• 21 ago 2009
  • Postado por Tiago

Missão cumprida, Chico

O enterro do Chico Amante foi triste e bonito, como normalmente são as despedidas das pessoas queridas. O Chico dedicou sua vida a fazer amigos. E a defender Florianópolis. Quem era amigo de Florianópolis, gostava do Chico. E o Chico gostava de quem gostava de Florianópolis. Simples assim.

Foi muito bem lembrado, pelo Ricardinho Machado, ao fazer uma emocionada despedida à beira do túmulo, que ele provavelmente gostaria que todos cantassem o Rancho do Amor à Ilha, o hino de Florianópolis, composto pelo Zininho. Não por acaso também grande amigo do Chico. E deu-se uma emocionada execução, a capela, da música que incorpora a essência da cidade. Quem resistia às lágrimas, sucumbiu. E o pranto musical e a tristeza da despedida uniu aquelas várias dezenas (uma centena? mais?) de amigos do Chico, que estavam ali, olhos vermelhos e a alma apertada, tentando entender os mistérios da vida.

O filho do Chico, o Marcos, disse, do fundo da sua dor, o que todos estávamos pensando: morreu um homem honesto. Íntegro. Um grande exemplo para todos nós e enorme orgulho para todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

“O Chico saiu à francesa”, disse-me a Lúcia (minha mulher), quando estávamos descendo a ladeira do cemitério. Ninguém que o conhecia pode imaginar o Chico enfermo, preso a uma cama, sofrendo com tratamentos prolongados. O Chico nunca ficou doente em mais de setenta anos. Certamente iria sofrer demais com tudo o que um tumor no intestino pode representar em termos de complicações e perda de qualidade de vida.

Se sentia alguma coisa, fez boca de siri. Queixou-se um pouco no domingo, levaram-no ao médico. Na terça piorou, foi operado de urgência. Na quarta, ainda na UTI, pediu a conta e saiu. À francesa. Sem incomodar ninguém. Sem criar dificuldades. Leve e discreto como sempre viveu.

Aos que ficam, tristes com essa ausência repentina, resta o consolo, poderoso consolo, de um homem que viveu bem a sua vida, espalhando alegria, esperança e amor pelas coisas da nossa terra. Claro que seria muito melhor que ele não tivesse ido agora. Mas com um homem da estatura moral do Chico, a gente não discute. Se ele resolveu ir embora, deve ter tido suas razões. Até porque – e disso ninguém duvida – já tinha cumprido, com galhardia e sobras, sua missão.

O NOVO LIVRO

Transcrevo trechos de uma nota do blog do Moacir Pereira, que tem uma boa informação sobre o novo livro do Chico:

A Despedida

A fina flor da representação ilhoa marcou presença nas últimas homenagens prestadas ao escritor Francisco Amante, o mané Chico Amante, sepultado no Cemitério São Francisco de Assis, com as bênçãos do padre Edgar e do diácono Glauco. Lideranças comunitárias, autoridades, deputado Edison Andrino, profissionais de imprensa, familiares e amigos estiveram na despedida. (…)

O comendador Roberto Laus confirmou para os próximos dias o lançamento do livro “Almoço das Estrelas”, que Chico Amante escreveu e autografaria em setembro. A obra terá lançamento em mais uma homenagem póstuma.”

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

CANCELA!

Ontem, ali pelas dez e meia da manhã, a asessoria da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte (chefiada pelo deputado Gilmar Knaesel) enviou e-mail para as redações informando que o projeto de dar dinheiro para uma escola do Rio de Janeiro fazer enredo com Santa Catarina tinha sido cancelado.

Cá com meus botões, achei que finalmente alguma alma boa tinha iluminado as idéias do Knaesel. Tucanos de várias qualidades também tinham sugerido ao secretário para desembarcar dessa canoa, que a água já estava no joelho.

DESCANCELA!

Pois não é que ao meio dia as redações receberam novo recado, desta vez “urgente”, descancelando o projeto?

A justificativa foi que a Liga das Escolas de Samba de Florianópolis, ao saber do cancelamento, pediu uma reunião “para discutir novas formas de viabilizar o projeto”. A reunião será segunda-feira.

TOMA JEITO, KNAESEL!

Assim não dá: cada vez que mexem nesse projeto, acontece uma trapalhada. Isso é um sinal dos deuses. Essa do cancela-descancela é demais. A decisão foi tomada com tanto “cuidado” que alguns dos principais interessados aparentemente não tinham sido consultados e nem souberam da decisão antes da divulgação .

E aí, como houve uma reação qualquer, pára tudo.

Dá impressão que o Secretário está louquinho pra que o tal projeto ande e estava cancelando contra a vontade (pressionado até por setores importantes do Centro Adminsitrativo). Quando abriu uma frestinha na porta, já ficou todo assanhado de novo.

Mantenho meu conselho: sai dessa enquanto é tempo, Knaesel.

JUÍZO, KNAESEL!

Hoje tem reunião das escolas de samba de Florianópolis com a Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, para conversar sobre o projeto Rio 2006. Ao que tudo indica, o projeto dançou mesmo e as escolas florianopolitanas terão que se concentrar no carnaval local, sem a “parceria” de uma grande (e cara) escola carioca.

Foto: Foto meramente ilustrativa (de março de 2009), apenas para mostrar quem é o Knaesel: é esse da esquerda. Os outros são o Marcondes (presidente do Conselho Estadual de Turismo e do Costão do Santinho) e o governador LHS.

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