• 05 ago 2009
  • Postado por Tiago

PROMOÇÃO VS. iNFORMAÇÃO

Quando começaram as ações judiciais contra o excesso de publicidade no governo LHS (lembram-se do “SC em Ação”?) um dos advogados do governador era o Ericson Meister Scorsim. Em defesa de seu cliente dizia que toda aquela barulheira era absolutamente necessária para cumprir o preceito constitucional de dar publicidade aos atos. Os opositores chiavam justamente porque achavam excessiva propaganda de atos sem nenhum interesse público.

Mas o mundo dá voltas (como dizia aquele reclame antigo, “o mundo gira e A Lusitana roda”), o tempo passa e as opiniões se modificam. Foi, portanto, com certa surpresa, mas não com espanto, que li um artigo do Dr. Scorsim no DC de sábado.

Sob o título “Ministros nas TVs”, o advogado (agora Doutor em Direito) diz coisas muito semelhantes àquelas que, nas ações contra LHS, dizia o Gley Sagaz, advogado da parte contrária. Trecho:

“Desde quando a simples exibição dos resultados do programa Luz para Todos é de relevante interesse público? Não se trata de uma notícia que propicie valiosa informação para todos. A apresentação de números estatísticos não contribuiu para a compreensão do telespectador. Quem já recebeu os benefícios do referido programa oficial evidentemente não precisa da informação. O pronunciamento oficial foi muito mais promocional do que informativo, o que é, aliás, vedado pela Constituição Federal.”

Que coisa, né não?

A defesa equivocada dos artistas de sinaleira

Um grupo está convocando uma manifestação “em defesa dos artistas” para hoje, na sinaleira em frente ao Beira-Mar, em Florianópolis. Pretendem protestar contra a “forma como são tratados os artistas” na cidade. A propósito da decisão da prefeitura, de tirar das sinaleiras o pessoal que pede esmola, distribui panfleto ou faz malabarismo.

É lamentável que tanto esforço, boa vontade e espírito de luta seja desperdiçado para defender um equívoco. Fazer qualquer coisa no meio dos carros, numa avenida, é idiotice. Insensatez. Distribuir panfletos, vender jornais, esmolar, fazer performances artísticas ou não, caminhar, passear, exibir os glúteos… tudo, quando feito no meio da rua reservada aos veículos automotores, expõe todos a risco.

Não se vê, infelizmente, gente disposta a mobilizar a sociedade e chamar a atenção para a situação dos artistas de uma maneira geral. Porque, por menos que queiram acreditar os que estão, neste momento, fascinados com a possibilidade de ter seus 30 segundos de fama no jornal local de TV, existem problemas graves para o fomento das atividades artísticas e a própria arte na cidade. E a arte pode e deve ocupar espaços públicos na cidade. Para entreter, para provocar, para iluminar.

Transformar aquela atividade comercial desenvolvida nas sinaleiras, aproveitando um público cativo, controlado por pardais, ameaçado por multas, em arte a ser defendida por extensa e intensa movimentação, é muito conveniente para todos aqueles que, ao longo dos anos, trataram artistas e arte a pão e água. Dirigir o foco das atenções para um alvo falso e equivocado, é ótimo. Cria uma distração (tal e qual no mundo da mágica), enquanto a coisa verdadeira continua como está. Enquanto nos batem a carteira.

O que vai acontecer? O prefeito bonzinho de olho em 2010 ou algum vereador oportunista, criará leis para “proteger” os artistas de sinaleira. Institucionalizaremos, contra o Código de Trânsito, contra o bom senso e contra qualquer argumento razoável, esse tipo de mendicância artística. Enquanto isso, os teatros continuam vazios, os projetos continuam sem verbas, os livros sem editora e sem bibliotecas. Às favas todas essas bobagens de educação do público espectador, de criação de hábito de consumir cultura e arte.

Uma pena.

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

16 de agosto de 2005 – Tio Cesar ensina a nadar no mar de lama

A ARTE DE EXPLICAR O INEXPLICÁVEL

O Delúbio vai depor amanhã (dia 17/8/2005) às 11h 30min na CPI. Ele é um técnico altamente capacitado e sabe, como poucos, passar uma impressão de ser humano pouco inteligente quando necessário.

Não é verdade que as explicações dele e da turma dele sejam confusas (tá certo que o esquema que eles montaram está mais para trapalhões do que para James Bond, mas também não se pode querer tudo), ou sejam mentirosas.

Eles contam uma verdade alternativa, por intermédio de uma narrativa organizada de forma heterodoxa que aparentemente não leva a lugar nenhum de tal forma que sempre que a gente acha que eles estão indo, na verdade estão voltando e vice-versa (a ilustração acima mostra isso claramente).

Portanto, quando qualquer de vocês tiver que se explicar sobre qualquer coisa mais complicada (chegada tarde, batom na cueca ou land rover na garagem), use a mesma técnica: “o que eu fiz é feito sistematicamente por todo mundo”. Isso lança uma ampla suspeição e inibe os acusadores (“o que será que ele sabe a meu respeito?”), fazendo com que o pessoal fique mais cauteloso.

Depois, é só tomar uns comprimidos de Desmemoriol, para poder dizer, com toda a sinceridade, que não se lembra nem do nome da sua mamãe. Esse remédio tem um efeito colateral positivo: enrola a língua. Assim, a conversa fica naturalmente pastosa, confusa e apropriadamente embaralhada, bem daquele jeito Delúbio de ser.

PREFEITURA EM CHAMAS

Depois de um aquecimento de muitos graus, labaredas de vários tipos e da quase formação de um ciclone político extra-partidário, o clima interno da Prefeitura Municipal de Florianópolis começa a normalizar, com a ação dos bombeiros tucanos voluntários.

Ainda sem líder na Câmara, o Prefeito Dário assumiu pessoalmente a tarefa de conversar com os vereadores. Só vai pensar num nome para ocupar o cargo vago quando voltar do Chile.

Convidado pelo governador, Berger aproveita a oportunidade para refrescar a cabeça enquanto faz propaganda do município e tenta atrair chilenos para as nossas praias.

Gente bem informada, na Prefeitura, acredita que quando o prefeito voltar os atritos e desencontros (quase sempre envolvendo, de alguma maneira, o Secretário Gean Loureiro) serão substituídos por um pacto de convivência civilizada.

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