• Postado por Tiago

Na semana de combate a essa triste realidade, o jornal traz números alarmantes

Esta semana é dedicada a combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, em todo o país. Na região, os pequerruchos que mais sofrem com os abusos são os de Camboriú. No ano passado o conselho tutelar registrou 98 casos, contra 102 de Itajaí, que tem uma população quatro vezes maior. Pro delegado Gilberto Cervi, da capital da pedra, o número reflete o aumento nas denúncias. ?Esse tipo de crime sempre existiu. Hoje estamos conseguindo fazer com que venha à tona?, acredita.

De fato, hoje denuncia-se muito mais que em outros tempos. ?Há cerca de um ano e meio, dois anos, as denúncias aumentaram?, conta a delegada Honorata Cachoeira Rodrigues, de Itajaí. Desde o início deste ano, o conselho tutelar peixeiro já encaminhou 42 casos pro programa Sentinela, que faz o acompanhamento psicológico dos pequenos que passaram pelo trauma de abuso ou assédio sexual. Cambu mandou 25 crianças pro tratamento e Balneário Camboriú outras 22.

Mas o que preocupa quem conhece a realidade dessas crianças é o grande número de casos que tão guardados a sete chaves. A presidente do conselho tutelar de Balneário Camboriú, Sandra Dagostini, acredita que o número de vítimas seja três vezes maior do que dizem as estatísticas. ?A violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é um tabu. Não tem raça, cor, nem renda, mas quando acontece em famílias abastadas, o caso é abafado e não chega ao nosso conhecimento?, acredita.

A maior parte dos abusos acontece dentro de casa. Os campeões da desgraceira são os pais, seguidos de perto pelos padrastos. Depois vêm avôs e tios. ?A figura do desconhecido, o tarado, é raríssima?, diz Sandra. A delegada Honorata confirma a informação. ?Mais de 90% dos abusos que chegam até nós foram cometidos por pessoas muito próximas da criança?, conta.

É essa proximidade que dificulta o trabalho da polícia. Na maior parte dos casos, o agressor ameaça a vítima, que acuada, silencia. Em outras, a própria mãe tenta esconder a violência com medo de perder o companheiro. Nesses casos, ela também é responsabilizada e responde criminalmente por ter deixado de proteger a cria.

Cadeia neles

Muitas vezes a criança não tem discernimento pra dizer que tá sofrendo um abuso. Isso acontece, por exemplo, quando ele vem em forma de carícias. É só através de uma profunda análise psicológica que esses fatos vêm à tona. É aí que entra o programa Sentinela, que conta com o apoio de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.

O mesmo acontece quando a vítima de abuso tem algum grau de deficiência mental, o que, segundo o presidente do conselho tutelar, Adriano Gervásio, tem acontecido com frequência em Cambu. ?Só nesse ano foram cinco?, conta. É preciso um lento trabalho de coleta de provas pra poder colocar o responsável atrás das grades.

Quando o traste é finalmente preso, o problema é mantê-lo na jaula. A pena por abuso sexual é de até 10 anos, aumentada se a vítima for uma criança. Mas com as inúmeras possibilidades de redução da pena, ninguém fica atrás das grades por muito tempo. ?Tem pedófilos condenados a 30, 40 anos de prisão que tão pelas ruas. Isso expõe a vítima e aumenta o medo de denunciar?, considera a delegada Honorata. Pra ela, a solução pra esse tipo de crime seriam penas mais pesadas. ?Temos uma legislação perfeita. Só basta aplicar?, diz.

Já o delegado Gilberto, de Cambu, acha que a chave seria um programa de reabilitação nos presídios. ?Não tem programa de recuperação. O pedófilo sai da cadeia e comete o mesmo crime?, diz. O vice-presidente do conselho tutelar de Itajaí, Marcelo Luciano Alves, concorda. ?Não adianta simplesmente colocar na cadeia, porque uma hora o criminoso vai ter que sair. Ele tem que ser tratado pra que não faça isso de novo?, acredita.

Mas apesar de não recuperar os pedófilos, o sistema carcerário ao menos livra as crianças e adolescentes dos momentos de terror que passavam junto do agressor. Por isso, é preciso denunciar. ?Na dúvida, denuncie?, pede Marcelo. Além dos telefones específicos de cada município, existe o número 100 pra denunciar crimes de abuso sexual. Não é preciso identificar-se.

Informar pra prevenir

Pra lembrar a semana de combate ao abuso e exploração sexual infantil, entidades da região entregaram panfletos informativos pro povão. No Balneário e em Cambu, a campanha rolou ontem. Em Itajaí as atividades seguem até amanhã.

Hoje rola apresentação da peça de teatro ?Isso não é brincadeira?, do grupo Detalhe Teatro, na escola básica Martinho Gervásio, no Brilhante. Amanhã é a vez das escolas Francisco Ceslso Mafra e Judith de Oliveira, na Itaipava.

A peça tem como tema o combate à violência sexual. ?A nossa intenção é destacar a data para mobilizar, divulgar e convocar toda a sociedade a praticar essa luta de prevenção e combate à violência sexual conta crianças e adolescentes?, explicou Keyla Rosa de Oliveira, coordenadora do programa Sentinela em Itajaí.

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