• 06 ago 2009
  • Postado por Tiago

ITAJAÍ E O ESCÂNDALO FEDERAL: DIZER O QUÊ?

O utro dia falei aqui que o que o governo federal estava fazendo com Itajaí era um escândalo. Aliás, o título da nota era justamente “Escândalo Federal”. Alguns petistas reclamaram, escreveram longas cartas, tentaram mostrar que São Lula é, de fato, um santo.

O que se vê comprovado, pelos acontecimentos mais recentes, é que o governo federal, de fato, trata Santa Catarina e em especial o Vale do Itajaí, com desprezo e pouco caso.

E antes que lulistas e petistas se ouricem, vamos esclarecer: o loteamento do governo que os sábios da estrela vermelha promoveram entre os partidos “da base”, faz com que cada ministério seja como um país independente. Tem autonomia, regras próprias e faz e desfaz conforme lhes dá na veneta.

O deputado Paulo Bornhausen (DEM) contou que foi conversar com o ministro baiano responsável pelo escândalo e ouviu dele queixas sobre a ação fiscalizadora do senador Raimundo Colombo (DEM). E, como um bom cappo mafioso, deu um recado claro: “parem de mexer nas contas do meu ministério, senão a papelada não vai desencalhar”.

E diante do que estamos vendo acontecer diante dos nossos olhos, as palavras perdem a força. Dizer o quê, a respeito das afirmações, repetidas de um e de outro lado, que dinheiro havia, mas não produziu os resultados necessários por culpa disto, daquilo, daquele ali, daquela acolá, das santas mães de todos os que, tendo algum poder pra decidir a favor da economia catarinense, decidiram pelos seus interesse mesquinhos, particulares ou partidários?

Fosse eu o Dalmo Vieira (que além de dono do jornal era advogado dos bons), mandaria todos à merda. Mas não posso. Não tenho o hábito de falar palavrão e acredito que a diretora do jornal, moça recatada e de bons modos, talvez ache inadequado. Mas é só por isso que não os mando.

Que falta de grandeza, de espírito público. Parece que não existe, entre todos os políticos envolvidos com o socorro a Santa Catarina, estadistas. Há estradistas, oportunistas, operadores, aproveitadores, espertinhos, metidos a espertinhos, caronistas e alpinistas. Mas não há estadistas.

O governador, tão enfático em tantas ocasiões, capaz de gestos ousados, como receber em palácio um empresário recém saído da prisão, age com uma certa cautela diante do governo federal. Pede educadamente ao ministro Geddel (que é do mesmo PMDB do governador), que saia de cima da papelada. Mas para afrontar a Constituição, impondo um Código Ambiental estadual que subverte a ordem federal, não faltou coragem a LHS.

A senadora do PT, que tantos (eu inclusive) esperavam que fosse a senadora de Santa Catarina, com tantos e tão relevantes serviços prestados ao governo federal no Congresso, disposta a se jogar à goela dos leões e dos tucanos para cumprir as tarefas espinhosas que lhe atribuem, não tem tido sucesso por aqui. Provavelmente porque, ao entregar um ministério para um partido ou para um grupo dentro de um partido, o presidente abdica do poder de influir ali.

Não tem ministros, o governo Lula. Tem vice-reis. Um mais provinciano e tacanho do que o outro. Sempre esperando reverências, presentinhos, favores e proteção especial para cumprir suas obrigações. E se esse ritual de puxasaquismo e rapapés não é cumprido, Sua Excelência se amua e senta em cima da papelada. Ou, hipocritamente, vem com aquela história de “aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da burocracia”.

Há, como em todo lugar, exceções. São dezenas de ministros, alguns cumprem suas tarefas com correção e merecem respeito. Mas é claro que aqueles que enfiam as mãos pelos pés chamam tanto a atenção, que acabam dando, ao conjunto, uma aparência de mafuá. Toda corrente é tão forte e boa quanto seu elo mais fraco. Ou podre, no caso dos governos.

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

17 de agosto de 2005

O BALAIO DE SIRI

No dia em que essa ilustração aí ao lado foi publicada pela primeira vez, nem havia necessidade de legenda ou qualquer explicação. O assunto estava nos noticiários das TVs, estava na boca do povo, era coisa quentinha.

E, como eu, todo mundo achava que, puxando o fio da meada, acabaria pescando Lula. As ligações eram (e continuam sendo), evidentes para quem quisesse ver. Mas, depois de algum tempo, parece que muita gente preferiu fazer de conta que não houve nada. Ou acreditou naquela história do “eu não sabia”.

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