela não demonstra sinais de estar cansada. Com muito custo, a senhorinha aceita tirar os olhos do culto pra contar que veio de Apucarana, no Paraná. Enfrentou 11 horas de viagem num dos latões fretados pela igreja que frequenta.

Esta é a terceira vez que dona Maria participa dos Gideões, e trouxe a família toda com ela. Cada um desembolsou R$ 230 pela viagem e a hospedagem num hotel. Mas ela acha que cada centavo gasto vale a pena. ?Gosto muito da pregação e dos cantores. É muito bonito?, diz.

Também paranaense, de Londrina, a empregada doméstica Maria Lucia dos Santos, 53 anos, compartilha da mesma opinião. ?A bênção aqui é muito grande. Me sinto renovada?, conta. Com a bíblia na mão, pra não perder as citações do pastor, ela afirma que já tinha ouvido falar muito do evento e não se arrependeu de vir. ?Vale a pena?, garante.

No meio da multidão de gente que lota o ginásio, um rapaz com um traje no mínimo diferente chama a atenção. Marcelo Sales, 23 anos, usa por cima da calça jeans e da camiseta preta descolada uma túnica branca, rasgada, feita com o algodão que antigamente se usava pra confeccionar sacas de trigo. Completamente absorto na pregação, ele levanta os braços numa demonstração de fé.

Não é fácil tentar arrancar do rapaz o que fez ele vestir-se daquele jeito. Quando enfim tira os olhos do pastor, conta que trampa numa confecção de Belo Horizonte (MG), e decidiu fazer a túnica por um motivo bem peculiar. ?Quero que Deus veja o meu coração, e não a minha roupa. Hoje tem muito crente que só se preocupa com o que tá vestindo. Eu quero ser diferente?, lascou.

  •  

Deixe uma Resposta