• 11 set 2009
  • Postado por Tiago

O caso do cursinho da Senadora Ideli

Ô gente faladeira!

Essa chusma de intrigantes dazelite, que não gostam do Lula porque não tem estudo, agora deram pra criticar a Ideli porque estudou. Vocês precisam se decidir: não dá pra achar ruim as duas coisas.

Tá todo mundo muito ouriçado, desde quarta-feira, por causa desta notícia da Folha:

Senado gastou R$ 70 mil em curso de Ideli em 3 países

Senadora e assessor fizeram treinamento de empresa [Newfield] fundada no Brasil por filiado ao PT

“Grandes executivos” são os principais clientes do evento, diz representante no país; etapas foram no México, na Argentina e na Espanha”

Estão achando ruim do quê? Que fomos nós que pagamos? Ora, isso aí é só uma espécie de “escola pública gratuita de qualidade”. Não é isso que todos os grevistas das universidades federais pedem? A gente não paga doutorados, pós-doutorados, mestrados, de tanta gente (e, em muitos casos, sem sequer cobrar qualquer resultado útil dos anos de férias no exterior)? Então por que não podemos contribuir para a que a senadora e seu assessor se aprimorem?

Vocês são muito ranzinzas. Implicam com o fato da empresa provedora do cursinho ser de um petista. Mas ninguém reclama das várias universidades federais e escolas técnicas que são dirigidas por petistas para servir ao petismo. O governo é petista. Queriam o quê? Que a grana jorrasse para empresas de tucanos?

E nem venham com princípios constitucionais, porque faz algum tempo que os princípios foram colocados numa gaveta cuja chave ninguém mais sabe onde está. Vivemos um tempo aético, amoral e de intensa locupletação. Portanto, calai vossas bocas e tratai de arranjar vossos próprios mandatos, cargos, cursinhos e outros benefícios. Ide inscrever-vos imediatamente em algum dos partidos “da base”. Cáspite!

a “resposta-padrão”

A nota com que a senadora Ideli Salvatti respondeu a essa revelação feita pela Folha de S.Paulo, de que ela fez (às nossas custas) um cursinho de aperfeiçoamento de executivos no exterior, tem vários elementos que estão se tornando corriqueiros nesse tipo de episódio. E que configuram uma espécie de padrão:

1 – Tudo foi aprovado conforme a legislação em vigor, de acordo com as normas e com o conhecimento de todas as instâncias que deveriam tomar conhecimento e/ou autorizar o feito;

2 – O que foi feito trouxe benefícios socialmente relevantes. Vale destacar que os petistas agora referem-se a seus políticos eleitos de uma forma sofisticada: não é mais o deputado, a senadora, o vereador, é “o mandato” que faz coisas. Então, esta ação ajudou a aperfeiçoar “o mandato” e isso, naturalmente, será bom para todos;

3- Há sempre a denúncia de alguma má intenção da mídia. No caso específico, do curso que “o mandato” da senadora Ideli fez no exterior, parece que a intermediação de um companheiro petista no negócio era pura implicância do jornal. Afinal, como diz a nota, “os pagamentos foram feitos diretamente à New Field nos EUA”. Como se a filial americana não pertencesse ao mesmo dono da matriz, que é um brasileiro ligado ao PT.

E, como quase toda resposta política, funciona parcialmente: serve para mostrar que não se deixou a denúncia ou revelação sem resposta. Serve para dar argumentos aos militantes. Serve para mostrar, mais uma vez, que a mída dazelite tem histórica má vontade com os “mandatos” populares. Mas não serve para saciar o desejo que têm, os eleitores/contribuintes de boa fé, de verem os políticos agirem com bom senso e critério.

“NEWFIELD” NO APÊ

O Diário Catarinense de ontem publicou mais alguns detalhes da “operação”, que tornam ainda mais irrelevante a nota defensiva distribuída pelo “mandato” da senadora.

Na reportagem “Consultoria e curso em família”, diz-se, em resumo, o seguinte (as informações entre colchetes foram acrescentadas por mim):

“A mesma empresa [Newfield] contratou a nora de Ideli, para prestar serviços à Eletrosul, estatal federal que tem sede em Florianópolis e é presidida por Eurides Mescolotto, ex-marido da senadora [e sogro da moça contratada].

Com operações em países como Estados Unidos, Venezuela e Argentina, a Newfield atua no Brasil a partir de Florianópolis.”

(…)

“Ontem à tarde, a equipe do DC foi até a sede da empresa, no endereço que aparece no site, na Rua Rui Barbosa 100, em Florianópolis. O endereço não foi encontrado. Segundo Márcia [Márcia Serra Gomes da Silva, diretora da empresa], as informações do site estão erradas. Ela afirmou que a empresa funciona em seu apartamento, no oitavo andar de um edifício no Bairro Agronômica.”

E vai por aí afora. O enredo é mais ou menos o mesmo de sempre. Só mudam os personagens.

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