• 29 ago 2009
  • Postado por Tiago

A grama do vizinho

MAIS UMA DAQUELAS LONGAS (e chatas) CARTINHAS DO TIO CESAR

Caros itajaienses…

No meio de toda essa gritaria sobre a recuperação do porto de Itajaí ouvi, aqui e ali, alguns engraçadinhos tentando colocar lenha numa fogueira muito esquisita: a da rivalidade com outros portos.

Começam pelo mais próximo, dizendo que o porto de Navegantes isso, a Portonave aquilo e apontam para o outro lado da vala seus dedos duros, tentando obter sabe-se lá que resultado.

Em seguida acrescentam a história do “calado natural” de Itapoá, o crescimento de Imbituba e outras historinhas que sempre têm, no fundo, o objetivo de instalar a cizânia e deixar o itajaiense cabreiro.

Não costumo me meter em assuntos locais, que são melhor cobertos pelos colegas de opinião e reportagem que moram na cidade e vivem o seu dia-a-dia, mas também não consigo ficar calado, porque gosto de Itajaí e do jeitão dos peixeiros, muito parecido com o dos manezinhos da Ilha.

Não embarquem na canoa furada dos que pretendem menosprezar a grande conquista que é o porto público. E não parem de exigir, dos administradores, sejam de que partido forem, seriedade e trabalho, muito trabalho.

As conquistas coletivas terão a estatura dos homens e mulheres que vocês colocarem à frente das suas instituições. Gente de idéia curta não vai adiante.

Nada é fácil

Cuidar a coisa pública é muito difícil. E nem sempre quem tem a caneta coloca, em cada posição, o mais capaz. Às vezes a pressão política é grande e a vaga é preenchida com alguém bonzinho, indicado pelo fulano, mas completamente incompetente.

E aí a porca torce o rabo, porque as instituições, empresas e repartições públicas exigem gente mais competente do que as da iniciativa privada. Primeiro, porque lidam com o nosso dinheiro. É grana de todo mundo que está ali, na mão deles. Tem que saber gastar, tem que planejar a despesa, tem que se adiantar. Não adianta ficar choramingando que tem que fazer licitação, que é tudo difícil. É difícil mesmo, não é pra qualquer um, não são todos que conseguem fazer um bom trabalho.

E tem o problema do roubo, da ladroagem, da apropriação do alheio. O carpete dos gabinetes dá uma sensação de segurança, de impunidade, que às vezes é real. Mas que a cidade toda precisa trabalhar para que deixe de ser. Se souber que algum conhecido, vizinho, amigo, usa o cargo público em proveito próprio ou de sua turma, bote a boca no trombone.

Quem rouba no serviço público, mesmo que seja uma folha de papel, precisa se sentir envergonhado. Precisa saber que a gente não gosta dessa história. Não podem posar de bacanas com seus carrões e suas amantes argentinas sem que ninguém lhes vire a cara ou diga uns desaforos.

Por isso, se o porto público é importante para a cidade, cabe a todos e a cada um cuidar desse patrimônio. Corram para o balcão do DIARINHO sempre que souberem de coisas malfeitas (fofoca não vale, tem que ser coisa séria). Usem este extraordinário aliado, para manter limpa a cidade.

Salto de qualidade

E deixem de achar que a grama do vizinho é sempre mais verde. Olha pro teu rabo, macaco. Fazendo direitinho a lição de casa, mantendo em ordem as contas e procurando prestar um bom serviço, sem propinas, sem maracutaia, sem porfora nem porbaixo, tudo melhora. Até a auto-estima.

O grande desafio do futuro, o importante salto de qualidade que nos espera, o que nos aproximará de países mais “adiantados” é a forma como nós, cidadãos, contribuintes, eleitores, encaramos a corrupção e o mau servidor público. Enquanto formos cegos e omissos, eles farão gato e sapato com nosso dinheiro. Rindo, como sempre, da nossa cara. Mas se fizermos cara feia e exigirmos respeito, as coisas começam a mudar. Pode ter certeza.

RETROSPECTIVA ESPECIAL: QUATRO ANOS DE OLHO NA CAPITAL

No mês do aniversário, todo dia tem alguma coisinha de 2005, pra lembrar como tudo começou

GREVE NA UFSC

Como ex-professor da UFSC, não posso levar muito a sério essas greves periódicas. Mas como contribuinte que gostaria de receber educação de qualidade, isso me incomoda: a greve tem sempre motivação econômica.

No discurso, nas assembléias, a qualidade de ensino até aparece. Mas, a cada ano, a cada nova greve, os oradores cometem mais erros de português, demonstram maior miopia política e acabam deixando a nu a questão essencial: é grana e ponto. Não é indigno lutar por um salário decente. Então não precisa dourar a pílula.

Os professores em greve unem-se aos servidores, que já pararam há mais tempo.

A propósito, dia desses, um estudante estava reclamando que o RU estava fechado. Tipo assim: “e agora, onde é que eu vou comer?” Tadinho. Só o boné e o tênis que ele estava usando dariam para pagar quase um ano de almoço no RU (que custa R$ 1,50).

JUDICIÁRIO EXECUTIVO

De uns tempos para cá tem acontecido uma coisa estranha e engraçada: em vez das autoridades do Poder Executivo que cuidam das estradas providenciarem bloqueios e reformas, é o Judiciário que está cuidando disso. De vez em quando a gente lê que uma ordem judicial mandou bloquear determinada estrada, ou mandou reformar uma ponte.

Dá impressão que é uma terra de ninguém, onde bananas e molóides incompententes cuidam dos órgãos que deveriam manter as estradas funcionando direito. Não têm cojones para tomar uma atitude, como interditar uma ponte que está ameaçando cair, ou não conseguem recursos para a reforma e ficam quietos. Aí vem um Juiz e toma a providência. Eu, no lugar dessas amebas, pediria as contas, morto de vergonha e ia pra casa, chorar na cama que é lugar quente.

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