• 26 ago 2009
  • Postado por Tiago

A última da Unimed

A Unimed em Santa Catarina é monopolista. Nenhum outro plano de saúde de porte se cria sob sua, digamos, jurisdição. A pretexto de ser uma cooperativa médica, age como uma famiglia, criando situações constrangedoras (para ser delicado e usar expressões de cortesia), tanto para clientes, quanto para prestadores de serviço.

Esta eu soube hoje: o ginecologista não pode mais pedir exames de colesterol para suas pacientes. A Unimed de Florianópolis não autoriza que os laboratórios façam exames como esse, a mando de qualquer médico. Ah, até autoriza, depois que a cliente e o médico ajoelharem no milho: tem que voltar ao médico, pedir uma carta de justificativa e levar pessoalmente à Unimed. Aí, os contabilistas e tesoureiros médicos da Unimed vão examinar a justificativa, pra ver se autorizam o exame (que custa R$ 60,00 para fazer sem o plano).

Outra opção, é, além do ginecologista (que em muitos casos acompanha a mulher há anos, atuando quase como um clínico geral), ir também ao cardiologista. Como a maioria dos cardiologistas marca consultas da Unimed para daqui a cinco ou seis meses, pode-se notar que o objetivo da Unimed é mesmo apenas cortar custos, e que se dane o cliente.

É a grande vantagem do monopólio: depois de estabelecido, não existem limites para o que se pode fazer. E os clientes e os médicos ficam reféns. Os clientes que têm alguma condição, passam a fazer tudo fora do convênio. Mas mantém o plano para o caso de alguma internação ou exames mais complexos, onde o custo compense as ajoelhadas no milho, a humilhação e as idas e vindas. É o melhor dos mundos para os usurários: reduzem custos e ficam sem aqueles procedimentos menores, mais numerosos e mais frequentes. E o pior dos mundos para os usuários: continuam pagando uma banana e recebendo um serviço minguante.

Ah, e a gente ainda fica brabo com os laboratórios e com os médicos, que são as faces visíveis. Nem sempre se lembra que as mentes malévolas que ficam engendrando essas dificuldades todas, pagando cada vez menos e cobrando cada vez mais, estão dentro da Unimed. Bem protegidas por inúmeras portas, inacessíveis aos reclamos do cliente comum. Envoltas e abrigadas em planilhas de custos decrescentes e lucros iridescentes. Ah, é cooperativa, não tem lucro, tem patrimônio compartilhado com seus cooperados? Pra nós, que sofremos com as restrições crescentes e o custo idem, dá tudo na mesma: o serviço é péssimo, está cada vez pior e não temos opções à altura.

HOMENAGEM AO CHICO

O Vereador Aurélio Valente (PP) já fez um projeto para dar ao Chico Amante, falecido recentemente, a Medalha Manezinho da Ilha Aldírio Simões em 2010. “A intenção é engrandecer com o título o escritor Francisco Hegídio Amante, que foi um pesquisador das tradições açorianas e um entusiasta do estilo de vida dos manezinhos da Ilha de Santa Catarina”, diz ele.

A entrega da Medalha, informa o vereador, será efetuada em Sessão Solene da Câmara Municipal, no Dia do Manezinho da Ilha, que é uma data que cai sempre no primeiro sábado de junho.

Em defesa da cidade

Este nosso DIARINHO (Diário do Litoral), vocês sabem, é o líder de audiência em Itajaí e Balneário Camboriú e vende muito bem nos municípios do litoral catarinense, de Florianópolis a Barra Velha. E tem consciência da responsabilidade social decorrente dessa preferência popular.

Por causa da lambança burocrático-política que emperrou as obras de recuperação do porto, o jornal criou uma campanha “Porto Já”, para tentar mobilizar a cidade e a região, chamando a atenção para a importância de resolver a questão do porto de Itajaí imediatamente. Nem amanhã, nem depois do Natal, nem semana que vem: já. Segundo a direção do jornal, “a campanha é supra partidária, sem fins lucrativos, com o único objetivo de ajudar a fazer funcionar essa importante locomotiva da economia da nossa região”.

A campanha consiste em promover debates, fazer matérias jornalísticas e, brandindo perguntas no ar, como porretes de cidadania, ir atrás de respostas para a demora no reestabelecimento do funcionamento normal do porto.

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

ENDEREÇO ERRADO

Na edição de ontem escrevi errado o endereço do saite do jornalista Gonzalo Pereira (o certo é www.gonzalo.com.br), que está investigando as relações de Anita Pires com a empresa que organiza eventos para a Secretaria do Planejamento. Perdão, leitores, vou tentar ser mais atento.

MÚTUA COOPERAÇÃO

E já que estamos falando nisso, ontem [26/8/2005] estava lá uma entrevista com o Secretário do Planejamento, Armando Hess e com a diretora geral da secretaria, Anita Pires, onde eles explicam como se dão esses relacionamentos.

O caso é relativamente simples: três empresas dividem um prédio no Estreito (bairro da capital), numa espécie de condomínio empresarial. Dividem a sala de reuniões e a central telefônica, por exemplo. Duas delas têm Anita Pires como sócia. E uma, que presta serviços para o governo (a tal Praxis, que organizou o evento de design no Costão do Santinho, alguns seminários de descentralização e reuniões do Colegiado), não tem formalmente nada a ver com ela.

MULHER DE CESAR

Já no tempo dos romanos se dizia que “não basta a mulher de Cesar ser honesta, ela tem que parecer honesta”. Podem fazer piadinhas com o meu nome, mas isso era dito a respeito do poderoso Júlio Cesar. Parece que também se aplica nesse caso.

Anita Pires tem, como ela mesma faz questão de lembrar na entrevista, uma história política sólida em Santa Catarina. E é também uma empresária ativa, realizadora. Pelo que disse, parece tratar-se apenas de um relacionamento normal, entre parceiros, coisa comum na iniciativa privada.

Sua posição no governo não teria favorecido em nada a Praxis, seja com informações privilegiadas, seja com acesso mais fácil a idealizadores de eventos.

Mas a proximidade física das empresas é muito grande. É difícil acreditar que parceiros tão chegados não convivessem, não trocassem idéias. Isso é uma desvantagem para quem, como servidora pública, além de ser honesta, precisa parecer honesta.

PREOCUPAÇÃO

Chamou-me a atenção, na entrevista, a preocupação da diretora com o que estaria por trás da curiosidade do repórter. “Você recebeu alguma denúncia?”, perguntou ela. Com toda razão, teme que a história seja divulgada irresponsavelmente, apenas como mais um componente da “onda de denuncismo”.

De fato, é preciso muita calma nessa hora. Para não ver chifre em cabeça de cavalo. Nem do lado de lá, nem do lado de cá.

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