• 04 ago 2009
  • Postado por Tiago

E por falar em coleguinhas…

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O excesso de medalhas e condecorações, todos sabem, acaba desvalorizando a homenagem. E cria, muitas vezes, situações constrangedoras para alguns dos homenageados. Nem todos almejam esse tipo de honraria abundante, geralmente concedidas por órgãos públicos ou legislativos, mas, uma vez indicado, fazer o quê? Recusar? Por isso, fiquei quieto quando vi que o governo federal resolveu homenagear, com medalhas, alguns componentes do governo estadual, por causa da ação durante a enxurrada e enchente de 2008. Três deles são jornalistas da Secretaria de Comunicação: o José Augusto Gayoso, o Victor Hugo Lousado e a Neiva Daltrozo. Pelo que conheço dos três, não pleitearam a comenda e com certeza, se pudessem, teriam pedido para serem incluídos fora dessa.

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O prêmio Dakir Polidoro, que será entregue hoje na Câmara de Vereadores de Florianópolis é um caso um pouco diferente. Embora não se trate de premiar dezenas de profissionais, se encaixa no extenso calendário de homenagens da Casa. E aí entramos em outro terreno pantanoso, embora atapetado com as melhores intenções: o critério principal é a preferência dos senhores vereadores. O assunto é discutido em plenário e, naturalmente, o presidente da Casa também dá seus palpites. O fato é que o “mérito” está subordinado a fatores políticos, pessoais, de simpatia e de afinidade. O que, de certa forma, não é ruim. Mas, evidentemente, deixa a desejar em termos de avaliação de conquistas profissionais.

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Em todo caso, em que pesem esses senões (causados, principalmente, pelo excesso de medalhas, prêmios e homenagens), sempre fico contente quando vejo que algum colega foi premiado. Os jornalistas (aí incluídos radialistas, foto-repórteres e video-repórteres) em geral têm sido tão maltratados pelos seus empregadores, tão menosprezados em vários círculos, que acaba sendo importante todo tipo de homenagem.

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Os homenageados de hoje pela Câmara de Vereadores, com o prêmio Dakir Polidoro são Ricardinho Machado (Jornal), Maria Odete Olsen (Televisão), Marcelo Fernandes (Rádio), Cláudio Silva e Silva (Repórter fotográfico) e Jerry Bittencourt (Repórter cinematográfico). O lendário fotógrafo Paulo Dutra receberá homenagem especial.

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O TRANSPORTE DE DINHEIRO SOB A ROUPA

Não tem o tal José Adalberto Vieira da Silva, assessor do irmão do José Genoíno, ex-presidente do PT, que foi preso no aeroporto de São Paulo com 100 mil dólares “dentro da roupa”?

Pois é, saiu em todos os jornais e revistas que ele estava levando o dinheiro “na cueca”. Ora, todo mundo sabe que se a cueca for samba-canção, a dinheirama cai e se for zorba não cabe. Mas ficou o dito pelo não dito e não se falou mais nisso.

O mistério só foi esclarecido há poucos dias: um jornalista de Brasília, amigo meu, ouviu de um policial federal, amigo dele, que o Zé da Cueca na verdade estava, ao ser preso, com uma espécie de cinta-liga, uma dessas calçolas elásticas que as mulheres usam quando querem esconder a barriguinha ou quando é preciso segurar as coisas no lugar depois de alguma operação plástica. Aí dá pra entender como é que os dólares cabiam e não caíam perna abaixo: a calçola era elástica, com lycra ou coisa parecida, e bem apertadinha.

A PF ficou com pena do rapaz, que poderia ficar mais mal falado do que já está e aceitou o pedido dele para não divulgar esse detalhe “sem importância”.

Ser pego carregando dinheiro sujo pra lá e pra cá, tudo bem. Confessar que estava de cinta elástica, nem pensar.

QUE É ISSO, COMPANHEIRO!

O companheiro Lula agora deu para dizer que é mais que todo mundo. Ontem, afirmou que está mais indignado que qualquer um de nós. Ele disse que criou um partido limpinho, bonitinho, diferente e quando foi ver tinham (quem? quem?) transformado o PT numa espécie de paraíso fiscal eleitoral, uma catedral do caixa 2. E ficou muito indignado, o marido traído. Mais indignado que todos nós.

Não sei vocês, mas eu achei que a gente merecia, do Presidente que a maioria elegeu, mais respeito. Até para que a gente volte a respeitá-lo como se deve.

TROCA-TROCA

O ex-governador Esperidião Amin tem afirmado que no centro da questão, na raiz do escândalo que abala o País, está a cooptação, a compra de políticos. O chamariz utilizado para seduzir o político e fazer com que troque de barco pode assumir diversas formas: dinheiro em espécie (o tal mensalão), cargos, vantagens pessoais, verbas para sua região, etc e tal. Nenhuma delas, no entender de Amin, torna o problema menos grave.

E para mostrar que essa prática (de comprar, cooptar ou seduzir gente de outro partido) é uma preocupação antiga, Amin saca das gavetas da memória um artigo do Código Comercial, que desde 1850 já previa punição para quem deixasse o outro a ver navios:

“Art. 500 – O capitão que seduzir ou desencaminhar marinheiro matriculado em outra embarcação será punido com a multa de cem mil réis por cada indivíduo que desencaminhar, e obrigado a entregar o marinheiro seduzido, existindo a bordo do seu navio; e se a embarcação por esta falta deixar de fazer-se à vela, será responsável pelas estadias da demora.”

LICENÇA, SEU DALMO?

Queria aproveitar este cantinho para dedicar esta coluna ao grande Dalmo Vieira e pedir a ele uma mãozinha de vez em quando.

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