• 28 ago 2009
  • Postado por Tiago

Pérolas do DOE

A leitura do Diário Oficial do Estado (DOE) é como um garimpo. No meio de muita coisa sem valor, sempre se encontra alguma preociosidade, verdadeiras pérolas, que põem a nu a forma como nossos governantes usam nosso dinheiro.

“NOVA” IMPRESSORA

O governo da modernidade e da vanguarda tecnológica dá mais um passo em direção ao… passado. Acaba de comprar, segundo nos informa o DOU do dia 18 de agosto último, uma impressora usada para fazer envelopes oficiais. Trata-se, conforme se lê no registro, de uma máquina que estava sem uso na Imprensa Oficial de São Paulo (decerto não usavam por ser moderna demais, né?). E vem substituir uma veterana impressora de envelopes, que já deu o que tinha que dar.

O ESPORTE TURÍSTICO

Quando o governo LHS dá R$ 35 mil do Fundo do Esporte para ajudar a realizar o 13º Rodeio Crioulo Interestadual (DOE do dia 17/8), está nos dizendo que considera aquela farra um esporte, né?

Mas e aí, quando o mesmo governo dá R$ 150 mil do Fundo do Turismo para realizar o American Rodeo Festival 2009 (DOE do dia 19/8), o rodeio deixou de ser esporte? Ou o rodeio continua sendo esporte, mas o American transforma o evento em atração turística? De qualquer forma, a turma que está proibida de fazer a farra do boi deve adorar essa generosa distribuição de graninha pública para promover festas onde reses são perseguidas, laçadas, derrubadas…

É TURISMO MESMO

Tem gente faladeira que diz que esses congressos, seminários e encontros realizados em cidades turísticas, como Florianópolis, Salvador, Fortaleza, são só pretexto para o passeio dos participantes. Claro que os organizadores reclamam, dizem que se trabalha muito e que são eventos sempre úteis para vários segmentos e profissões.

Só que o pragmático governo LHS não tem dúvidas: a grana para o 11º Congresso Brasileiro de Radiologia e 6ª Jornada de Radioterapia (R$ 30 mil) sai mesmo é do Fundo do Turismo (DOE do dia 18/8). Vai ficar fácil pro participante, depois de receber um certificado com o selinho “Funturismo”, provar, na repartição ou na empresa, que ficou o tempo todo ouvindo palestra e trabalhando.

SOBRINHA TRABALHADEIRA

Esta não está (ainda) no Diário Oficial, mas já toco no assunto porque, mais cedo ou mais tarde, vai aparecer alguma coisa. A arquiteta Cristina Maria da Silveira Piazza, que no Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) todo mundo conhece como “a sobrinha do governador”, é Coordenadora Técnica do Architectour 2009, um Seminário Internacional de Arquitetura para o Turismo que acontecerá de 8 a 10 de setembro próximos. E vejam só, ela e seus amigos até conseguiram que o governo do tio patrocinasse o evento. Legal, né?

Ah, e só pra passar o tempo, experimentem contar quantas fotos da coordenadora técnica (sempre acompanhada de sua partner, também coordenadora técnica, Simara Callegari) aparecem no site do evento: www.architectour.com.br. Não sei por que, lembra uma coluna social. Mas isso deve ser implicância minha. Ah, no Ipuf ela é, desde abril de 2009, Gerente do Setor de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural (SEPHAN) de Florianópolis.

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

O PALAVRÃO É MUITO RELATIVO

“VAI DAR MERDA…”

Acho que foi o Chico Buarque de Holanda que sugeriu a Lula a criação do Ministério do Vai dar Merda. É simples: um sujeito de bom senso espiaria todos os projetos do governo. Todos os que ele dissesse “vai dar merda” seriam engavetados.

Seria muito útil uma secretaria estadual com a mesma finalidade.

Por exemplo: quando alguém visse com a idéia de captar recursos do fundo de turismo para pagar uma escola de samba do Rio para colocar o estado no enredo, o secretário certamente diria: “vai dar merda”. E o projeto nem nasceria.

BASTA BOM SENSO

Ou, quando fossem nomear uma secretária adjunta (depois diretora geral) que não se licenciou da representação da associação de empresas promotoras de congressos (ABEOC), mas iria trabalhar numa secretaria que promoveria vários seminários e congressos, e que manteve suas empresas no mesmo endereço de uma outra, prestadora de serviços ao governo, o secretário olharia e diria, sem pestanejar: “vai dar merda…”

O Murilo Canto ligaria para o secretário do VDM e perguntaria: “escuta, estou pensando em reunir amigos no meu restaurante, para homenagear o diretor da polícia civil”. Receberia como resposta um “vai dar merda” e poderia refazer seus planos.

Não haveria condenação prévia nem pré-julgamento, apenas bom senso. Para uma coisa dar merda, não precisa ser ilegal. Basta ser feita com a cabeça nas nuvens. Porque, se botar os pés no chão, qualquer um sabe que…

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